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Empate Investigação

MPPA instaura procedimento para investigar irregularidades em evento que aconteceu em Alter do Chão

A competição repercutiu nas redes sociais após divulgação de imagens que revelam descumprimento das medidas em combate ao Covid-19.

07/04/2021 16h12 Atualizada há 6 meses
Por: Tapajós de Fato

O último domingo (04), foi marcado pelo total desrespeito aos cumprimentos das medidas necessárias para o combate da Covid-19, em Alter do Chão, localizada em Santarém, no oeste do Pará.

Sem manter qualquer tipo de distanciamento, e ainda sem usar máscaras, atletas e diversos espectadores participaram de um evento competitivo chamado “2º Desafio Zéfiro 70km”.

Imagens do evento causaram indignação na população e houve manifestação inclusive dos empresários do setor de turismo que estão cumprindo todas as recomendações do decreto e têm amargado prejuízos.

Após a repercussão negativa, a Vigilância Sanitária informou que seria instaurado procedimento para apurar as possíveis violações aos protocolos de biossegurança do evento de competição de esporte individual.

A prefeitura de Santarém emitiu uma nota à imprensa alegando que: “…o evento deveria seguir exigências de biossegurança e sanitárias às quais os organizadores se comprometeram a cumprir. Diante dos fatos ocorridos, a Vigilância Sanitária está analisando as imagens de alguns pontos da competição que podem ter ferido o cumprimento dos protocolos. Os organizadores do evento também serão chamados para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido e podem ser penalizados caso tenham descumprido os protocolos de segurança.”

Santarém ultrapassou em março a triste marca das 800 mortes em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a região do Baixo Amazonas, em que está situada o munícipio ainda se encontra com bandeiramento vermelho, em decorrência da grande incidência de casos no território.

Diversas pessoas tem utilizado as redes sociais para manifestar total indignação pela realização do evento, e na tarde desta quarta-feira (07), a Promotoria de Justiça de Santarém, no oeste do Pará instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades no evento.

Inicialmente, o MPPA enviou oficiou à Divisão de Vigilância Sanitária, ao Comitê de Gestão de Crise de Santarém, Secretaria Municipal de Saúde, Prefeito e Procuradoria do Município, solicitando documentos, esclarecimentos e justificativas técnicas sobre a liberação do evento.

O MPPA também quer saber se houve presença da fiscalização sanitária no local, e quais as providências adotadas visando apurar, nas esferas cível, administrativa e criminal, a conduta dos organizadores/participantes, com encaminhamento da documentação que comprove os fatos alegados.

Somente ao fim das apurações será informado sobre os encaminhamentos a serem conduzidos pela promotoria.

 

O Desafio

 

O 2º Desafio Zéfiro, evento esportivo de corrida, ciclismo e natação, ao longo de 70 km, divididos 11 km de corrida, 58 km de bicicleta e 1 km de natação em um percurso entre Santarém e a vila balneária de Alter do Chão, no dia 4 de abril deste ano, foi autorizado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por meio da Vigilância Sanitária, mesmo o município estando com Decreto 712/2021 em vigor que proíbe a realização de eventos esportivos para evitar aglomeração de pessoas devido à pandemia de Covid-19. O decreto também determina a interdição de praias e balneários.

A coordenação justificou que não se tratava de uma competição, tanto que não houve pódio, e que o desafio seria individual. Porém, as imagens compartilhadas em redes sociais mostram pessoas aglomeradas, sem máscara de proteção facial. Dos 100 inscritos para o evento esportivo, apenas 5 não compareceram.

 

O Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Alter do Chão emitiu nota, no dia da realização do evento solicitando esclarecimentos por parte da Prefeitura:

 

O CONSELHODE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DE ALTER DO CHÃO, vem, através deste documento, manifestar sua indignação com a forma pela qual esta comunidade está sendo tratada.

Nossa querida, amada e reconhecida vila, hoje Distrito de Alter do Chão, reconhecida e respeitada mundialmente, infelizmente, dentro da nossa própria casa isso não confirma-se, gostaria de expressar sua tristeza diante de fatos bem atuais, ou por que não dizer, de hoje.

A população desta comunidade não tem nenhuma pretensão de impor absolutamente nada, apenas, como moradores e conhecedores de nossa realidade, queremos ser, ao menos, ouvidos.

Independentemente de sigla partidária sempre, esta comunidade, procurou ficar alheia às disputas políticas. Nosso ideal de lutas é trazer o bem coletivo para que as pessoas que escolheram viver aqui ou os nativos tenham sempre aquilo que, por direito, são seus.

Sempre procuramos resolver as questões, por mais difíceis que sejam, através do diálogo.

No início desta pandemia fomos os primeiros a pedir lockdown, o qual foi elogiado pelo nosso prefeito Sr. Nélio Aguiar, e um tempinho depois pedimos restrições para tentar preservar, não só a vida de nossos residentes, mas também daqueles que nos visitam. Deu certo.

Esse diálogo entre poder público e Conselho Comunitario sempre existiu.

Infelizmente neste final de semana, semana Santa, não sabemos a razão, foi muito diferente.

Foi liberado, tentamos descobrir por quem, mas ninguém dos órgãos públicos a quem contatamos ou não responderam ou disseram que não sabiam de nada, sobre uma imensa aglomeração esportiva aqui na comunidade (maiorias sem mascaras confirmem nas fotos) isso nos deixou, como membros deste conselho muito tristes e, com certeza, tomaremos providencias.

Muitos de nossos nativos e pessoas que aqui vivem e tiram seus sustentos e de suas famílias estão, literalmente, passando fome, as nem por isso os leva a querer tais eventos e aglomerações. Nós, conselho e moradores, queremos uma resposta imediata das autoridades competentes.

Queremos, também dizer-lhes que eventos deste nível em época de pandemia sem um estudo e a conformidade da comunidade não permitiremos acontecer.

Nossa função, como Conselho, é preservar e dar condições de vida aos nossos comunitários. Não somos radicais, apenas defendemos aquilo que é de melhor para nossa gente.

Quanto antes exigimos uma resposta urgente do responsável e órgãos públicos.

 

No Aguardo,

Junior Sousa

Presidente do Conselho Comunitário

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