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Amazônia Vida

O rio Tapajós pode ser diretamente afetado pelas mudanças climáticas, e por grandes projetos

No dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água com o objetivo de celebrar esse recurso essencial para a sobrevivência na Terra.

22/03/2021 21h43 Atualizada há 3 meses
Por: Tapajós de Fato
O rio Tapajós pode ser diretamente afetado pelas mudanças climáticas, e por grandes projetos

No dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água com o objetivo de celebrar esse recurso essencial para a sobrevivência na Terra e, também, conscientizar a todos o quão importante é sua preservação.

A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da resolução 47/193 de 21 de fevereiro de 1993, com o propósito de combater a crise mundial da água e contribuir com o item 6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que destaca a disponibilização de  água potável e saneamento básico para todos até 2030.

A ONU define a cada ano um tema específico para destacar e dessa vez o foco está na relação entre a água e as mudanças climáticas.

Água e mudanças climáticas estão relacionadas. É necessário discutir como será o gerenciamento dos recursos hídricos diante das mudanças climáticas. Além de como alocar a água entre usos concorrentes, é necessário planejar como serão as ações de diminuição e adaptação às mudanças climáticas.

Essas mudanças fazem com que o ciclo da água sofra um aumento na variabilidade, o que provoca eventos hidrológicos extremos, ameaçando futuramente a disponibilidade de recursos hídricos, o desenvolvimento sustentável e a biodiversidade do planeta. A manipulação adequada da água contribui no combate a esses fenômenos, reduzindo as inundações, as secas, a escassez, a poluição e os gases de efeito estufa.

 

As águas do Rio Tapajós

 

O rio Tapajós é formado pela confluência do rio Teles Pires com o rio Juruena, em Barra de São Manuel na fronteira entre Pará e Mato Grosso, e percorre uma extensão de aproximadamente 800 km até desaguar no Amazonas. A sua bacia está distribuída pelos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas, ocupando uma área total de 492.263 km2.

Após a Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o próximo megaprojeto de engenharia do Governo Federal na Amazônia é o Complexo Tapajós, um conjunto de cinco usinas hidrelétricas que, se concretizado, deve alterar completamente a bacia do Rio Tapajós, afetando pelo menos 1.979 quilômetros quadrados (197.200 hectares), uma área maior do que a da cidade de São Paulo. Alguns dos trechos que devem ser alagados não só concentram populações ribeirinhas e indígenas como também são ricos em biodiversidade e belezas naturais.

A usina de São Luiz do Tapajós, que teria potência inferior apenas a Itaipu, Belo Monte e Tucuruí, produziria 6.133 megawatts (MW) de energia a partir da construção de uma muralha de 3.483 metros de comprimento atravessada no coração da Amazônia.

Essa barragem, que teria 39 metros de altura, o equivalente a um prédio de 13 andares, seria erguida em uma das áreas mais protegidas da região: o Parque Nacional da Amazônia, a primeira unidade de conservação demarcada na chamada Amazônia Legal. Com outras 11 unidades, essa área forma o imenso complexo da bacia do Tapajós.

Isabel Cristina, militante do Movimento Tapajós Vivo (MTV), e do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), destaca:

“Hoje o rio Tapajós vive grandes ameaças, em relação a sua sobrevivência. São várias hidrelétricas sendo projetadas para o curso do rio e da bacia, além dos portos que beneficiam exclusivamente o agronegócio na região.”

O Movimento Tapajós Vivo, é um movimento social socioambientalista que luta pela defesa do Rio Tapajós, de sua natureza, povos e culturas. É contra a todos os projetos que visam destruir o modo de vida e sua biodiversidade na bacia.

A principal pauta do movimento é a luta pela defesa do rio, afinal, é dele que vem a sobrevivência de diversas populações tradicionais que moram ao longo do seu curso.

“A nossa grande preocupação quanto a violação dos direitos do rio como sujeito, é principalmente é implantação das hidrelétricas, sejam as pequenas hidrelétricas, ou as grandes que estão sendo projetadas” destaca a militante do MTV.

O que comemorar no dia da água? 

A data, para os que moram neste território, precisa mais que nunca ser um momento de reflexão sobre a grandiosidade deste solo sagrado, banhado pelas águas de um gigante, que alimenta, que serve de estrada, e que conecta a todos os povos da Amazônia.

 

 

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