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Reportagem Especial Cinema

A rivalidades dos cinema em Santarém no início do século XX

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08/03/2021 12h20 Atualizada há 3 meses
Por: Esaú Brilhante do Nascimento
A rivalidades dos cinema em Santarém no início do século XX

Entre os anos de 1927 e 1930, na cidade de Santarém, existiu uma situação que é digna da lembrança mesmo quase 100 anos depois. Dois cinema rivalizavam no cotidianos dos santarenos, e em muitos âmbitos representam a cultura cinematográfica que tomou conta do século XX.

O primeiro era o cine Guanabara (que depois virou Olympia), ficava ao lado da igreja matriz, sua programação vinha de uma distribuidora em Recife(PE). Tinha um catálogo majoritário de filmes americanos vindo dos grandes estúdios (MGM, Warner, Paramount e Fox). Tinha uma lotação de 600 pessoas.

O segundo era o cine Vitória, localizado onde hoje ainda é o teatro Vitória. Sua programação vinha de uma distribuidora em Belém, e era formado majoritariamente de filmes alemãs, advindos da UFA (estatal alemã de filmes que rivaliza com Hollywood até a segunda guerra mundial). Tinha uma lotação de 500 pessoas.

A rivalidade começa em 1927 quando o Cinema Vitória estava em reformas e os idealizadores de um cinema anterior que não se firmou (o cine ideal) lançam o Cine Guanabara. É importante lembrar que filmes americanos e alemães eram os títulos mais laçados no Brasil no período, até mesmo que os nacionais, pois possuíam redes de distribuições bem mais poderosas. E esses filmes tinham suas estreias com poucos dias de diferença com a de seus países de origem.

O mais interessante é que a rivalidade chegou a tanta que, os frequentadores de um não assistiam filme no outro, criando os nichos “vitorianos” e “guanabarianos”. Como se não bastasse, a torcida pela falência do rival era constante, em clima de clássico de futebol mesmo. Chegando a ser insulto oferecer um ingresso do cinema rival.

O final da rivalidade é tão trágica quanto cômica. Em um dia onde o Vitória se encontrava lotado, até as janelas, para exibição do filme “Cadeira elétrica”, o Guanabara não havia vendido um ingresso para sua sessão, e por isso teve que fechar. No intervalo para a segunda parte do filme, ao ficarem sabendo do ocorrido os frequentadores do Vitória iniciaram gritos de euforia, como na conquista do almejado título.

A questão aqui é menos a quantidade, ter dois cinemas na cidade, mas a importância da diversidade dos conteúdos. Filmes de diferentes países, produtores e diretores, em décadas da fartura da sétima arte, gerando debate e engajamento. No presente, onde a monopolização das salas de cinema pelos mesmos estúdios e produtoras parece tornar a experiência do cinema cada vez mais banal, talvez seja preciso lembrar das possibilidades que temos através das que já tivemos.

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