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Arco Norte: um projeto de destruição para a Amazônia

Com a tentativa de melhorar escoamento de grãos, projetos são feitos sem a consulta prévia, livre e informada de moradores dos territórios que serão afetados.

25/05/2021 18h45 Atualizada há 4 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Arco Norte: um projeto de destruição para a Amazônia

O Tapajós de Fato inicia hoje uma série de reportagens sobre o Arco Norte, o que é e os impactos causados.

O Brasil, desde o começo de sua história é um grande exportador de produtos primários, mais precisamente de grãos. Pensando nisso, uma linha imaginária chamada de “paralelo 16º S”, foi criada para dividir o Brasil em 2 partes, Norte e Sul, essa linha divisória atravessa o país horizontalmente na direção do Distrito Federal.

Para o agronegócio esta linha diz a preferência de escoamento da safra de grãos. A produção abaixo desta linha, tendo a linha do Equador como referência, deve ser escoada pelos portos do sudeste e sul, e a produção acima dela deve ser escoada pelos portos do Norte. 

Os portos que estão localizados acima do paralelo 16, consistem no que é chamado de Arco Norte, que engloba os terminais das regiões Norte e Nordeste. Os portos do Arco Norte são localizados nos municípios de Porto Velho (RO), Miritituba (PA), Santarém (PA), Barbacena (PA), Itacoatiara (AM), Manaus (AM) e Itaqui (MA), que representam o segundo maior local de saída de grãos de soja e milho exportados do Brasil para o exterior.

Com os Portos da região sul e sudeste sobrecarregados de demandas, mais do que nunca os portos do Arco Norte viraram uma ótima opção para esse escoamento de grãos. O posicionamento estratégico desses portos, os colocam perto dos produtores diminuindo o tempo de exportação, tornando-os uma opção bem atraente se comparado aos portos da região abaixo do paralelo 16.

Porém, com as péssima condições das estradas na região norte, o transporte desses grãos continua lento, e problemático, dependendo muito mais do transporte de grãos feita por navios.

E com o objetivo de melhorar esse transporte de grãos para os portos do Arco Norte, grandes projetos foram criados na intenção de auxiliar neste processo de desenvolvimento. Entre esses grande projetos, estão a Ferrogrão, o Corredor Hidroviário, a construção de hidrelétricas e a duplicação da BR 163.

Porém, todo este processo em busca do desenvolvimento traz custos, e não apenas financeiros. Para que a construção de todos esses projetos aconteça, é indispensável a alteração da paisagem de todo o território envolvido devido aos portos do Arco Norte estarem em territórios pertencentes a centenas de comunidades, sendo elas indígenas ou de populações tradicionais.

E essa alteração pode causar grandes prejuízos, não só a essas populações, mas a todo o meio ambiente, milhares de hectares de mata serão desmatados para abrir caminho para esses grandes projetos, e com a floresta afetada, os animais que moram nela também serão, assim como todos que vivem da caça e da pesca. E como um efeito dominó, todo um ecossistema será afetado, trazendo consequências para o clima não só da região, mas também de todo o Brasil.

E atualmente, existem também muitas cidades e comunidades da região norte que vêm sofrendo com a chuva, muitos municípios têm entrado em estado de emergência, e com construções de projetos como o corredor hidroviário e de hidrelétricas, a tendência é que as inundações atinjam cada vez mais pessoas. E a preocupação do governo é tão nula, ao ponto de não ter sido feita nenhuma consulta prévia, livre e informada em nenhum território que será afetado por esses crimes ambientais decorrentes desses grandes projetos.

Segundo o economista de renome, Claudio Frischtak o país está na antevéspera de insistir no erro com a ferrogrão, um dos projetos do arco norte que consiste em uma ferrovia de 976 km de extensão, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), com prazo de concessão de 69 anos. Segundo ele há dois problemas inescapáveis com a ferrogrão: os números submetidos ao TCU não devem se verificar; e o projeto tem um impacto muito adverso no âmbito socioambiental, particularmente em termos de potencial de desmatamento.

Claudio Frischtak diz ainda que “o Brasil precisa avaliar com critério quais as melhores alternativas de investimento em infraestrutura, quais os melhores projetos do ponto de vista econômico e que, ao mesmo tempo, reduzam os riscos sociais e ambientais na Amazônia. Afinal, são investimentos muito altos e a floresta tem muito mais valor, em pé.”

 

Os processos logísticos para a construção desses projetos já estão prontos, independente da opinião popular, e isso é um desrespeito com todas as pessoas que habitam ali, ou que tiram seu sustento desse território. Para ir de contra a essas construções, movimentos sociais, conselhos indígenas, sindicatos e outras entidades estão se articulando para que o projeto seja estagnado. Pensando em todas essas populações, a intenção é fazer com que esses planejamentos sejam de conhecimento geral da população brasileira a fim de expor impactos negativos desses projetos e tentar de alguma forma ver meios alternativos para esse escoamento de grãos.

 

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