Segunda, 21 de Junho de 2021 04:07
093991489267
Amazônia Amazônia

Justiça determina volta das Forças Federais para Jacareacanga

Decisão judicial assinada no dia 29, aponta que a retiradas das Forças de segurança “se revelou como uma atitude prematura”.

01/06/2021 10h47 Atualizada há 3 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Imagem da Internet
Imagem da Internet

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), Justiça Federal determina prazo de 24h para as Forças Federais voltarem para território indígena do povo Munduruku em Jacareacanga (PA).

 

No dia 26 de maio o Tapajó de Fato noticiou o ataque de garimpeiros a aldeia Fazenda Tapajós, no município de Jacareacanga, sudoeste do Pará. Os invasores incendiaram casas e atiraram na direção dos indígenas, não houve relatos de feridos. É nesta aldeia que mora a coordenadora da associação Wakoborun, Maria Leusa Kaba, que é contra a atividades de garimpo dentro das áreas indígenas teve a casa onde morava junto com a mãe, que é cacica da aldeia, incendiada.

 

Os ataques foram motivados após o vazamento de um documento do Serviço de Repressão a Crimes contra Comunidades Indígenas da Polícia Federal (PF) com informações sobre operações que seriam realizadas na região.  A informação chegou até os garimpeiros por meio de  grileiros que atuam em diversa áreas do país.

No entanto, antes de atacarem a aldeia Fazenda Tapajós os garimpeiros tentaram atacar as Forças Armadas e a Polícia Federal, que já estavam na região, os invasores tinham como objetivo incendiar os equipamentos dos policiais, mas os ataques foram revidados com bombas de gás, e, então, seguiram rumo a aldeia.

 

Por conta dos ataques ocorridos e pela ameaça de novos ataques virem a ocorrer em outras aldeias, o MPF entrou com pedido na Justiça para que as Forças Federais   retornassem à região, a fim de garantir a segurança dos indígenas Munduruku, bem como dos demais habitantes da região de Jacareacanga.

 

A decisão judicial assinada no dia 29, aponta que a retiradas das Forças de segurança logo após os ataques sofridos pelas lideranças indígenas, bem como a tentativa de destruição do patrimônio público, “se revelou como uma atitude prematura”.

 

A liminar também apontou que, além do território Munduruku, fosse reforçada a segurança na área urbana de Jacareacanga e no território Sai Cinza. “Com foco especial nas seguintes localidades: Aldeia Pombal, Aldeia Santa Cruz, Aldeia Katõ, Aldeia Missão Cururu e Aldeia Poxorebem, identificadas, no momento como focos de maior tensão” um prazo de 24h foi dado para o cumprimento da liminar.

 

Desde de 2008 o garimpo ilegal tem avançado na região de Jacareacanga causando enormes prejuízos ambientais não só na área degradada, pois, a lama das áreas garimpadas, e junto delas o mercúrio, contaminam as águas e os peixes dos rios da região, consequentemente, isso compromete diretamente a saúde dos povos indígenas, bem como de todas comunidades tradicionais que dependem dos rios para sobrevivência.

 

A Funai, órgão responsável por proteger e promover os direitos indígenas, ultimamente, não vem atuando com a devida responsabilidade, pois se mantém omissa sobre as propostas de abertura de Terras Indígenas (TI’s) para atividades garimpeiras, bem como a expansão do agronegócio e a mineração. Essas situações colocam em risco a vidas dos povos indígenas devido a forma extremamente violenta como os invasores agem contra os donos da terra.

 

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: FacebookInstagram e Twitter.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.