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"Carreata da Resistência": o ato dos professores de Mojuí na defesa de seus direitos

Carreata contou com mais de 50 carros e com apoio de moradores e representantes sindicais protestando contra descaso do prefeito com a classe.

26/04/2021 15h10 Atualizada há 2 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato

Como foi divulgado na última sexta-feira no Tapajós de Fato (você pode reler a matéria clicando aqui), neste domingo, dia 25 de abril, aconteceu no município de Mojuí dos Campos, Oeste do Pará, a “Carreata da Resistência”, que foi um ato democrático de iniciativa do SINTEPP que reuniu professores do município, pais de alunos, profissionais da educação em geral e moradores. Esses cidadãos uniram forças para protestar contra o atual prefeito do munícipio, Marco Antônio Lima (MDB), que não pagou o salário integral dos professores referente ao mês de dezembro de 2020, e reduziu a carga horária dos professores agindo contra a legislação.

A carreata saiu da sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Mojuí (STTR), às 9h, com a presença de mais de 50 carros e um carro som que tocavam gritos de ordem em defesa dos professores. Em cima do carro de som, professores e lideranças do SINTEPP faziam ecoar pelas ruas da cidade palavras de revolta e indignação que revelavam a tristeza que estavam sentindo por serem tratados com indiferença pelo prefeito, que durante as eleições disse tanto que faria pela educação do município.

Enquanto passavam por casas e comércios abertos, o ato recebeu o apoio de boa parte da população, que diziam palavras de incentivo e se mostravam a favor da reivindicação, e além disso externavam suas decepções com o prefeito que eles mesmos elegeram.

A carreata percorreu a cidade passando por vários bairros, inclusive passando em frente à casa do prefeito pedindo para que fossem ouvidos e que, o mesmo, pelo menos os desse atenção. Porém, durante o protesto, a carreata foi parada por um carro da SMT, e dois agentes de trânsito saíram do carro e pediram a carteira de habilitação do motorista do carro som e tiraram fotos do documento sem nenhum motivo, sendo que todos os protocolos estavam sendo respeitados. Todos acharam estranho o acontecido, mas nem esse sucedido diminuiu o ânimo de quem estava em busca dos seus direitos.

Em conversa com o Tapajós de Fato, Maria Alcimar, que é professora e coordenadora geral do SINTEPP de Mojuí dos Campos, relatou um pouco sobre o ato e sobre suas reivindicações.

“Estamos aqui nesta carreata porque acreditamos que sem luta não há conquista, nós estamos neste ato pacífico para mostrar a todos que nós queremos apenas o que foi tirado de nós”, a professora se mostrou indignada com a indiferença do prefeito em relação a eles “nós temos tentado de todas as formas pelo menos conversar com ele e negociar sobre a nossa situação, mas todas as vezes ele bate com a porta na nossa cara, inclusive já no deixou esperando debaixo de sol quente esperando para falar com ele, e depois nos disse que não nos atenderia, e isso é muito revoltante e sem consideração com a nossa classe”.

Há algumas semanas, o prefeito foi à uma emissora de rádio, onde o mesmo invalidou os motivos dos protestos dizendo que eles só estavam querendo receber mais dinheiro para enriquecerem chamando-os de “marajás”, expressão utilizada para quem não trabalha.

Após esse evento, a revolta dos professores aumentou devido ao não reconhecimento de seu trabalho que é tão necessário para a formação da sociedade.

A luta dos professores e professoras continua, mesmo com tantas dificuldades, eles não estão se deixando desanimar e estão mais fortes do que nunca, para que a democracia vença, e não permitam que um governo que deveria ajudá-los, prejudique-os e aos alunos.

 

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