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Amazônia Resistência

MULHERES INDÍGENAS DO TAPAJÓS, SEGUEM FIRME NA LUTA!

Nos últimos dias 19 e 20 de março, mulheres indígenas Kumaruara, se encontraram na Aldeia Mapirizinho nas margens do Rio Tapajós

25/03/2021 09h46 Atualizada há 3 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Luana Kumaruara/Hellen Joplin
Foto: Hellen Joplin
Foto: Hellen Joplin

Nos últimos dias 19 e 20 de março, mulheres indígenas Kumaruara, se encontraram na Aldeia Mapirizinho nas margens do Rio Tapajós, para criar seus espaços sagrados de cuidado e proteção dos seus corpos, mentes e espíritos. Além de fortalecer suas lutas, especialmente nesse momento que o Estado se tornou a maior ameaça das populações indígenas e tradicionais.

A mais de um ano, o mundo está lutando para sobreviver ao Covid 19, que já matou quase 300 mil pessoas no Brasil. Estamos vendo dia após dia a pilha de mortos aumentando, e nada de efetivo sendo feito para controlar a pandemia. A vacina, está longe de chegar com a mesma eficiência que o vírus, ainda mais quando isso não se torna prioridade. Só no dia de ontem (23/03) alcançamos o número assustador de 3.158 mortes.

“Em 2020 por conta da pandemia, com receio de nos expor a essa doença, o movimento indígena parou todos os trabalhos de base. Mas aí, sentimos a porrada de todos os lados, tanto por parte do governo, como o avanço dos madeireiros, garimpeiros e sojeiros para dentro de nossos territórios. Ou seja, não podemos parar, pois estão se aproveitando da situação e literalmente, deixando a “boiada passar”. O encontro proporcionou tanto a troca de conhecimento das mulheres curandeiras de si e de todos, como para o fortalecimento do território, falar da continuidade do trabalho de autodemarcação no território Kumaruara.”

Conta Luana Kumaruara, mulher indígena e liderança do território Kumaruara.

Desde 2016 no Baixo Tapajós, as mulheres indígenas vêm fortalecendo suas redes e a organização. Em 2018 foi ativado o Departamento de Mulheres Indígenas do CITA (Conselho Indígenas Tapajós Arapiuns).

O encontro das Mulheres Kumaruara, se deu, acreditando na potência das comunicações e troca de saberes. As curandeiras falaram sobre o conhecimento na medicina natural e como estão lhe dando com a pandemia nas aldeias, uma vez que o sistema de saúde é escasso.

Através de oficinas sobre Saúde da mulher, garrafada na medicina tradicional e xarope para prevenção  à Covid-19, no qual se destaca a semente do cumarú, o leite da sucuba e mel de abelha.

“Não está funcionando nenhum um plano para acompanhar o tratamento à COVID-19 nas aldeias. Não tem UBS (Unidades básicas de saúde), e nem EMSI (Equipe Multiprofissional de Saúde Indígena) fixas, o que existe são equipes remotas, ou seja, se entram em uma área, outra parte fica desassistida. Não tem disponível de modo efetivo ambulancha para remoção do indígena em estado grave, ainda se depende da assistência de socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) que é sobrecarregada de demandas para atender a extensa região de rios do município de Santarém-Pará.” Explica Luana. 

Houveram outros momentos de interação, como confecção de artesanatos em teçumes de palha da Amazônia (paneiro, tipiti, jamanxim, peneira, artes decorativas, dentre outros) e produção de colar, pulseiras e brincos de miçança. Pensando em formas alternativas de fonte de renda para essas mulheres, principalmente nesse momento que as questões econômicas estão absolutamente prejudicadas.

 

 

 

 

 

Foi realizado também um debate sobre atuação das mulheres indígenas nos espaços políticos, além de ter sido abordado temas como violência doméstica, psicológica, os direitos das mulheres, criminalização e perseguição de lideranças indígenas.

Diz Luana Kuamaruara.

Esse encontro foi mais uma etapa do projeto Mãe D’Água, em parceria com a FAOR (Fórum da Amazônia Oriental), e com o apoio do PSA (Projeto Saúde e Alegria), que colaborou com a doação de kits de higiene.

“ A mãe terra alimenta e cura, e muitas pessoas não estão sabendo”

Pajé Enilda Kumaruara.

 

 

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