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Saúde SAÚDE

PANDEMIA, TECNOLOGIAS: DÉFICIT SOCIAL INFANTO-JUVENIL

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08/02/2021 18h58 Atualizada há 4 meses
Por: Johnson Portela
PANDEMIA, TECNOLOGIAS: DÉFICIT SOCIAL INFANTO-JUVENIL

Atualmente, na mídia se notícia inúmeros casos de suicídios e automutilação praticados por adolescentes e jovens, independente do sexo e orientação, uma das causas desse comportamento pode ser o atual contexto de insegurança de saúde pública, que está relacionado também a crise econômica e política, numa realidade que crianças precisam ser privadas do brincar em ambiente externo, assim como adolescentes que reduzem sua interação, visto distanciamento social para segurança pessoal e de sua família. Porém, é visto um uso maior nas plataformas de streaming, que possibilita transmitir e acessar conteúdos pela internet como imagens, áudios, vídeos, livros, filmes e séries. Quais os impactos dessas novas relações no desenvolvimento social e psicológico?

Bem, antes de tudo é importante contextualizar nossa sociedade hoje, pensando nisso, lembro-me de uma música de Gilberto Gil chamada “Parabolicamará”, que diz: “Antes mundo era pequeno porque terra era grande, hoje mundo é muito grande porque terra é pequena”, esse trecho pode nos dar o conceito geral que vivemos hoje, de um mundo sem barreiras e que todos estão “conectados”, não havendo distância das pessoas, por mais longe que ela esteja, você pode chama-la no bate papo a qualquer momento. Vendo de um ponto de vista superficial, realmente hoje vivemos a era do “Online”, porém, conectados à internet, não as pessoas de fato, estamos perdendo a comunicação real e entrando num estágio de vida genérica, o que não é novidade, mas você já parou para pensar como funciona a mente de uma criança pequena de um ano que nasceu e se desenvolveu tendo muitas das vezes no alcance de suas mãos um celular? Onde ela teve o estimulo de associar que pegar o telefone da mãe ou pai, é a melhor forma de chamar à atenção deles.

 Os adolescentes e jovens estão tendo as consequências de uma péssima construção social dentro da realidade de relacionamentos familiares com poucos estímulos, na pandemia sem dúvida que esta relação ficou ainda mais em precária. A mente de um adolescente é o de se auto afirmar na sociedade, de tentar fazer parte de círculos que saiam de sua base (família), é a fase de sua expansão social, de conhecer pessoas com ideias que discordam ou concordem com a dele, que ele se sinta incluído dentro desse novo círculo de relacionamento.

Entretanto, houve uma transformação, pois hoje está sendo substituído pela afirmação dentro de redes sociais, gerando uma carência ou frustração psicológica e social por contatos frágeis, em realidades fictícias, se um adolescente teve problemas ao se sentir incluído na sociedade, se verá “desconjuntado com o mundo”, propício sim, ao suicídio, pois, a realidade digital é liquida. Essa relação entre a ausência de relação já foi analisada por um grande sociológico chamado Emile Durkheim que após suas pesquisas sobre o capitalismo e a perda dos sentimentos de coletividade, conceituou de “suicídio social” ou “suicídio capital”, de uma sociedade que se individualizou, mecanizando os sentimentos e as relações.

Analisar o problema sem mostrar possíveis soluções é mesmo que nada, nesse sentido, é necessário um esforço da família que crie um ritmo, uma reeducação sobre o online e no uso de tecnologias, percebendo o quanto que as crianças, adolescentes e jovens passam na internet, é algo fácil de perceber pelo silencio na casa, converse com seus filhos, crie laços afetivos concretos, através de brincadeiras, conte histórias, por hipótese alguma substitua sua ausência materna ou paterna por um celular de última geração. O mesmo é valido para os bloqueios de conversar sobre os tabus, como a morte (suicídio), ou mesmo sexo, um adolescente já tem x e y interações sobre a vida como um todo, pois ele tem toda informação na palma da sua mão, quebre tabus. São dicas básicas e já lidas tantas vezes, que mesmo assim, não é internalizada. Uma criança ou adolescente quer se compreender e ser compreendido, precisa de esteios para uma reconexão com o real.

 

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