Sábado, 15 de Junho de 2024
Gênero e Sexualidade Mulheres

Festival Climou - mulheres por justiça climática é realizado em Santana do Tapará

Festival Climou em Santana do Tapará, que foi realizado quarta (13) e quinta-feira (14), mostra protagonismo de mulheres na luta por justiça climática.

19/09/2023 às 11h04 Atualizada em 10/02/2024 às 00h58
Por: Fernanda Lima Fonte: Tapajós de Fato
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Foto: Tapajós de Fato
Foto: Tapajós de Fato

A comunidade de Santana do Tapará está a aproximadamente 2 horas de balsa do porto do DER, no bairro da Prainha, em Santarém. O distrito é conhecido por ser portuário e por levar a outras cidades como Monte Alegre e Prainha, vizinhas de Santarém. Para chegar lá, é necessário atravessar o Amazonas e entrar na Boca do Tapará ou no rio Saracura. De qualquer forma, o passeio é uma atração à parte com o barulho da embarcação singrando as águas barrentas do gigante que nos cobre com o vento refrescante que nasce no leito do rio. Contudo, esse frescor tem sido cada vez mais ameaçado pela ação antrópica que tem alterado o clima, o que torna necessárias ações que mostrem a resistência e a luta da população da várzea por justiça climática. Nesse contexto, Santana do Tapará sediou o Festival Climou nos dias 13 e 14, evento que teve presença de uma equipe do Tapajós de Fato.

 

O Festival também é importante enquanto instrumento de luta em defesa da Amazônia, uma vez que lutar por justiça climática é lutar por um meio ambiente equilibrado, o que garante uma floresta amazônica saudável, que possa fornecer tudo o que o povo da região necessita.

 

O Festival Climou em Santana do Tapará

 

O evento foi idealizado pelo Movimento Tapajós Vivo (MTV), Coletivo Jovens Tapajônicos e a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Santarém como uma das ações principais da Campanha Climou – Mulheres pela Justiça Climática. Segundo Kamila Mayara Sampaio de Sousa, representante do MTV, a organização do evento percebeu a necessidade de “mobilizar mulheres para a pauta da justiça climática. A gente começou essa campanha porque a gente entendeu que as mulheres são mais impactadas por essa mudança climática que a gente está vivendo e também são elas que mais estão propondo soluções de combate a essa questão climática que a gente está sentindo”, afirma.

 

Kamila disse também ao Tapajós de Fato que o pontapé inicial para o início dessa campanha “foi perceber que essas mulheres não associam esses termos técnicos ao que elas já estão fazendo. Muitas das vezes, elas já praticam a agroecologia, mas ainda não entendem [que] já praticam o bem viver”.   Assim, nascia o Climou, dessa demanda por olhar “as vivências delas, as experiências delas, tudo que elas estão fazendo no território, e dizer que elas estão combatendo essa crise climática”, continuou.

 

O movimento, então, nasceu da necessidade de dar protagonismo à mulher amazônica na luta contra o aquecimento global, uma vez que é ela que vai para o roçado e se queixa do calor quando precisa ficar até 11h, pois o sol castiga; porém, se ficarem apenas até as 9h, todos da família sofrerão as agruras da baixa produtividade.

 

Durante o festival se discutiu ainda a situação de cada território nesse cenário de altas temperaturas; em seguida, foram discutidas as possíveis soluções aos comunitários.

 

Para realizar o festival, a coordenação enfrentou muitos desafios como visitar cada comunidade para trazer às discussões em Santana do Tapará. Entretanto vale muito a pena, pois já é possível perceber as mulheres se sentindo como as protagonistas da própria história, bem como das comunidades a que pertencem. Desse modo, o Festival também dá honra às mulheres, líderes na batalha contra as mudanças climáticas.

 

Foto: Tapajós de Fato

 

De acordo com Keyse Costa, que faz parte da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Santarém, o Movimento Climou serviu para capacitar mulheres, começando pelo Eixo forte e “inicialmente fizemos a formação de 20 mulheres nesses locais. Elas estão inseridas num contexto de zona rural de exclusão desses espaços de debate em relação ao clima e a ideia foi levar para a comunidade um assunto que é pautado em lugares onde as pessoas tomam decisões não levando em consideração a base. A partir daí a gente planeou esse intercâmbio que é a troca [de informações] dessas realidades”. Para ela, a partilha de desafios de outras produtoras fez com que as participantes se identificassem independentemente da região.

 

Foto: Tapajós de Fato

 

Rivonete Ferreira dos Santos, moradora da comunidade Serra grande do Ituqui e pertencente ao Grupo de Mulheres Virtuosas e Empoderadas do Ituqui, participou desse momento de partilha de experiências. Ela disse ao Tapajós de Fato que “o clima muito quente está trazendo doenças de pele e desconforto”. Ela disse ainda que é notório que a partir das 9 horas o sol já começa a fazer mal.

 

Programação do primeiro dia

 

O Festival Climou foi iniciado com as esperadas boas vindas às participantes, que foram apresentadas e participaram de dinâmicas.

 

Foto: Tapajós de Fato

 

As discussões do dia foram em torno de duas perguntas: “quem seria o causador das mudanças climáticas?” e “quais as causas sentidas no dia a dia?”. Depois de todas as partilhas das respostas, a turma foi dispensada para descansar para as atividades do dia seguinte.

 

Foto: Tapajós de Fato

 

Programação do segundo dia

 

Apresentação de músicas e de parodias compostas pelas mulheres das comunidades participantes. Todos ficaram cansados, mas o show tinha que continuar. Para isso, houve uma apresentação de carimbó.

 

Depois, foi o momento de apresentar as cartilhas sobre Justiça Climática pelo Bem viver. Seguindo a programação, foi realizado um bingo agroecológico, que encerrou o evento.

 

Foto: Tapajós de Fato
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