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Saúde COVID-19

Ineficácia da Ivermectina é ignorada, e o medicamento continua sendo distribuída, no tratamento contra Covid-19, em Santarém

Em comunicado oficial, a farmacêutica Merck declarou que o remédio não possui eficácia contra a doença.

22/02/2021 15h55 Atualizada há 4 meses
Por: Tapajós de Fato
Ineficácia da Ivermectina é ignorada, e o medicamento continua sendo distribuída, no tratamento contra Covid-19, em Santarém

O Tapajós de Fato recebeu a informação de que a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém segue distribuindo Ivermectina no tratamento da Covid-19, mesmo após a fabricante do medicamento lançar nota sobre estudo que indica sua ineficácia contra o coronavírus.

Segundo o seguidor relatou: “Estão todos na casa dos meus pais em Santarém com suspeita de covid. No entanto não foram testados e ainda receberam ivermectina como parte do tratamento", imagens da receita médica e do medicamento distribuído compõem a denúncia.

A farmacêutica Merck, responsável pelo desenvolvimento do medicamento ivermectina, informou em comunicado nesta, que não há dados que sustentem o uso do remédio contra a covid-19. A indicação da Ivermectina é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, que declarou:"temos agora um novo remédio que parece ser melhor ainda do que a cloroquina: a ivermectina". A substância é recomendada também em um aplicativo desenvolvido pelo Ministério da Saúde com orientações de tratamento contra o novo coronavírus.

Além de a própria fabricante, a Merck, que no Brasil opera com o nome MSD e é responsável pelo desenvolvimento deste remédio, afirmar que ele tem "nenhuma evidência" de eficácia contra a doença, o antiparasitário pode ser um dos responsáveis por episódios de hepatite medicamentosa entre pacientes com covid-19 percebidos entre médicos.

Hepatite medicamentosa é uma inflamação no fígado causada por alguma medicação ou droga. Pode ocorrer tanto como uma reação imprevisível de um tratamento realizado corretamente quanto como o resultado do uso abusivo ou do uso concomitante de várias medicações.

"Não acreditamos que os dados disponíveis sustentem a segurança e a eficácia da ivermectina além das doses e dos grupos indicados nas informações de prescrição aprovadas por agências regulatórias", declarou a Merck, que destacou que seus cientistas continuam a examinar cuidadosamente os achados de todos os estudos disponíveis.

 

Cuidado com a medicação precoce, e sem recomendação médica.

 

Em dezembro de 2020, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) atualizou as recomendações sobre a covid-19 e ressaltou na nota que "não recomenda tratamento farmacológico precoce para COVID-19 com qualquer medicamento, porque os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e, além disso, alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais.

Ou seja, não existe comprovação científica de que esses medicamentos sejam eficazes contra a COVD-19. Essa orientação da SBI está alinhada com as recomendações das seguintes sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como: Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e da Europa (ESCMID), Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA)."

Conforme a SBI, na fase inicial, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, como paracetamol ou dipirona, podem ser usados para pacientes que apresentam dor ou febre.

Um balanço da plataforma Consulta Remédios apontou que o medicamento mais buscado em 2020 no Brasil foi a ivermectina, com 9,2 milhões de buscas. Um aumento de 1.201,49% em relação a 2019.

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