Sábado, 15 de Junho de 2024
Reportagem Especial Emergência

Santarém e outros municípios da região vivem situação de calamidade pública devido seca extrema

Municípios paraenses passam por situação de emergência pela estiagem extrema no estado. Santarém deve decretar estado de emergência 2, para solicitar ajuda ao governo do estado e ao Governo Federal.

11/10/2023 às 17h56
Por: Damilly Yared Fonte: Tapajós de Fato
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Isabelle Maciel
Isabelle Maciel

Nas últimas semanas, os noticiários locais vêm trazendo cada vez mais cidades e comunidades que estão passando por dificuldades causadas pela forte estiagem na região amazônica.

O evento das secas extremas começou com a passagem do fenômeno El Niño, um evento climático natural que aquece a temperatura das águas do oceano pacífico, com isso está se constatando uma anomalia climática, cuja a tendência é que se intensifique em novembro e dezembro, e as regiões que já estão comprometidas, provavelmente ficarão ainda mais, por conta do verão amazônico.

Com a estiagem, o rio Tapajós chegou ao seu menor nível [94cm], antes do período esperado, se levar em consideração o ano de 2010 que teve a menor seca, o período no qual o rio chegou ao nível mais baixo foi em novembro. Em 2023, o nível do rio atingiu o menor nível esperado em 21 de setembro, com o mês de outubro e novembro ainda.

Alter do Chão - Foto: Manoel Cardoso/Folhapress

A grande estiagem já fez com que algumas cidades paraenses decretassem situação de emergência, a exemplo de Aveiro e Itaituba.

Diante dessa realidade, o Tapajós de Fato conversou com Margareth Maytapu, do município de Aveiro, da Aldeia/Distrito de Pinhel, Secretaria Executiva do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns [CITA], que falou sobre a seca no município que tem afetado aldeias e comunidades.

De acordo com Margateh, estão deixando as comunidades e aldeias a mercê, “algumas aldeias já estão isoladas, como é o caso da aldeia de Escrivão, então o CITA está trabalhando em conjunto com as demais organizações não governamentais, buscando meios de ajudar com a alimentação e combustível. Está sendo um trabalho árduo, para que todos possam ter apoio, porque não está sendo fácil, estar hoje aqui, a falta de alimentação nos cerca em todos os momentos, então diante de tudo isso, é muito é muito difícil, mas nós contamos muito com com ajuda de todos, e pedimos a proteção de Tupã e dos nossos encantados” - finaliza.

Foto: Reprodução da Internet

E para entender a situação do município de Santarém e comunidades da região, a equipe do Tapajós de Fato conversou com o Coordenador da Defesa Civil do Município, Darlison Maia, que trouxe um panorama da região e quais ações estão sendo planejadas para ajudar nesse momento de crise.

De acordo com o coordenador, “o papel da Defesa Civil é fazer um levantamento, das comunidades afetadas, das famílias que estão sendo afetadas e esse trabalho já foi iniciado há três semanas”. Ele ressalta ainda que ao fazer esse levantamento escolheram três regiões que historicamente são afetadas pelas secas, e como a Defesa Civil sabia que essas regiões poderiam ficar isoladas, resolveu se antecipar a esse problema.

A partir da análise de dados, o coordenador explica que chamou o prefeito do município, Nélio Aguiar, para tratar do assunto, e a Secretaria Municipal de Educação de Santarém [SEMED], através de Maria José, para repassar os dados. Após essa reunião, foi decretada situação de emergência nível 1 no município, através do Decreto nº 847/2023, de 5 de outubro de 2023.

O decreto dispõe da mobilização de todos os órgãos municipais e voluntários para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil – COMDEC, nas ações que visam diminuir os efeitos da estiagem prolongada instalada no município. Darlison Maia reitera que foi a partir desse decreto que foi possível dar vazão a algumas ações, como por exemplo, a arrecadação de água potável para atender as comunidades que estavam isoladas, além de atender pedidos como “bombas de água,  mangueiras, caixa d'água para armazenar água potável que é a maior dificuldade neste momento” - enfatiza o coordenador.

Sobre o cenário da forte estiagem na região em comparação com anos anteriores, o coordenador da Defesa Civil ressalta que “esse ano foi atípico porque ele [o rio] baixou muito rápido, para se ter uma uma ideia, ano passado [2022] nós fomos fazer esse levantamento, e estava um nível bem acima da cota ainda, no dia 21 de outubro de 2022, e não estava na situação que está agora [2023], nós fomos 21 de setembro deste ano, e não conseguimos entrar em algumas comunidades devido a baixa muito rápida do rio, está bem atípico”.

A Defesa Civil teve uma última reunião com a Prefeitura ainda nesta quarta-feira, 11 de outubro, onde deve ser decretada com base nos novos dados apresentados, emergência nível 2. Segundo o entrevistado, a emergência nível 2 “é justamente para mostrar para o governo do estado e o governo federal, que o município já fez o primeiro atendimento, e devido a baixa do rio e a forte seca, a gente já não tem mais a capacidade de atender todas as solicitações” - explica o coordenador.

O parecer para a prefeitura sobre a situação do município será enviado ainda neste dia 11 de outubro, para que seja homologada a situação de emergência nível 2, com a homologação da emergência nível 2, Santarém entrará no sistema Nacional da Defesa Civil, para que o município receba ajuda humanitária.

Sobre as áreas afetadas pela estiagem em Santarém, o coordenador falou sobre as 6 regiões, e cada região dessa tem várias comunidades afetadas, a exemplo da região do Aritapera, que tem 14 comunidades que serão assistidas pelo decreto, mais 9 comunidades na região do Arapixuna, 9 comunidades na região do Lago Grande, 9 comunidades da região do Ituqui, 12 comunidades da região do Tapará, 7 comunidades na região do Urucurituba, de acordo com o coordenador, praticamente toda a região de várzea será atendida pelo decreto.

Segundo Maia, é a primeira vez que isso acontece, pois depois de 2010, que é onde a régua da menor seca está, quando chegou a 40 centímetros, ela chegou nessa marcação apenas na metade do mês de novembro no ano de 2010, e este ano, ainda iniciando outubro e tendo praticamente 1 mês e meio pela frente, até a estabilização que acontece apenas em dezembro, faz com que a situação seja atípica, de acordo com Maia, a água do rio Tapajós já chegou a baixar 20 centímetros em um dia, e agora ela está baixando cerca de 4 cm.

A Defesa Civil está tomando junto com a prefeitura as medidas necessárias para atender a população que está sofrendo com a seca na região, o coordenador informa que “tem ajuda sendo estabelecida através da distribuição de água potável para essas comunidades, bomba, mangueira, motor e caixa d'água para a região do Urucurituba, duas picapes para fazer o transporte tanto de passageiros, mercadorias, da margem do Amazonas para as suas comunidades, principalmente as que ficam isoladas nos lagos centrais” - finaliza.

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