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Amazônia Crime

Garimpeiros ateiam fogo em residência de liderança indígena, no Pará

Crime aconteceu mesmo com proteção de agentes da força nacional e PF.

26/05/2021 21h16 Atualizada há 4 semanas
Por: Tapajós de Fato
Garimpeiros ateiam fogo em residência de liderança indígena, no Pará

Há anos, a Terra Indígena Munduruku vem sendo constantemente invadida por garimpeiros e por um pequeno grupo de indígenas que se associaram de maneira criminosa a fim de explorar ilegalmente o ouro ao longo deste território. De 2008 à 2020 foram destruídos cerca de 61 km² de rios, sendo que 63% desse total ocorreu entre 2019 e 2020, incentivados pelas promessas do governo Bolsonaro de abrir as terras indígenas à mineração e ao garimpo.

Em resposta às ações do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e à omissão da Funai sobre as propostas de abertura das Terra Indígenas (TI’s) à mineração, ao agronegócio e ao garimpo, a Polícia Federal (PF) voltou à Terra Indígena Munduruku, dando sequência a uma investigação de uma organização criminosa que trabalha na extração de ouro.

Essa ação foi uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou ao Governo Federal a adoção imediata de todas as medidas necessárias de proteção a vida, a saúde e a segurança do povo Munduruku.

Porém, foi descoberto que um documento do Serviço de Repressão a Crimes contra Comunidades Indígenas da Polícia Federal (PF) foi vazado para grileiros que atuam em sete florestas nacionais e territórios indígenas no Sudoeste do Pará. Além da corporação, a operação também reunia agentes da Força Nacional e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).

Em informações obtidas pelo GLOBO, a PF afirmou que "não confirma o conteúdo do documento citado", mas que "há sim uma ação na região que será divulgada oficialmente em nossa página de notícias, no momento oportuno".
Sobre essas informações vazados, foram trocados áudios e mensagens de grileiros e garimpeiros via WahtsApp sobre a operação desde o fim de semana.

Em um deles, uma mulher diz: "Gente, se cuida que vai ter uma operação muito grande em Novo Progresso (PA) sobre garimpo, né? E vocês já viram o que aconteceu em Jacaeranga (PA), Itaituba (PA), então estou avisando que 50 caminhonetes chegaram (sic) agora há pouco com a Força Nacional, Ibama e tudo. E dez helicópteros deles. Gente, por favor avisem quem puder avisar (...) Nós somos garimpeiros e nós temos que cuidar dos nossos equipamentos".

A PF menciona, ainda nesse documento, que cumprirá uma decisão judicial tomada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso sobre a intensificação da proteção a terras indígenas contra a Covid-19. No documento, a PF afirma que a Força Nacional de Segurança permanecerá por 90 dias na região da Terra Indígena Munduruku, que tem registrado diversas invasões por grileiros. Uma "intervenção no interior" do território já teria data definida.

Munidos de tantas informações, esse grupo de garimpeiros iniciou uma série de ataques contingente da força nacional e polícia federal na tentativa de queimar os equipamentos e foram respondidos com bombas de gás, não conseguindo atingir os policiais, partiram para atacar as casas das lideranças indígenas.

Segundo o site do Movimento Munduruku Ipereg Ayu em um comunicado emergencial das organizações de resistência do Povo Munduruku os ataques as residências, iniciou nesta tarde, do dia 26 de maio, por volta de 12:30h, na aldeia Fazenda Tapajós, onde mora a coordenadora da associação Wakoborun, Maria Leusa Kaba, o local foi invadido por garimpeiros armados, que atiraram contra casas e pessoas. Duas casas foram incendiadas, incluindo a casa da própria coordenadora e de sua mãe, cacica da aldeia. A informação obtida é que ninguém foi ferido, mas todos estão em estado de choque. Ainda no site do Movimento Munduruku, a informação é que o próximo passo dos garimpeiros é seguir para aldeia de Ademir Kaba e Ana Poxo, lideranças do povo e fazer o mesmo.

É incabível, que informações tão importantes sejam facilmente vazadas colocando em risco a vida de tantas pessoas, e que mesmo diante da presença de agentes da força nacional, da polícia federal e do Ibama, esse grupo criminoso tenha conseguido ameaçar de forma tão perigosa tantas lideranças indígenas que deveriam estar sob a proteção desses órgãos.

 

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