Sábado, 15 de Junho de 2024
Território Destruição

Mineração: um panorama dos grandes projetos minerários na região do Baixo Amazonas

A mineração na região do Baixo Amazonas tem ameaçado cada vez mais comunidades tradicionais em busca da expansão da exploração de minério no Pará.

31/10/2023 às 16h09 Atualizada em 10/02/2024 às 01h04
Por: Damilly Yared Fonte: Tapajós de Fato
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Carlos Penteado
Carlos Penteado

O interesse em explorar minério na região oeste do Pará já é conhecido por moradores de assentamentos e comunidades tradicionais, principalmente aquelas que estão localizadas em regiões onde existe a possibilidade de encontrar minério.

A região, é constantemente visada por grandes empresas, e pelo próprio garimpo ilegal, devido seu potencial mineral. 

A região do Baixo Amazonas é rica e nela é possível encontrar bauxita, que é o minério que produz aluminío [que já é explorada desde 2009 pela Alcoa no município de Juruti], o manganês, usado para produzir aço e ligas metálicas, o ferro que é um minério já explorado pela empresa Vale, e o Ouro explorado pelo garimpo ilegal.

Diante desse processo de ameaças constantes pela exploração minerária, o Tapajós de Fato conversou com Allan Hills, comunicador popular e militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração [MAM] Núcleo de Base Raízes do Baixo Amazonas e Tapajós, no estado do Pará, que explicou um pouco da atuação do coletivo frente aos megaprojetos e o panorama local.

Reprodução da Internet - Alcoa Juruti

Allan Hills explica que o coletivo Raízes tem acompanhado a situação do PAE Juruti Velho, no município de Juruti, e do PAE Lago Grande, em Santarém. Juruti que já vive situações de exploração de minério pela empresa Alcoa, e o PAE LAGO GRANDE que vive sob constante ameaça da invasão da mesma empresa para a exploração de minério.

O entrevistado destaca que “diferente do que se imagina, a mineradora não está descartando Juruti, pelo contrário a região de Uxituba que é uma serra com várias comunidades, entre 13 ou 14 comunidades, já esta sendo visada, tem também a região do Lago do Miri que está sendo cobiçada e ela já vem fazendo um terrorismo e psicológico, bem como na região de Curumucuri, e todas que estão em Juruti. E que é necessário uma luta muito grande onde o PAE Lago Grande, Lago Miri e Uxituba devem se unir, e conectar-se para resistir e salvar este território da destruição pela mineração”.

O Tapajós de Fato conversou também com Erick Vasconcelos, militante do MAM - Pará e comunicador popular, que trouxe um panorama de como se encontra a situação das comunidades da região ameaçadas pela mineração.

De acordo com o ativista, - “foi lançado um estudo que mostra que o Pará é o segundo estado com maior produção mineral no Brasil, e esse é um dos levantamentos apontados pelo boletim da mineração” - o que faz com que o estado do Pará seja lançado ao mundo com um grande potencial de exploração do minérios, e isso acaba atraindo mais projetos para essa região.

Para Erick, entender que o minério é um recurso não renovável também é importante, o que significa que esses recursos vão acabar, e assim essas grandes empresas vão procurar outro lugar para explorar - “as mineradoras vêm tentando adentrar os territórios aqui do Baixo Amazonas. Temos o exemplo Juruti Velho, e Trombetas aqui na região do Baixo Amazonas, e o MAM está cada vez mais preocupado com essa região e esses territórios porque a situação tem se agravado, e os conflitos territoriais também se agravam” - enfatiza o ativista do MAM.

Erick explica que diante das ameaças nos territórios, o papel do MAM tem sido de “debater e alertar, para defender e abrir os olhos dessa população desse território, para as consequências que a mineração vem trazer para os territórios, dando exemplos reais de territórios já atingidos pela mineração, além de abrir diálogos sobre essa questão da exploração mineral, o MAM também vem denunciando diversas violações dos direitos trabalhistas, ambientais e de saúde dos atingidos pelos impactos da mineração”.

Foto: João Paulo Serra -  PAE Juruti Velho distribuição de água mineral para a população por conta da poluição das águas causada pela exploração de minério na região.

Erick ressalta ainda que a seca na região tornou-se uma preocupação, tendo em vista que “se os rios estão com fluxo baixo de navegação, por onde vai ser escoado esses minérios?” - o ativista reflete ainda que -  “essas empresas que usam a navegação para escoar seus minérios, podem a partir de agora pensar em abrir estradas para escoar esse esses minérios, e que onde serão construídas essas estradas, tem que ter um levantamento de perdas de estudos de danos ambientais, de como será construída e se tem aprovação da população, para o escoamento desses minérios, que podem gerar danos ambientais irreversíveis para floresta e para os territórios”.

O processo de luta dos territórios frente aos grandes projetos parece ser uma jornada longa e incessante, visto que, atualmente as empresas já instaladas na região buscam um processo de expansão de seus locais de trabalho, e mais uma vez chegarão em comunidades prometendo “progresso”. A reflexão que devemos fazer sobre o progresso no cenário atual, é que após mais de 20 anos de territórios destruídos pela mineração, é se ele vale a pena, tendo em vista, que o dinheiro que é prometido circula nas mãos daqueles que já detém o poder, e não há qualquer que seja a comprovação da efetivação de políticas públicas para aqueles comunitários impactados pelo empreendimento. Afinal, existem centenas de órfãos de terras pelos impactos causados pela mineração

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