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Apresentador de programa de TV calunia Agentes Comunitários de Saúde ao vivo

Indignados, os agentes de saúde exigem retratação pública do apresentador.

06/03/2021 13h17 Atualizada há 4 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Imagem dos Agentes Comunitários de Saúde indo entregar a nota a emissora RBA
Imagem dos Agentes Comunitários de Saúde indo entregar a nota a emissora RBA

Em 28 de fevereiro de 2020, o Promotoria de Justiça de Santarém encaminhou uma Ação Civil Pública contra o município, para garantir atendimento integral e prioridade máxima no processo de vacinação contra a Covi-19 aos idosos de até 60 anos de idade.

De acordo com o site do Ministério público do Pará (MPPA), o plano de vacinação estadual previa a vacinação na segunda fase para os demais profissionais de saúde que não trabalhavam na linha de frente contra o coronavírus, ou seja, todos que não trabalham em hospitais de campanha ou em hospitais que estejam recebendo pacientes com o vírus, e garantiu prioridade para a vacinação dos profissionais da segurança pública em detrimento das pessoas idosas e demais grupos prioritários, sem apresentar justificativa.

Porém, esse plano vai contra o plano nacional de vacinação, que ordena grupos prioritários de acordo com a disponibilização das vacinas. E os grupos de prioridade máxima são os idosos a partir de 60 anos e todos os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente no combate a Covid-19.

Por esta razão a ação pública foi encaminhada, e no dia 2 de março a Promotoria de Justiça de Santarém obteve liminar em Ação Civil Pública contra o município, para que o processo de vacinação contra a covid-19 garanta atendimento integral e prioridade das pessoas idosas, antes dos servidores da segurança pública e de profissionais de saúde que não estão na linha de frente da pandemia.

Partindo deste ponto, cada pessoa tem direito a sua liberdade de se expressar, porém alguns indivíduos têm espaços de visibilidade na sociedade, e esses espaços são meios de comunicação que afetam diretamente e indiretamente a todos que tem acesso. Portanto devem se policiar na hora de informar ou de expressar suas opiniões, uma vez que a população vê nessas pessoas uma fonte confiável de informação e opinião.

Visto que a informação pode muitas vezes ser um instrumento de poder na sociedade, palavras com teor ofensivo, acabam causando uma influência negativa na vida de quem as ouve.

Dito isto, no dia 3 de março, enquanto apresentava o programa “O Patrulhão da cidade”, Ivan Brito da Rede Bandeirantes, informava sobre a decisão do MPPA de suspender a prioridade a vacina dos servidores de segurança pública e de profissionais de saúde que não estão na linha de frente da pandemia, e começou a dar sua opinião sobre a decisão tomada.

O apresentador se declarou contra a decisão de não priorizar os servidores da segurança, porém de mostrou a favor da decisão de não priorizar os profissionais de saúde que não estão na linha de frente da pandemia, porém, para justificar sua opinião, Ivan brito proclamou palavras de calúnia, injúria e difamação contra os agentes comunitários de saúde (ACS).

O comunicador usou de seu espaço para diminuir toda classe trabalhadora, generalizando os profissionais que se arriscam diariamente para fazer visita de casa em casa para cuidar da população que está em isolamento, e que tanto se arrisca que a primeira pessoa a morrer em Santarém de Covid-19 foi uma Agente Comunitária de Saúde, que foi contaminada devida a uma dessas visitas feitas. O trabalho de um ACS é árduo e pouco valorizado, eles sofrem com a temperatura elevada a que são submetidos quando estão fazendo as visitas e essa exposição ao sol traz muitos riscos a sua saúde, porém, serviço prestado a população por esses profissionais é crucial e necessário, principalmente neste tempo de pandemia.

Porém, segundo as palavras do apresentador “um ACS é aquele profissional que visita as casas “uma vez na vida outra na morte” somente pedindo pelas assinaturas dos moradores e que finge trabalhar”. E ainda questionou o motivo desses profissionais visto que em sua percepção eles não estão na linha de frente.

Essa visão de alguém que não valoriza os profissionais de saúde que arrisca sua vida por outros, não foi aprovada pela classe que formou dois grupos que tomaram uma atitude em reprovação ao que foi assistido.

Um dos grupos formou uma comissão encaminhou um documento a RBA, e o outro procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde), que encaminhou uma notificação extrajudicial contra a emissora e o apresentador pedindo que eles tirem do facebook o programa do dia 03/03, que é a data em que o programa foi ao ar, e se retratem com suas palavras, se arrependendo e pedindo desculpas pelo comentário feito por Ivan Brito

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O apresentador tem até a próxima semana para tirar o programa das redes e se retratar em seu programa por sua fala contra os agentes de saúde.

O Agente de Saúde Paulo Afonso da Comunidade Inanu região de rios o qual trabalha há 30 anos como ACS e associado ao Sindsaúde, afirma que o apresentador Ivan Brito vive uma realidade diferente da dele, se ele não conhece a realidade do Agente Comunitário de Saúde precisa se informar sobre suas atribuições perante a sociedade que nesse momento estão desenvolvendo um trabalho indispensável para a saúde pública.

Os Agentes Comunitários de Saúde estão à espera de que o programa seja tirado das redes e que o apresentador Ivan Brito se retrate publicamente e forma sincera com os ACS’s e com a população.

 

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