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A miopia da mídia: romantização e anistia

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24/03/2021 19h24 Atualizada há 3 meses
Por: Maraya Machado Fonte: Tapajós de Fato
A miopia da mídia: romantização e anistia

O caso do menino Arthur, exibido no último domingo (21), no Fantástico, é  mais  um capítulo da nossa história pautada em romantizar os problemas e anistiar os verdadeiros culpados. 

Quem acompanhou o programa, teve o privilégio de assistir, em horário nobre, à saga heróica de um jovem, no interior do Pará, que sobe todos os dias uma árvore para obter um melhor sinal de internet, e assim assistir as suas aulas. 

Assim que tive conhecimento do caso, imaginei que a narrativa, tomada pelo dominical, seria uma narrativa pautada na lamentação e na cobrança aos responsáveis pelo descaso com a educação deste país, e não na romantização do problema. Mas, para variar, foi o que vi: uma romantização digna de novela da Globo, igual àquela novela que romantiza a escravidão,  "Sinhá Moça" ou seria "Escrava Isaura"?!

A emissora é apenas um reflexo da nossa sociedade, sobretudo, a brasileira, em que 500 anos de escravidão são descritos por nossos maiores pensadores sempre com uma bela pitada de romanização; que o diga Gilberto Freyre em "Casa Grande & Senzala", sem contar os corpos das pretas e índias desse país, violados em nome da nossa "Democracia  Racial". Mas voltando ao caso Arthur, vocês não acham genuíno o esforço dele para estudar? Eu não. Eu acho revoltante que, no Art. 205 da esplendorosa Constituição de 1988, o qual assegura o direito à educação de qualidade e responsabiliza o Estado pelos meios, tenha falhado. 

Com isso, façamos a  seguinte pergunta, meus nobres leitores: de quem é a culpa? Ah, Maraya, sério mesmo que você quer responsabilizar os culpados? Sério mesmo? No país da Anistia no período da Ditadura, onde milhares de cidadãos brasileiros foram torturados e mortos em nome do Estado e os responsáveis foram simplesmente "anistiados"? 

Sério que você ainda acredita no sistema de justiça brasileiro em pleno 2021? Há sempre esperança. Por fim, não me surpreenderia que nos próximos dias tenhamos mais uma reportagem do menino Arthur. Desta vez, com algum membro de nossa "Elite do Atraso" dando um lindo presente ao nosso bravo estudante, o custeio de seus estudos. O prefeito da cidade de Arthur  ao doar um notebook, já é o primeiro candidato à  novo salvador da pátria. Pergunto ao Prefeito, se não teriam outros alunos em condições parecidas em sua cidade? ou foram as câmeras que o incentivaram?. Aguardemos cenas dos próximos capítulos, mas já adianto à vocês. O romance da superação seguirá vencendo. E os culpados?...anistiados!! Sem novidades por aqui. Lamento dizer, Cazuza, não são todos os que têm o privilégio de sobreviver "sem um arranhão da caridade de quem os detesta".

 

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