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Dia do artista plástico: relembre a história de Apolinário, artista assassinado em Santarém

O acusado de sua morte segue em liberdade e o caso continua em aberto.

08/05/2021 14h59
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Dia do artista plástico: relembre a história de Apolinário, artista assassinado em Santarém

Nesse dia 8 de maio é comemorado o dia do artista plástico, profissional responsável por criar manifestações artísticas, por meio de pinturas, esculturas, arquitetura, do artesanato artístico e das artes gráficas. E é por meio dessas, que o artista transmite tudo sobre o que ele quer expor, suas ideias, críticas, valores, sentimentos, tudo isso visto por de trás de belíssimas peças que encantam a todas e todos.

Por isso, a sensibilidade do artista é essencial para que consiga repassar para a sua arte aquilo o que ele quer que os outros vejam, e através dela, falar tudo o que ele quer que seja entendido sem que qualquer palavra seja dita.

O artista plástico é uma profissional pouco valorizado, apesar de se doar totalmente para a sua arte, muitos sofrem com o preconceito e a discriminação.

Neste dia tão importante, contaremos um pouco sobre a história de Apolinário Oliveira artista plástico de Santarém que foi assassinado em novembro de 2020. Em abril de 2019, Apolinário concedeu entrevista ao Jornal O Impacto, e falou sobre sua trajetória, ele relatou que tudo começou com seu pai, um artista baiano que casou com uma cabocla de Fordlândia. Quando ele se separou e foi embora, sua mãe ficou só com o filho menor. O pai de Apolinário era um artista, pegava um pedaço de madeira e com um canivete fazia artes bonitas. Dos oito filhos, Apolinário era o que mais olhava e contemplava calado, ele achava aquilo tudo muito bonito, seu pai também pintava e quando foi embora deixou os pincéis, deixou tudo.

O artista plástico relatou também “Eu engraxei sapato, vendi jornal, lavei carro, mas, foi por volta dos anos 80, que chegou o mesmo cara que ajudou a fundar o rádio em Santarém, o Frei Juvenal. Eu estava tirando as minhas coisas, quando ele disse: “O que é isso?”. Eu respondi: “Uns desenhos que eu faço”, Ele disse: “Mostre aqui”. Tinha umas seis peças em pedaço de papelão pintado com graxa de sapato, era uma espécie de um surrealismo diferenciado, com os rostos que eu fazia com o sofrimento das pessoas que eu via na rua. Ele olhou assim e disse: “Rapaz, você vai ser bom, se você não parar.””, e essas palavras o inspiraram.

Uma certa vez, ele disse também “Eu fui uma pessoa que teve muitas dificuldades na vida, mas eu tive muitas pessoas boas que me apoiaram. Eu fico feliz porque eu consegui atravessar todos os desertos vivo, sem matar e sem ferir”, e dessa forma que Apolinário foi reconhecido não só pelo grande artista que era, mas também pelo ser humano.

O artista plástico ficou conhecido na região do Baixo Amazonas principalmente pela construção dos letreiros de identificação turística, como o da vila de Alter do Chão e o de Itaituba. Também pintor de telas e escultor, Apolinário expôs seu trabalho em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Argentina e na França. 

Porém, no dia 15 de novembro, dia em que os candidatos a vereadores que conseguiram se eleger foram divulgados, Apolinário estava em uma festa comemorando a eleição de um amigo seu. Ele relatou que muitas pessoas o olhavam de forma estranha, talvez por ser de um partido diferente do partido que as pessoas que estavam na festa eram. Em certo momento do evento, o artista plástico passou por um homem que estava segurando um cachorro e elogiou o animal, porém o homem, que se chama Sandro Corrêa, foi ríspido com Apolinário que achou estranho o acontecido. Momentos depois, quando estava saindo do local da festa, Sandro, que estava portando uma arma de fogo, disparou contra o artista plástico que foi levado ao hospital, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Várias testemunhas viram o que aconteceu e todas falaram que Sandro havia atirado, porém mesmo com tantos relatos, o autor do crime não foi preso, vários advogados de renome foram chamados para defende-lo, e todos o recursos possíveis foram usados, inclusive, uma testemunha usou de sua fala para tentar justificar a ação de Sandro e o colocar como vítima, dizendo que no dia o mesmo teria tomado remédios controlados e depois bebido. Hoje, Sandro está livre e com o paradeiro desconhecido, e a polícia de nada fez para encontra-lo e prendê-lo

Muitas pessoas que gostavam do artista e ficaram indignados com sua morte, se juntaram para pedir justiça pela vida do amigo. Cristina Caetano, artista santarena falou um pouco sobre a perda do amigo e exigiu que a justiça fosse feita, “a gente pode ver que foi feita toda uma movimentação, dinheiro envolvido e muitas pessoas que estão tentando de tudo para que a justiça não seja feita. Eu ainda tenho esperança que o Juiz que acompanha o caso, o Ministério Público, a polícia, que alguém faça alguma coisa para dar ao Apolinário a dignidade que ele merece, e que sua família possa tentar se consolar com a prisão do culpado”.

Apolinário, artista plástico, provedor de sua família, trabalhador honesto e vítima de uma sociedade corrupta, sempre se preocupou em expressar sua arte sem ferir a ninguém, merece que a justiça seja feita e que seu assassino seja preso para que seus amigos, conhecidos e admiradores possam ver suas artes lembrando apenas do magnífico artista que ele foi.

 

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