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No dia da visibilidade trans, compreenda a importância da data para o movimento

Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, e essa realidade precisa mudar.

29/01/2021 17h36 Atualizada há 5 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
No dia da visibilidade trans, compreenda a importância da data para o movimento

No dia 29 de janeiro é comemorado o dia da visibilidade trans, é uma data marcada por um ato em 2004 regido por mulheres trans, travestis e homens trans no Congresso em Brasília que exigia simplesmente o respeito, não só das pessoas nas ruas, mas também das autoridades desse país, pois todas e todos que moram no Brasil têm direito a uma vida digna, a segurança nas ruas, a serviços de saúde acessíveis e a empregos que não discriminem uma pessoa pelo seu gênero ou por sua orientação sexual.

Em conversa com o Tapajós de Fato, Lucas William, um dos representantes da coletiva trans de Santarém, falou sobre a importância do dia e da importância de ter uma coletiva na cidade “a importância desse dia é lembrar que nós somos seres humanos, somos pessoas e somos dignos de respeito” e acrescentou “nós costumamos dizer que não somos apenas uma coletiva de pessoas trans, somos uma família, e muitas vezes nós não encontramos abrigo na casa dos nossos pais ou dos nossos parentes, mas encontramos abrigos em pessoas semelhantes que são como eu e me entendem e que nos abriga quando precisamos. Então nós estamos aqui pra lutar pelos nossos direitos, mas também para dar apoio a cada uma e cada um de nós.”

Há 13 anos consecutivos o Brasil vem sendo o país que mais mata pessoas transexuais no mundo, e essa triste marca está presente todos os dias na vida dessas pessoas que precisam enfrentar a intolerância e a violência para que possam viver em um país onde ter o mínimo já é difícil.

Lucas falou também sobre casos de transfobia em Santarém e comentou que em 2018 houve um caso de agressão a uma mulher trans logo após ao resultado das eleições, ela estava caminhando a noite em frente ao shopping quando um homem desceu do carro e deu uma “coronhada” na cabeça dela e gritou as palavras “agora é Bolsonaro” enquanto a agredia. Esse caso mostra que essas pessoas que propagam o preconceito e o desrespeito são incentivadas pelas lideranças maiores do país, e isso faz com que o Brasil, o contrário de evoluir, vai se tornando um lugar mais perigoso a cada dia que passa.

Para mudar essa situação, cada vez mais coletivas são criadas com o objetivo de preencher espaços políticos para garantir direitos a essa população tão esquecida pelo poder público.

Daniel Gustavo, homem trans que reside em Santarém, também conversou com o Tapajós de Fato e falou um pouco sobre a dificuldade que sofre em viver em uma cidade que não dá suporte em questão de políticas públicas “é muito difícil, porque a maioria de nós não recebe apoio dos pais ou da família, e em Santarém nós não temos um ambulatório, e os custos da transição hormonal não são nada baratos, então sem ajuda e sem apoio fica muito difícil fazer essa transição”

A política de geração de emprego para pessoas trans, a educação sexual e o incentivo de conversas com crianças desde cedo são de suma importância para que em vez de aumentar, os casos no Brasil de transfobia passem a diminuir, e todas essas pessoas que são exclusas da sociedade comecem a ter de fato seu espaço reconhecido e respeitado.

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