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Comunidade Jauari, no município de Juruti, continua sofrendo impactos da mineração sem entrar em acordo com a ALCOA

Mineradora continua explorando bauxita na área, de forma ilegal.

02/02/2021 13h20 Atualizada há 3 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Comunidade Jauari, no município de Juruti, continua sofrendo impactos da mineração sem entrar em acordo com a ALCOA

No final do ano de 2020, na comunidade de Jauari, região de Juruti Velho, um Igarapé foi assoreado e teve suas nascentes destruídas (clique aqui e confira a reportagem para saber como ocorreu o crime ambiental). No dia 30 de dezembro ocorreu uma reunião em que estava presente moradores da comunidade, representantes da ACORJUVE e representantes da Alcoa, nesta reunião foi dito por meio desses representantes da mineradora que eles levariam o pedido de indenização para uma reunião interna e que em 15 dias, responderiam sobre, mas foi decidido por todas e todos que estavam, presentes que enquanto a as negociações estiverem em andamento, a mina ficaria parada e os trabalhadores estariam proibidos de trabalhar.

Durante a reunião, foi decidido ainda, pela mineradora, que a mesma fizesse doações de cestas básicas e galões de água mineral para os moradores da área, já que a fonte de água da comunidade havia sido contaminada, fazendo assim com que os peixes possivelmente estivessem também contaminados, e impróprios para consumo.  

Durante esses dias de espera, a equipe do Tapajós de Fato foi até a comunidade junto com representantes do MAM e do MTV e acompanhou o dia a dia dos moradores em meio a destruição de seu igarapé. Além da tristeza, o que foi visto nos olhos de cada morador foi um desejo de lutar por seus direitos e pela garantia de seu território. Vários relatos foram ouvidos de que a Alcoa não os teria tratado com dignidade, uma comunidade que antes dependia apenas da natureza, hoje depende de cestas doadas em que dentro vem o mínimo para sobreviver, além de alimentos em conserva que fazem mal para o organismo das pessoas que sempre estiveram acostumados a comer o melhor dado pela sua terra.

Em muitas crianças e idosos foram identificados sintomas de vomito e diarreia após o contato com a água dada pela mineradora que dizem ser mineral, mas que a origem não pode ser identificada.

Ao conversar com a equipe do Tapajós de Fato, dona Catarina falou sobre sua situação “eles fizeram uma doação aqui pra gente de umas conservas, já são quase 17h aqui e eu não almocei até agora, porque eu prefiro passar ficar com fome do que comer essas comidas que fazem mal pra gente” e completou “a gente aqui que tá acostumado a comer peixe de um igarapé limpo, caça que aparecia quase sempre, agora tá difícil, porque peixe não tem mais e quando tem a gente não sabe se presta, e a caça desapareceu porque não tem mais mata pra eles ficarem, nem fruta pra eles sobreviverem, aí eles fogem pra outros lugares e a gente acaba sendo obrigado a passar necessidade e comer essas comidas que fazem mal”.

Muitos relatos como o da dona Catarina foram ouvidos, e todos esperavam a resposta prometida pela mineradora. Mas no dia da reunião, foi enviada uma mensagem para a comunidade dizendo que não iria nenhum representante e que a resposta seria dada em forma de carta. No dia seguinte, foi feita uma reunião em Jauari para a leitura da carta, a fim de todas e todos saberem qual a resposta da empresa quanto a indenização.

A comunidade não recebeu nenhuma resposta concreta para a comunidade, e em uma ida da comitiva até a mina foi flagrada a operação de máquinas e de poucas pessoas trabalhando na extração de bauxita na área quando o acordo era de que todas as atividades fossem paralisadas. Se aproveitando que a guarda dos moradores estava baixa, a mineradora começou a trabalhar com uma quantidade reduzida de funcionários para que suas ações não fossem vistas, porém durante a noite ainda é ouvida da comunidade o barulho de máquinas trabalhando e visto o clarão das luzes da mina.

Tentando se aproveitar da falta de estudo de muitos dali uma carta cheia de termos técnicos e expressões de difícil entendimento para leigos foi enviada, mas que foi lida e interpretada com a ajuda do Professor Portela, que estava na comunidade vendo a devastação da área, e que está do lado dos comunitários na luta por seu território. Nenhuma resposta concreta foi dada na resposta da Alcoa, apenas que a quantidade pedida de indenização pelos moradores não era condizente com os danos causados por eles. Porém, nenhum dinheiro no mundo poderá trazer de volta a vida boa que tinham os moradores daquela região.

Sobre a última reportagem abordando o caso no Portal, a Alcoa lançou a seguinte Nota, clique aqui para ler.

Uma ação do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração e Coletivo Tapajós de Fato em parceria com o Movimento Tapajós Vivo com apoio da Acorjuve

 

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