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Prova fúnebre: o ENEM mais desigual da história

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21/01/2021 10h44
Por: Johnson Portela
Prova fúnebre: o ENEM mais desigual da história

O Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM é a porta de entrada para o ensino superior, seja diretamente nas universidades públicas federais e estaduais ou pelos programas como o PROUNI, FIES e SISU, mas como executar a prova com segurança, visto a pandemia? Uma missão impossível? Sem dúvida que sim, porém, tão quão pior o cenário é o Ministério da Educação.

Com aulas paradas pela pandemia, como estudantes de escola pública podem concorrer a seu direito de fato em ser aluno em uma universidade pública de forma igual? Assim, legítima tantos pedidos para o cancelamento da prova, todavia, o governo "pensou" num plano para aplicação da prova da "melhor forma e segurança" para todos. Uma bela tentativa de negar o cenário de saúde pública, como no Amazonas, impondo a realização do exame no meio do caos de saúde.

No "plano estratégico" por parte do INEP era reduzir o número de pessoas na sala, uso de máscaras, álcool em gel, distanciamento social entre outros. Contudo, o que se viu foi a maior patifaria com os candidatos, aplicadores e organizadores locais. Vi de perto o desarranjo de um processo só não tão pior que toda a gestão do presidente da República porque a cada dia sua incapacidade atinge níveis ainda maiores do absurdo.

Como aplicador vi com espanto e raiva, quando recebi minha lista de presença numa sala pequena o quantitativo de 42 e duas pessoas, sai quase imediatamente em cada sala perguntando o quantitativo, 90% era de 42 pessoas, outro absurdo ainda foi saber que o mini auditório fechado a quantia de participantes eram de 74 participantes, indo totalmente de confronto a qualquer medida de segurança, até mesmo no que continha nas aulas de treinamento online e no próprio manual do aplicador do ENEM.

No meio tempo fui com a coordenação procurar saídas, mas todos foram pegos de surpresa. Era o que o MEC queria! Um plano traiçoeiro é cruel, um jogo com vidas! Pensei em desistir no meio de tanta indignação, mas resolvi ver o quantitativo, com sala cheia, não crendo ainda no que vai na lista das salas próximas a minha, então prontamente, abri todas as janelas e a porta, desliguei o ar condicionado, deixei o álcool bem a mostra e afastei as cadeiras e foram chegando os primeiros candidatos.

Na chegada silenciosa dos candidatos pairava no ar, nas trocas de olhares, nas movimentações, no uso de mascaras no cuidado com a distância, que tudo estava errado, o que em plena pandemia que já matou mais de 200 mil pessoas, quase 500 delas em Santarém, qual o sentido de um exame desse? Ou melhor a quem servia o ENEM? 

Era 12h30 e tinha na sala apenas 17 pessoas, ás 12h45, 15 minutos para fechar o portão, tinham 23 pessoas, num quantitativo “planejado” para 42, ou seja, houveram 19 faltas, na lista os que mais faltaram foram pessoas acima dos 25 anos, na sala a maioria tinha entre 17 a 19 anos. Nas outras salas o mesmo ocorreu, muita ausência, chegando a mais de 50% do quantitativo. Notado assim, a desprezível exclusão ao direto constitucional a educação de centenas de milhares de pessoas, que deixaram de ir por x motivos pessoais, porém, sem dúvida o maior deles foi sua segurança.

A mensagem final é dedicada aos que não compareceram a prova, por favor, não desistam da educação, ela é o maior instrumento para a mudança pessoal e social!!

 

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