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O primeiro festival de música popular do Baixo Amazonas

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29/03/2021 10h44
Por: Esaú Brilhante do Nascimento Fonte: Tapajós de Fato
O primeiro festival de música popular do Baixo Amazonas

Podemos apontar os anos 60 como o alvorecer da “música moderna” no Brasil. A consolidação da Bossa nova, o surgimento da MPB, aliando um engajamento político com um vanguardismo musical, tudo isso seguindo um processo de industrialização iniciado nos anos 50 no segundo governo Vargas. A difusão do Rádio, a chegada da TV para as camadas médias da população, cria uma nova forma de unir um ideal popular nacional na forma da cultura fonográfica. É a época dos festivais de música popular, cantores e compositores ávidos por expor sua concepção de país através de suas criações musicais e performances artísticas. Entre 1966 e 68 a TV propagava os festivais de canção, vitrine principal da cena musical em um período onde a indústria de discos ainda dava passos lentos. 

Evidentemente o processo de expansão de meios como a TV no território brasileiro foram heterogêneos e muitas vezes do mais difícil alcance, concentrando seu mais recorrente público nos eixos Rio-São Paulo. Isso não significa que os demais Estado não participaram dessa efervescência cultural, apenas tiveram seus respectivos impactos reduzidos a um raio local. Isso significa também que essas diferentes modalidades e sintonias musicais foram tanto apropriadas quanto resinificadas pelos atores locais.

Em setembro de 1970 foi anunciado oficialmente o Festival de Música Popular do Baixo Amazonas, com uma festa no centro recreativo. Na mesma ocasião foi lançado um folheto, “Santarém Cantando”, com 10 músicas de compositores santarenos, todas interpretadas por cantores da região.

Entre 12 e 19 de Dezembro realizou-se o 1° Festival de Música Popular do Baixo Amazonas. Foram seus idealizadores Edivaldo Campos de Sousa, Vicente José Malheiros da Fonseca, Apolonildo Brito, José Machado, Paulo Rabelo, José Wilson Fonseca e outros. Depois de elaborado o regulamento, ficou decidido que os organizadores do evento não poderiam concorrer ao Festival, afastaram-se Edivaldo Campos de Sousa, Apolonildo Brito e Paulo Rabelo, que desejavam participar como concorrentes. A comissão executiva ficou então com os demais, sob a presidência de Vicente Fonseca. Concorreram ao Festival duzentas e quarenta e cinco composições.

 Foram classificadas as seguintes composições:

Música Jovem:

“Corrina” de Edivaldo Campos de Sousa e Renato Siqueira;

“Louco fui demais” de Marcília Sousa;

“E nunca mais sair do teu caminho” de Fátima Oliveira.

 Música Regional:

“Corrida” de Antônio Waugham;

“Iemanjá” de João Sílvio e Iris Fona;

“Vida de Cabloco” de Maria Alciete Lemos Neves

Música Popular Brasileira:

“... e a vida passa” de Oldemar Alves de Sousa;

“Chico Brasileiro” de Otacílio Amaral Filho;

“Rosa Maria” de Arnoldo Batista Nogueira.

Pela divisão das músicas selecionadas podemos notas como o Festival dialogava com as tendências nacionais e não abria mão de um regionalismo, incorporando e dialogando com esses fenômenos, seja pela influência das rádio ou revistas que aqui chegavam.

Mostrar a força e a autonomia que nossa cena musical sempre teve guarda ecos para a situação presente dela. Com artistas de grande talento e um vontade sempre latente de expor artisticamente sua visão de mundo em nossas terras amazônicas. Que nossa valorização e reconhecimento venha também para esses sujeitos, em um período de desmonte do setor cultural no país, e que a resistência seja em todas as frente. Valorizar a cultura é valorizar o que nos torna humanos.

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