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Cidades DITADURA

O Golpe de 64 e a praça dos três patetas em Santarém

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05/04/2021 14h50 Atualizada há 2 meses
Por: Maraya Machado
O Golpe de 64 e a praça dos três patetas em Santarém

Maraya da Silva Machado

Maurício Vasconcelos Pereira*

31 de março e 01 de Abril, dias que estão marcados na História. Não para serem comemorados, mas para refletir sobre os acontecimentos a partir deles.  Iniciou-se a Ditadura Militar, ou melhor, o Golpe Civil-Militar de 1964, mas por que o termo Civil-Militar? O golpe teve o protagonismo das Forças Armadas, especialmente do Exército Brasileiro, por isso o termo militar, e civil porque teve apoio de parte da população que pode ser aqui exemplificada na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, ocorrida em 13 de março de 1964 contra as políticas de João Goulart, então Presidente da República, e ao bicho papão da Direita burra brasileira, denominado como “perigo comunista”. E, provavelmente, em 2018, essas mesmas pessoas ou seus filhos e netos marcharam em direção às urnas e apertaram o número que não precisamos mencionar aqui, devido à expressa demonstração de carácter delas e ao grande apreço que têm à democracia e aos direitos humanos.

Mas voltemos ao assunto: durante o golpe, de 1964 a 1985, o país esteve sob o controle dos militares, que governaram a partir dos Atos Institucionais, que davam poderes ao presidente de tirar os direitos da sociedade, estabelecidos na Constituição de 1946. Nesse período, houve muita repressão, por parte dos governantes sobre a sociedade, em que qualquer manifestação contrária ao governo resultava em perseguição, tortura e morte.

O período ditador deixou marcas em todo o Brasil, e em Santarém – Pará não foi diferente, podemos destacar algumas marcas desse período, como a Praça 31 de Março, que faz referência à Ditadura Militar. Essa praça também ficou conhecida popularmente por dois nomes: Praça dos Três Poderes, referindo-se aos poderes Aeronáutica, Marinha e Exército e não aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Com o tempo foi batizada pela população santarena como Praça dos Três Patetas, fazendo uma crítica ao período, ou melhor, aos três poderes. Uma das mais belas e criativas críticas aos anos de chumbo, e convenhamos que Moe, Curly e Larry (Os três patetas) são muito mais engraçados e fizeram mais pela comédia, que essas três forças fizeram pela humanidade durante o golpe. Portanto, a comparação entre os três patetas e os três poderes desse período, parece ser bastante  injusta, pois os humoristas não mataram, nem torturaram, muito menos ceifaram a democracia. Hoje a praça recebe o nome de Elias Ribeiro Pinto, que no período da ditadura em Santarém, foi deposto de seu cargo como prefeito e perseguido devido ser contrário às ideias do regime militar.

 Ainda sobre o golpe, há registros e documentos que relatam genocídios de povos indígenas e comprovam a construção de diversas rodovias feitas sob qualquer custo, ou seja, matando todos aqueles que se dispusessem a atrapalhar os planos dos golpistas.

A população santarena demonstrou neste episódio sua reverência e expresso repúdio à ditadura militar. Ficando de aprendizado o que disse Rychewlly: “nunca se acomodar diante dos que se julgam poderosos, muito menos se acovardar aos pés dos ditadores; frustremos toda e qualquer perspectiva de manipulação e alienação por parte do sistema dominante”.

Graduando em Licenciatura em História na Universidade Federal do Oeste do Pará*

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