Sexta, 19 de Julho de 2024
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Desafios e perspectivas: município de Santarém, no oeste do Pará, realiza II Seminário sobre Mudanças Climáticas

O seminário teve 5 palestrantes e, a partir dos debates, será construída uma carta de intenções que aponte os problemas climáticos e possíveis soluções para o município de Santarém.

20/06/2024 às 23h04
Por: João Serra Fonte: Tapajós de Fato
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Foto: Junior Albuquerqe
Foto: Junior Albuquerqe

Na manhã do dia 20 de junho, no Centro Municipal de Informação e Educação Ambiental (CIAM), foi realizado o II Seminário Municipal sobre Mudanças Climáticas do município de Santarém. A programação faz parte das comemorações do aniversário de 363 anos da cidade de Santarém. O evento é uma realização da Prefeitura de Santarém e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). O tema da edição foi “Santarém, em clima de soluções: desafios e perspectivas para um futuro resiliente”.

Além da programação de aniversário, Santarém está realizando atividades em alusão ao Junho Verde. O seminário é mais uma forma de chamar a atenção para os problemas climáticos que afetam todo o planeta. O secretário de Meio Ambiente de Santarém, João Paiva, falou que todos “têm de fazer o dever de casa”.

Aproveitando a programação, a SEMMA realizou o lançamento de um guia simplificado, em formato de cartilha, sobre como trabalhar a arborização urbana.

O material foi construído a partir da Lei de Arborização do município, que estabelece direcionadores para ampliar e melhorar os espaços verdes no município. “Nós estamos com o projeto das vias verdes, mas queremos levar esse guia para a população. O que eu posso plantar, como eu devo plantar em determinado espaço que tenho no meu quintal ou na minha rua”. Segundo o secretário, o guia ajuda as pessoas a plantarem árvores de forma segura para que não gere transtornos no futuro.

O material pode ser acessado no site da Prefeitura de Santarém. A versão física do informativo está disponível no CIAM e na SEMMA.

Um dos palestrantes do evento foi João Paulo de Côrtes, geógrafo, mestre e doutor em Geociências e Meio Ambiente, professor adjunto no Instituto de Ciência e Tecnologia das Águas (ICTA) da UFOPA. De acordo com o professor, um dos fatores mais importantes, quando se pensa na questão climática na Amazônia, é a água, que possui “um tratamento totalmente deficitário”. João Paulo afirma que, “quando se fala em mudanças climáticas, com ocorrência mais intensa e mais frequente de eventos extremos, é a relação muito íntima construída pela sociedade dentro da Amazônia. A seca dos rios está diretamente atrelada a problemas de locomoção, saúde, educação e econômicos”. O professor reforça que, na Amazônia, a água é um fator estruturante.

Além de ser um fator estruturante, a água tem o poder de transformar a sociedade. Daí surge a necessidade de respeitar e preservar as águas e entender seu papel diante do cenário de emergência climática. “Modificar nossa relação com a água é modificar a nossa relação conosco mesmos”.

Outra convidada do seminário foi a deputada estadual e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Pará, Maria do Carmo (PT). A Comissão de Meio Ambiente é uma forma de a ALEPA ter um lugar de fala dentro da organização da COP30 (Conferência das Partes pelo Clima), o maior evento da Organização das Nações Unidas sobre clima, que, em 2025, será em Belém, PA. A deputada é a responsável por levar para a discussão na ALEPA “[...] tudo que está sendo debatido para a proteção do meio ambiente. Pela defesa intransigente de que o princípio do desenvolvimento, para ser da melhor forma possível, precisa ser um modelo que respeita questões ambientais”, afirma a parlamentar.

O seminário, para a deputada Maria do Carmo, é motivo de felicidade. Ela afirma que é um momento para a sociedade “ver o que legalmente está sendo feito, no sentido de todas as providências que precisam ser tomadas aqui no município de Santarém”.

Santarém é a terceira maior cidade do estado do Pará, possui povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e muitas áreas de periferia. A deputada reforça que são essas pessoas as mais atingidas pelos danos das mudanças climáticas e, por isso, a necessidade de criar políticas públicas que solucionem problemas localmente. “Nos grandes impactos, quem mais sofre são aqueles que estão dentro desse desenho territorial”.

O governo federal, órgãos ambientais, pesquisadores de instituições públicas e privadas e a sociedade civil também estiveram presentes no evento.

O seminário teve cinco palestrantes e, a partir dos debates, será construída uma carta de intenções que aponte os problemas climáticos e possíveis soluções para o município de Santarém.

A carta deve ser entregue ao legislativo e ao executivo municipal (prefeito e vereadores), e também ao governador do estado e aos deputados estaduais, “para que possamos apresentar e ter algumas atividades que possam mitigar os problemas que já vivenciamos aqui”, disse o secretário.

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