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Educação Desigualdade

A romantização e a precariedade ao acesso remoto da educação na Amazônia

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22/03/2021 18h45 Atualizada há 3 meses
Por: Erick Marques
A romantização e a precariedade ao acesso remoto da educação na Amazônia

 

 

Bonita a reportagem do Fantástico sobre o menino de Alenquer, né?!

Na edição deste domingo, 21/03, o programa do domingo da Rede Globo, fantástico, apresentou uma reportagem sobre um adolescente, do interior do Oeste do Pará, que descobriu um ponto onde o sinal de internet é um pouco melhor, e esse ponto é no alto de uma mangueira. O menino sobe naquela árvore, todos os dias, pra conseguir assistir aula. A reportagem, com certeza, deixou muita gente emocionada e a ponto de bater palma pra iniciativa do garoto.

Mas essa reportagem não era pra deixar a gente feliz, ou fazer a gente chorar, era pra deixar a gente revoltado, sim, revoltado. Por que essa é uma situação grave. O EAD na Amazônia é muito difícil, o menino da reportagem teve sorte em encontrar um ponto onde pega sinal, graças a Deus e ao esforço dos pais dele, ele tem como colocar crédito pra ter acesso à internet. Mas muitos alunos em todo o Brasil, principalmente no interior da Amazônia, não têm essa sorte. Como vai ficar a educação dessas crianças, adolescentes, e até estudantes universitários, que não possuem aparelho celular ou computador, não possuem acesso à internet na região onde moram? Os professores vão repor aula pra essas pessoas? E os professores? Será se todos eles estão preparados pra se adequar ao ensino à distância? Será se o governo disponibiliza subsídio pra que eles deem aula, ou eles ainda vão ter que tirar do bolso pra pagar pacote de internet?

Como ficam os indígenas, ribeirinhos e quilombolas das regiões mais afastadas?

São tantas questões, é tanta precariedade!

E o pior... na sexta-feira (19/03), o presidente da República VETOU INTEGRALMENTE um projeto de lei que permitia o governo federal de disponibilizar recursos pra compra de chips de internet para alunos e professores da educação básica neste período de pandemia. Ele prefere estar se preocupando com quem chama ele de GENOCIDA. As prioridades do (des) governo são outras, e a população está fora delas, principalmente a mais pobre.

Valorizem os profissionais da educação que fazem de tudo pra que a educação do teu filho, da tua filha não pare, mesmo precisando fazer uma coisa que eles não estão preparados pra fazer e ainda tirando dinheiro do bolso pra isso. Alunos que têm recursos pra assistir aula online, valorizem essa oportunidade, muitos queriam ter a mesma oportunidade, mas o abismo social não deixa, e ainda existe vários que, como o Arthur, se arriscam de n formas para driblar seus ‘perrengues’ diários.

A reportagem foi muito boa, um trabalho muito profissional do Sistema Tapajós de Comunicação, mas o único problema nesta reportagem é a romantização da precariedade. Está marcado na história deste país tornarmos bonitos aos olhos os desafios que a população mais pobre. A escravidão foi romantizada na literatura, nossa miscigenação é diariamente romantizada e esconde o estupro das mulheres indígenas e pretas pelo colonizador. As nossas mazelas não podem ser escondidas, elas devem ser escancaradas, e assim a população tem que se agente de mudança para um país mais igual.

Parabéns ao menino da reportagem que, mesmo com uma dificuldade tremenda, consegue se dedicar aos estudos.

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