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Cidades Resistência

Em um contraste às belezas naturais e o avanço desenfreado do agronegócio, Belterra completa 87 anos neste 04 de maio

O munícipio tornou-se um dos grandes centros do agronegócio na Região.

04/05/2021 16h15
Por: Tapajós de Fato

 

Belterra é um município do Estado do Pará, pertencente à Mesorregião do Baixo Amazonas. Localiza-se no norte brasileiro, e fica a cerca de 45 km do município de Santarém.

Fundado em 1934 pelo norte-americano Henry Ford, Belterra ainda possuí fortes traços do período do ciclo da borracha. O município é um convite para conhecer uma importante parte da história paraense: o Ciclo da Borracha.

Contudo, logo no começo dos anos 2000 tem início à um novo ciclo, com a chegada da soja à região, mas antes é necessário compreender todo o processo histórico por qual o munícipio tornou-se um dos grandes centros do agronegócio na Região.

Após o fracasso das plantações de seringa em Fordlândia, causada pelo tipo de terreno que não favoreceu o desenvolvimento dos seringais, e também, a infestação por um tipo específico de praga até então desconhecida a produção das plantações foram se acabando. Por isso, Henry Ford teve que buscar terreno plano, com solo rico em minerais e material orgânico para que seu projeto fosse continuado.

A cidade possui cerca de 17 mil habitantes, segundo dados do IBGE, e é conhecida pela história que faz referência ao modelo norte americano. Implementado, pelo empresário Ford que queria ter a própria plantação de seringueiras na Amazônia - espécie de árvore que produz o látex, principal matéria-prima para a fabricação da borracha – por isso ele decidiu investir na região.

Belterra também conta com a Floresta Nacional do Tapajós, que é uma das unidades de conservação da natureza mais prosperas e protegidas da Amazônia, com grande diversidade de atividades. No local, são desenvolvidas atividades de caminhada, banhos no rio e igarapés, visita a projetos comunitários e de pesquisa, passeios de canoa, flutuação e contato com a cultura local.

 

O avanço da Soja, e suas consequências

 

Em entrevista ao Brasil de Fato, o meliponicultor João do Mel, declarou: “Chegou a bomba atômica em Belterra. Acabou com as abelhas. Se acabar as abelhas sem ferrão, acho que o ser humano também está bem próximo a ser extinto de cima da terra, porque, você sabe, quem faz a polinização são as abelhas sem ferrão.”

É necessário ir à fundo para entender a relação direta deste depoimento, com o avanço da soja no município.

Belterra, juntamente com toda a área do município de Mojuí dos Campos e uma parte menor do município de Santarém, estão localizadas no que se convencionou se chamar de Planalto Santareno, cuja altitude média está 150 metros acima da planície amazônica, que circunda toda a região.

E é para este Planalto que os olhos do agronegócio têm se voltado. Basta seguir viagem pela BR 163 no trecho que liga Santarém à Belterra para notar que o avanço da monocultura da Soja, e outros grãos nos dois lados da rodovia.

Quem também tem sofrido com o avanço do agronegócio, em decorrência do impacto ambiental, econômico e social, são os trabalhadores e as trabalhadoras rurais desta região, que acabam enfrentando dificuldade em manter suas produções, e gerar renda a partir delas. Isso porque o agrotóxico usado desequilibra o ecossistema, fazendo prosperar pragas, empobrecendo o solo e anulando a biodiversidade presente em extensas áreas antropizadas para plantio de lavouras.

Em entrevista ao Tapajós de Fato, a agricultora familiar Silvia Maria Ferreira, comenta sobre o avanço do agronegócio, mesmo em tempos de pandemia:

“A gente até se questiona qual das duas pragas mais destrói nossas vidas”. O fato é que a cada dia que passa os moradores e moradoras do Município precisam buscar sempre novas possibilidades para reinventar, em meio ao caos, seus modos de bem viver social.

 

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