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Após uma manhã de conversa, STTR, CITA e duas das cooperativas envolvidas em ato que invadiu a sede do sindicato entraram em acordo

A COOPRUNÃ se opôs ao debate sobre protocolos de consulta na área, e deixou a reunião.

04/05/2021 21h31
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Após uma manhã de conversa, STTR, CITA e duas das cooperativas envolvidas em ato que invadiu a sede do sindicato entraram em acordo

 

STTR de Santarém é invadido por comunitários a favor de planos de manejo madeireiro na Resex Tapajós-Arapiuns

Nesta terça-feira, dia 04 de maio de 2021, aconteceu na sede do Sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras, agricultores e agricultoras rurais de Santarém (STTR), uma reunião do CITA e STTR com 3 cooperativas responsáveis por manejos na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns sobre as questões que levaram os comunitários a invadirem a sede do sindicato na manhã do dia 03 de maio.

 

A reunião contou com a participação de aproximadamente 30 pessoas, entre elas diretores executivos do Sindicato, do CITA e das três cooperativas, e integrantes da imprensa. Todos os presentes estavam de máscara e respeitaram o distanciamento cumprindo com todos os protocolos de segurança contra a Covid-19.

O CITA e o STTR se comprometeram a ouvir todos os cooperados e membros da diretoria das 3 cooperativas que estavam presentes no local a fim de chegarem a um acordo para colocarem um fim ao conflito entre todas as partes. As reivindicações por parte dos comunitários era que as duas organizações retirassem a ação que suspendeu os procedimentos de aprovação dos planos de manejo florestal dentro da Resex Tapajós Arapiuns, até que fosse realizada a consulta prévia, livre e informada das 78 comunidades tradicionais e aldeias que vivem na Reserva.

Todavia, as cooperativas se posicionaram contra a necessidade da realização da consulta prévia, livre e informada dizendo como eles iriam explorar seus próprios territórios, não precisariam consultar os povos indígenas e nem os povos tradicionais. Em resposta, Auricélia Arapiun, membra do CITA, afirmou “a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns pertence a todos os povos que habitam lá, e, portanto, todas as decisões tomadas precisam da consulta desses povos, uma vez que o que acontecer em uma comunidade afetará todas as outras”.

Entretanto, a decisão sobre a ação civil está além de qualquer instância que não seja do Tribunal Federal, e ao saber disso, os representantes da cooperativa Cooprunã se revoltaram e não quiseram mais tentar nenhuma forma de diálogo, abandonando a reunião e ameaçando desmembrar-se da Reserva Extrativista.

Contudo, com as grandes empresas de olho nas riquezas presentes na Resex, as comunidades que estiverem sem a proteção da Reserva virariam alvos desses grandes projetos que querem a todo custo explorar esse território, e por isso se beneficiariam com qualquer conflito entre as comunidades.

Após a saída dos representantes da Cooprunã, os diálogos continuaram entre o CITA e o STTR com as cooperativas Coopermaró e Cooperios, que além de também quererem a retirada da ação movida pelas duas organizações, estavam em busca de procurarem saídas para o empasse.

Com o objetivo de se alinharem com o Sindicato e o Conselho Indígena, as duas cooperativas colocaram em discussão outras atividades extrativistas que seriam opção de trabalho e renda para os moradores de suas comunidades. E colocaram em pauta também a possiblidade do manejo madeireiro obedecendo todas as recomendações dadas pelo STTR e pelo CITA e tomando todos os cuidados para que nenhum suposto dano ao território pudesse ser causado, e no caso de acontecer alguma eventualidade, se propuseram a encerrar as atividades.

Em resposta, os representantes das duas organizações se colocaram a favor e marcaram reuniões institucionais com as cooperativas a fim de, a partir dessas reuniões, começarem a unificar seus discursos. A primeira reunião foi marcada para o dia 10 de maio, para que juntamente do ministério público todas as articulações fossem formalizadas.

Ao final da reunião, Elcivan Sousa, secretário da Coopermaró, relatou sobre os resultados da reunião “a reunião foi boa, não conseguimos chegar no objetivo que a gente queria, mas conseguimos um bom diálogo com o STTR e o CITA, e esperamos que a partir de hoje a gente trabalhe junto, porque é isso que todos os comunitários querem, trabalho”, e reafirmou o pedido que fez ao Sindicato e ao Conselho Indígena de respeitarem qualquer que fosse a vontade do Juiz Federal quanto a ação pública, e que não recorressem mais.

O Tapajós de Fato tem um podcast sobre Protocolos de Consulta. Confira.

Manuel Edivaldo, presidente do STTR de Santarém, também falou sobre os encaminhamentos a partir da reunião “nessa reunião conversamos sobre a possiblidade de trabalhar outras alternativas que inclusive estão dentro do objetivo das duas cooperativas, para trabalhar, produzir e tirar o sustento da família, então assumimos esse compromisso de formar essa parceria e buscar aliados para contribuir nesse processo”.

A cooperativa Cooprunã que deixou a reunião também será convidada para este diálogo juntamente com as outras duas. As conversas entre o STTR e o CITA com as cooperativas continuarão com um tom mais amistoso e de parceria, para que caminhem juntos buscando o melhor para os comunitários.

 

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