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Dia da Imprensa: a importância da democratização da mídia

O #29M escancarou a falta de compromisso com o público por parte dos veículos de comunicação tradicional.

01/06/2021 22h13 Atualizada há 3 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Dia da Imprensa: a importância da democratização da mídia

Intitulada de 4° poder por muitos, a imprensa exerce um papel fundamental na sociedade, pois além de informar a população, ela tem um grande potencial em influenciar pessoas em diversos momentos. Não é por acaso que nas ditaduras, uma das primeiras medidas do governo é censurar as mídias e até mesmo atacar veículos de comunicação.

No Brasil o “dia da imprensa” se comemora na data de hoje, 1 de junho, que faz referência a data em que começou a circular o jornal Correio Braziliense, fundado por Hipólito José da Costa.

A atuação da imprensa se fortifica no combate às desigualdades sociais, denunciando crimes, sejam políticos, ambientais, criminais, e etc. Mostrar os bastidores das diversas situações é fundamental para manter a população informada, mas é necessário o comprometimento com a veracidade dos fatos e também a garantia da liberdade de expressão.

Por conta dessa proximidade dos bastidores e capacidade de investigação dos jornalistas, a profissão é considerada uma das mais perigosas do mundo, pois é necessário muitas vezes correr riscos para denunciar crimes e injustiças que estão sendo cometidas, que ferem a população, determinado grupo ou pessoas.

O comprometimento com a verdade é uma premissa fundamental na atuação da imprensa, não deve haver espaços para mentiras, omissões ou distorções. A data de hoje serve para além de se comemorar a atuação de jornalistas e veículos comprometidos com a veracidade dos fatos, também é uma oportunidade para se debater o cenário atual da imprensa no país.

Trazendo como exemplo o #29M, que foi um dia histórico para o país, onde o povo foi às ruas em meio à uma pandemia clamar por ajuda, e pedir o impeachment do presidente, pois sua gestão, ou a falta dela, tem ocasionado milhares de mortes por todo país, por conta da pandemia. Além de todas as outras pautas que demostram o despreparo do mesmo para o cargo, e que geram inúmeras implicações graves na vida dos brasileiros e brasileiras.  

A manifestação do povo diante do descontentamento com o governo, entende-se que é uma pauta de extrema relevância e que merece visibilidade na imprensa, mas essa cobertura merecida não aconteceu por parte dos veículos de mídia tradicional. Muitos optaram pelo silêncio, outros por não repassar da forma correta as informações, e poucos em dar um rápido espaço para falar do assunto.

Levando em consideração a realidade da imprensa o Brasil, onde a maioria dos veículos tradicionais estão sob o controle de famílias que detém poderes econômicos e políticos, como exemplo, segundo os dados do Instituto de Estudos e Pesquisa em Comunicação, seis grupos de Comunicação brasileiros são donos de 667 veículos entre emissoras de TV, rádios e jornais.

Logo se percebe uma concentração grande de veículos nas mãos de poucos, gerando a falta de democracia da mídia para todos, pois existem diversos interesses econômicos e políticos por trás dessas gestões, e que comprometem diretamente o repasse das informações corretas para público. Já que os compromissos desses veículos são com seus anunciantes e aliados, e não com o povo.

Por isso a pauta da democratização da mídia é de extrema importância, principalmente nos tempos atuais. Em entrevista ao Tapajós de Fato, Joelma Viana, jornalista, e que atua na Rede de Notícias da Amazônia, fala sobre a relevância desse tema.

“Quando falamos de democratização, estamos falando de algo que seja acessível ao povo, algo que a população tenha acesso. Porém, a própria palavra “democratizar”, para muitos ela é percebida apenas como uma utopia, porque em muitos casos ela acaba não acontecendo”.

Ela acrescenta também que quando o povo começou a perceber a força que a comunicação tem, ele começou a buscar mais espaços com o objetivo de ser ouvido, dessa forma fortalecendo sua luta. E quando olhamos para essas grande mídias em momentos como o atos e manifestações, elas são muito superficiais, não há um aprofundamento, até porque muitos ainda têm medo de se comprometer e por isso se têm como “imparciais” de forma a não se posicionar.

Joelma também relatou que “Por isso, em espaços como a Rede de Notícias da Amazônia e o Tapajós de Fato, estamos muito na internet com poucos espaços, por isso é preciso ainda fortalecer ainda mais esses veículos para que essa comunicação de fato aconteça, então, pensar na democratização desses espaços não é apenas abrir espaço para que o povo fale, mas é pensar que o povo se aproprie dessas ferramentas e que ele mesmo faça a sua comunicação”. 

Indo de encontro com esse proceder de escolher fontes a dedo, não ouvir todos os lados, noticiar apenas o que vai favorecer seus interesses, distorcer os fatos, entre outros, temos aqueles veículos que têm seu compromisso em repassar a situação como ela realmente é ou aconteceu, e prezam pela informação de qualidade para seus ouvintes, leitores e telespectadores. São os chamados veículos de comunicação independentes.

Esses veículos têm mostrado sua importância, principalmente, nesse cenário atual que o país se encontra. A atuação dos jornalistas e veículos independentes tem sido base para a população, que se mantem bem informada sobre as diversas questões que impactam diretamente em seus modos de vida.

A comunicação independente não se prende a anunciantes ou interesses pessoas ou políticos, e tem como principal ferramenta de trabalho a internet. Comunicar dessa forma é um trabalho árduo, que além de sofrer ataques diretos contra pessoas e sedes, as notícias falsas também são um vilão que esse tipo de jornalismo precisa combater diariamente.

                 

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