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Geral Resistência

O que comemorar no “dia do índio”?

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19/04/2021 10h07 Atualizada há 2 meses
Por: Erick Marques
O que comemorar no “dia do índio”?

Alguma vez tu já te perguntou por que o 19 de abril é considerado o dia dos povos indígenas? Bem, pra tu que não sabes, a data surge em 1940 quando aconteceu o 1º Congresso Indigenista Interamericano, no México. Este dia já começa com muita resistência de algumas etnias que boicotaram os primeiros dias do evento por acharem que suas demandas não iam ser atendidas pelos organizadores. Desta assembleia saíram como encaminhamentos a definição do dia 19 de abril como “dia do índio” e também o Conselho Indigenista Interamericano, sediado no México. O Brasil foi um dos últimos países a aderirem a data, o dia do índio só foi adicionado ao calendário em 1943, por meio de decreto do então presidente Getúlio Vargas. Há quem diga que um dos responsáveis por animar Vargas a aderir esta data, foi Marechal Rondon, considerado entusiasta do indigenismo, mas que também flertava com o governo ditatorial da época.

Mas existem mesmo motivos para comemoração neste 19 de abril? Bom, pra começar, devemos nos lembrar de nosso contexto histórico, em que o indígena continua a sofrer com os agouros trazidos pelo invasor. Precisamos entender a “história que a história não conta”, o outro lado de 1500, onde temos mais invasão do que descobrimento. Não podemos esquecer de nossos passados mais recentes, das conquistas que depois sofreram com os desmontes políticos e sociais. O Brasil sempre sofreu nas mãos de seu “pai europeu”, desde o massacre de seus primeiros moradores para satisfazer os cofres imperiais, passando pelas bombas biológicas que mataram mais de 8 mil indígenas com brinquedos e roupas infectadas de varíola que eram jogados por aviões nos anos de chumbo da ditadura militar, tendo ainda vários indígenas mortos para passar a construção de estradas que melhorariam o acesso aos garimpos no governo Sarney, até chegar aqui, com milhares de indígenas, até mesmo de lugares isolados, mortos pela pandemia da COVID-19.

O 19 de abril é mais um dia de luta e resistência pela manutenção dos nossos direitos e pela preservação de um território comum, mas que é herança dos ancestrais. Talvez este dia sirva também pra conscientizar o preto, o branco, que a sabedoria do povo de pele vermelha pode liderar a manutenção da nossa existência. Toda nossa história é marcada com sangue de homens e mulheres indígenas que tombaram lutando por seu espaço, ou apenas sofreram com a crueldade herdada do pai europeu. Mas essas pessoas nos impulsionam a resistir, seus sangues vermelhos como o urucum dão cor e sentido a nossa luta, uma luta que é passada de geração em geração, e que só acabará quando a história fizer sentido, e quando a narrativa do indígena for ouvida e servir de motivação para a preservação de todas as formas de vida.

Apesar toda dor causada ao longo da história, nós podemos, sim, achar motivos para celebrar.  A palavra celebrar vem do latim celebrare que pode significar tornar inesquecível ou honrado. Então neste 19 de abril podemos tornar inesquecíveis as vidas de nossos ancestrais que nos fortalecem e nos guiam em busca de dias melhores, celebrar é honrar a vida de todos os parentes que morreram na defesa de seu chão,  e por fim, podemos tornar inesquecível que, apresar do pai vindo da Europa, a força maternal que protege e afaga o Brasil e seus filhos, é indígena e é essa força que nos dá coragem para nunca desistirmos de contar a história que não está nos livros.

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