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Antropólogo utiliza de veículo de comunicação para propagar racismo indígena

Esta não é a primeira vez que o antropólogo se posiciona de forma racista contra os povos indígenas do baixo tapajós.

28/01/2021 16h39 Atualizada há 5 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Antropólogo utiliza de veículo de comunicação para propagar racismo indígena

Em meio ao caos da pandemia, o início da vacinação chegou como um raio de esperança para todos que anseiam pela volta de suas “vidas normais”, e como todos querem ser vacinados, o governo de cada estado brasileiro organizou uma lista de prioridades entre suas populações.

Todos os estados exceto o Ceará, colocaram a população indígena em suas listas de prioridade a vacinação, e o motivo dessa decisão quase que unânime é uma dívida histórica que o Brasil tem com todos os indígenas por séculos de danos causados a esse povo, a sua terra e a sua cultura. Essa tentativa de reparação histórica é muito importante para a valorização desse povo que ainda é muito discriminado pela sociedade de hoje.

Na aldeia Alter do Chão, município de Santarém, oeste do Pará, a campanha de vacinação começou com muita comemoração, porém a equipe Tapajós de Fato foi procurada por lideranças indígenas que denunciaram um caso de racismo propagado pelo antropólogo Edward Luz, que utilizou um portal de notícias e de suas redes sociais para propagar o racismo contra a aldeia indígena de alter do chão. 

Em seu artigo com o título “Dizendo-se indígenas da “aldeia” Alter do Chão, movimento frauda a Campanha Nacional de Vacinação”, Edward escreveu muitas calúnias contra os moradores da aldeia utilizando uma base histórica deturpada que agradece “todo louvável empenho colonial e desenvolvimentista ali desenvolvido por gerações.e esquece de todo racismo implantado, todo roubo territorial feito por pessoas de fora da região.

Em conversa com o Tapajós de Fato, Jecilane Borari, uma das representantes de uma das associações indígenas da aldeia Alter do Chão, falou um pouco sobre como o seu povo se sentiu desrespeitado e desvalorizado com a artigo escrito pelo antropólogo.

Acrescentou não ter sido a primeira vez que sofreu ataques do mesmo “Na verdade, já tem um bom tempo que esse homem ataca os povos indígenas da região do baixo Tapajós e nós do povo Borari. E nós temos uma história, história do povo e dos nossos antepassados que já estavam aqui antes da chegada dos portugueses, e antes da criação da vila, Alter do Chão foi uma aldeia e hoje todos nós somos descendentes do povo borari.”

E acrescentou dizendo que além de toda história contada de descendência a descendência e que vivem até hoje, há um laudo antropológico de 2008 dizendo que alter do chão é território indígena Borari, então não é algo que eles defendam simplesmente por conveniência ou algo que inventaram para serem privilegiados, mas houve um estudo confirmando sua ancestralidade.

Além dessa tentativa de deslegitimação, o povo de Alter do Chão sofre com a especulação imobiliária e com a chegada de grandes empresários que querem transformar a aldeia em uma mina de ganhar dinheiro com o preço de expulsar seus moradores do lugar que lhes é de direito.  

Em conversa com o Tapajós de Fato, o advogado popular Ciro Brito contou sobre as atitudes a serem tomadas nesse caso de racismo indígena “a autodeclaração de raça é suficiente, então se eles se declaram indígena não há quem possa contestar essa identificação. Por isso eles podem entrar com um processo contra quem proferiu essa fala racista e que os acusa de fraudar a lei e enganar a população a fim de conseguir privilégios através de uma falsa identidade”.

É por declarações como a deste senhor que é necessário com máxima urgência o debate da demarcação das terras indígenas no brasil.

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