Segunda, 21 de Junho de 2021 03:49
093991489267
Cultura

São Jorge e o Sincretismo com o Ogum, o Orixá Guerreiro

Sincretismo significa a mescla entre doutrinas distintas que permanecem com os traços de sua doutrina original. Entenda.

23/04/2021 14h04
Por: Tapajós de Fato
São Jorge e o Sincretismo com o Ogum, o Orixá Guerreiro

Dia 23 de abril é dia de saudar o guerreiro valente, que fortalece os seus devotos e os protege dos inimigos. O sincretismo religioso – mistura de religiões – permite que ele seja celebrado tanto pelo catolicismo quanto pelas religiões de matriz africana, com feijoadas, missas, giras e festas. Ele é São Jorge para os católicos e no Sincretismo Religioso é Ogum para os umbandistas e candomblecistas.

 

O que é sincretismo?

 

Sincretismo significa a mescla entre doutrinas distintas que permanecem com os traços de sua doutrina original. Um grande exemplo de sincretismo é o momento em que os escravos chegaram ao Brasil, pois trouxeram consigo toda a carga cultural da África e as suas religiões, como o candomblé e a umbanda. Mas, as suas crenças foram vetadas e eles foram obrigados a passar por um longo processo de catequização, pois naquela época apenas a religião cristã católica era permitida.

Porém, com muita inteligência, os escravos encontraram meios de manter a fé em seus deuses e começaram a fazer algumas associações: eles invocavam os seus orixás por meio das imagens dos santos católicos: Oxóssi, como São Sebastião, Iansã, na forma de Santa Bárbara, Oxalá, como Jesus Cristo, Ogum, como São Jorge, entre diversas outras associações. A partir dessa ação, cada orixá passou a representar um ou mais santos da Igreja Católica.

 

Sincretismo entre São Jorge e Ogum

 

Associado a batalhas e lutas, Ogum é um orixá sem medo, guerreiro e sempre pronto para qualquer coisa. As suas lendas enfatizam a sua capacidade de superação, de liderança, de vitória. Sendo uma grande inspiração de força para os seus fiéis, Ogum é considerado por muitos como um guerreiro ideal, que sempre está de prontidão para vencer os combates.

O preconceito ainda existe, mas aos poucos vai sendo vencido. “As pessoas nos respeitam mais, como cidadãos. Agora, queremos ser respeitados também como religião. Os artistas, como Clara Nunes, que particularmente se abriu para canais de TV dizendo que era de religião de matriz africana, deram uma sensibilidade maior, para a gente se sentir mais acolhido dentro da sociedade. Quando viemos da África, trouxemos também nossa religião e queremos poder dizer que Xangô é Xangô, Iemanjá é Iemanjá”, comentou o babalorixá Ivo de Xambá.

O sincretismo religioso, então, aparece como uma forma de continuar cultuando as suas divindades. O professor de filosofia Fábio Medeiros falou sobre assunto:

“Nesse sentido, aqui presenciamos a resistência através do sincretismo. Ou seja, os orixás, elementos da natureza, se apresentam em especial por trás dos santos católicos”.

O Brasil é um estado laico, o que significa que os brasileiros podem escolher a religião que pretendem praticar sem retaliações, perseguições ou preconceito. Para que crenças completamente diferentes convivam em um mesmo país, cidade ou bairro em paz, o melhor caminho é o conhecimento. “Como fé é diferente, mas também busca ideias que todo ser humano busca em especial na construção de vida, que é a felicidade, o bem comum”, finalizou o professor.

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: Facebook, Instagram e Twitter.

 

Acesse também ao Podcast Tapajós de Fato.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.