O curta-metragem “Eu sou Jussara” é uma produção audiovisual de 20 minutos, que retrata a realidade de pessoas em situação de rua. A ficção foi gravada em Santarém, e proposta pela atriz e protagonista do curta, Odete Costa.
A partir de uma observação e inquietação da própria atriz, Odete Costa, o curta se aprofunda na série de experiências que configuram a vida nas ruas, desde o êxodo rural, a busca por melhores oportunidades na cidade até a desesperança perpetuada pelo vínculo e o abandono social.
Jussara, uma mulher negra, em situação de rua, vive diversas violências a que são submetidas pessoas em situação de rua, principalmente “Jussara” que representa a vulnerabilidade que sofre uma mulher negra no ambiente hostil das ruas.
O elenco é composto por pessoas que atuam no cenário artístico cultural na cidade, especialmente, teatro.
O cenário das ruas que se observa hoje não existia na década de 90. O que trouxe inspiração para a construção do filme foi a observação e sensibilidade de Odete Costa, ao perceber um homem na rua que falava sozinho, isso a tocou e instigou a compor a história que conta o filme, somado à percepção de identificar que o cenário das ruas, hoje, é ocupado pelo aumento do número de mulheres.
O lançamento
O trabalho audiovisual foi possível a partir da contemplação do projeto por meio da Lei Paulo Gustavo, na categoria curta- metragem de ficção.
A escolha de lançamento no fim do ano se deu com o objetivo de reavivar o espírito empático do público, instigando reflexões sobre políticas públicas e a responsabilidade coletiva, pois muito se discute as desigualdades sociais, porém, pouco são mitigadas.
Odete Costa compartilhou conosco sobre a temática abordada no filme.
“Acho importante falar um pouco das pessoas em situação de rua e contar uma história, né? E principalmente nesse momento onde várias mulheres já estão em situação de rua, né? Então coisa que no na década de noventa antes dos anos noventa não se via…então a gente escreveu esse projeto e o que a gente pode estar fazendo, qual a empatia que o outro público, as pessoas que passam fazem com essas pessoas. Então a gente trata um pouco disso, com relação a violência e principalmente uma violência da mulher, porque ela é negra, então, é uma série de coisas que a gente aborda e que é importante essa reflexão pra tentar criar empatia com a sociedade, pra que a sociedade olhe pra essas pessoas com outro olhar. Além disso, também a questão do poder público, como é que a gente vai tá trabalhando isso pra ajudar cada vez mais a tirar essas pessoas dessa situação”.
O lançamento do curta- metragem “Eu sou Jussara” aconteceu na segunda dia (09) de dezembro, na EETEPA, para alunos e público no geral.