Segunda, 21 de Junho de 2021 04:40
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Reportagem Especial Luta

21 de março: ONU pede eliminação da discriminação racial

Diante do cenário da Pandemia de coronavírus, o tema relacionado à Luta contra o racismo e a saúde da população negra tem ganhado força e sido debatida.

21/03/2021 12h13 Atualizada há 3 meses
Por: Tapajós de Fato
21 de março: ONU pede eliminação da discriminação racial

O dia 21 de março marca uma importante data para o movimento de negros e negras em todo o mundo, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, e faz memória do Massacre de Shaperville, em Johanesburgo, África do Sul, em 1960, quando 69 pessoas foram mortas pelo exército e outras 186 ficaram feridas, no ano 1960.

Na ocasião, 20 mil negros(as) protestavam pacificamente contra a Lei do Passe, uma norma que os(as) obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde poderiam transitar na cidade. Durante o protesto, as tropas do exército abriram fogo contra a multidão.

Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial – Artigo I  diz o seguinte: “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública”.

Organizações e instituições contra o preconceito racial, realizam debates e outras atividades que auxiliem na tentativa de conscientizar a população a acabar com qualquer referência ao racismo e discriminação racial.

Infelizmente, o preconceito e discriminação racial é latente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Diante do cenário da Pandemia de coronavírus, o tema relacionado à Luta contra o racismo e a saúde da população negra tem ganhado força e sido debatida.

Segundo estudo divulgado pelo Istituto Polis, pretos e pardos, têm mais chance de serem infectados e correm maior risco de hospitalização.

Homens negros são os que mais morrem pela covid-19 no país: são 250 óbitos pela doença a cada 100 mil habitantes. Entre os brancos, são 157 mortes a cada 100 mil.

Entre as mulheres, as que têm a pele preta também morreram mais: foram a 140 mortes por 100 mil habitantes, contra 85 por 100 mil entre as brancas. Outro levantamento, desta vez pelo IBGE, mostrou que mulheres, negros e pobres são os mais afetados pela doença. A cada dez pessoas que relatam mais de um sintoma da covid-19, sete são pretas ou pardas. Esse padrão se explica por desigualdades sociais e pelo preconceito.

Em entrevista para o portal A Cidade On, a médica Fátima Marinho, pesquisadora sênior da Vital Strategies, afirmou que:

“Com a pandemia, a perda de saúde dos negros foi somada à dificuldade de se fazer isolamento social.”

As grandes diferenças estão nos extremos etários, nos jovens e nos idosos. "Um porque sai de casa para trabalhar, pega transporte público lotado, e outro porque não consegue ter distanciamento dentro de casa, das comunidades, e porque já perdeu muita saúde", diz a médica.

Uma reflexão necessária é como a população pode ser tornar aliada nessa luta contra a discriminação racial. Abaixo, um trecho do artigo de Denise Carreira publicado na  Revista Conectas, edição 28, publicada em novembro de 2018:

“Por fim, vale dizer que a transformação almejada exige, sobretudo, uma disposição para que as pessoas brancas se coloquem ativamente como aprendizes nessa reconstrução das relações raciais, enfrentando o desconforto, o medo, o desconhecimento; reeducando olhares e escutas; refletindo e avaliando suas ações em diálogo com pessoas negras e indígenas; desconstruindo a produção de privilégios, das discriminações e das violências no cotidiano e nas instituições e se abrindo para descobrir tudo aquilo que perdemos aos longo de séculos e atualmente – como seres humanos – ao negar o reconhecimento da dignidade, dos conhecimentos, da história, das culturas e dos valores civilizatórios dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas”.

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