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Mudanças Climáticas: Enchentes na Amazônia tendem a ser cada vez mais frequentes

Cidades sem estrutura entram em estado de calamidade.

10/05/2021 10h48 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Mudanças Climáticas: Enchentes na Amazônia tendem a ser cada vez mais frequentes

Em 2021 os rios na região amazônica têm atingido altos níveis causando enchentes e inundações em muitos municípios e comunidades. Devido a temporada de chuvas ter iniciado mais cedo, até mesmo cidades como Marabá, Santarém e Manaus, têm sofrido com essas enchentes, que por serem tão fortes, têm deixado muitas casas alagadas, e muitas pessoas sem nada.

Mas por que depois de tanto tempo, o nível do rio vem subindo dessa maneira? O professor da UFOPA, geógrafo e doutor em geociências e meio ambiente João Paulo de Cortes conversou com o Tapajós de Fato sobre o assunto e esclareceu algumas dúvidas “A explicação para essas cheias que têm ocorrido esse ano, o fenômeno climático que tá associado a essas cheias é chamado de “La Niña”. E essas cheias também estão atreladas a quantidade anômala de chuva”.

Esse fenômeno denominado “La Niña”, é uma anomalia que traz um esfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, o que altera o regime climático, especialmente o de formação de nuvens. Esse evento fez com que a partir dos primeiros meses desse ano houvesse uma grande concentração de chuva nas cabeceiras ocidentais onde estão os andes, assim como no tapajós e também na área central do cerrado, nessas áreas houve uma quantidade anômala de chuvas. Pois, no Brasil, o La Niña provoca os efeitos de intensificação das chuvas na Amazônia, no Nordeste e em partes do Sudeste.

Ao ser perguntado se essas enchentes podem ser chamadas de normais, João Paulo respondeu que quando se fala de normalidade acerca de dados climáticos e hidrológicos, primeiro é importante se entender que os extremos também fazem parte do padrão de normalidade, então, espera-se que após grandes intervalos de recorrência, nós teremos grandes eventos de cheia como por exemplo dessas alagações que estão ocorrendo com mais frequência, e isso está dentro do que é considerado normal.

O que tem acontecido nos últimos anos, o que tem se observado é que esses eventos extremos que dentro do registro histórico aconteciam a cada 50 ou 100 anos, agora estão acontecendo em um período de tempo muito menor. Então, as grandes cheias, por exemplo, as duas maiores cheias registradas aqui na bacia amazônica são dos anos de 2009 e 2012, se for feita a comparação, a cheia prevista para acontecer esse ano tem o potencial de se igualar a essas duas cheias que já foram registradas anteriormente.

E esse será o novo “normal”, portanto, as cidades que foram construídas às margens de rios, e que foram preparadas para um certo nível de água, irão sofrer muito mais, pois com o tempo, é provável que as estruturas dessas cidades não aguentem os danos sofridos, caso o poder público não se preocupe em realmente criar possibilidades para que durante a época de cheia as pessoas não sejam tão afetadas quanto são atualmente.

Enquanto isso, cidades vão continuar entrando em estado de calamidade, casas serão perdidas e vidas serão tiradas, pois a força da natureza continuará agindo de forma imparável até que o poder público faça algo sobre isso.

 

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