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Educação ambiental: novas perspectivas de relação com a natureza

Mudanças de hábitos ou o esgotamento dos recursos naturais? A natureza não aguenta mais essa relação de degradação ambiental. É preciso cuidar do Meio ambiente.

03/06/2021 13h26 Atualizada há 3 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Educação ambiental: novas perspectivas de relação com a natureza

Todos os dias, toneladas de lixos são descartadas de forma indevida nas ruas, praças, rios e oceanos, resultando nas imagens que vemos diariamente ao sair de casa, ruas cheias de lixos, bueiros entupidos, terrenos baldios que   se tornam locais de despejo de entulhos, assoreamento e poluição de rios e igarapés, entre outar situações. Por mais que o serviço de limpeza pública não desempenhe um trabalho que dê conta de atender os problemas, há também falta de responsabilidade ambiental e social por parte da população em relação ao descarte correto dos lixos que produz. É preciso cuidar do Meio ambiente. É necessário trabalhar a educação ambiental. Mas como fazer isso?

O Tapajós de Fato conversou com o educador ambiental e militante do Movimento Tapajós Vivo (MTV), Jhonson Portela, ele é graduado em pedagogia pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e mestrando no Programa de Pós-Graduação Sociedade e Qualidade de Vida desta mesma universidade. Iniciou seus trabalhos como educador ambiental ainda na graduação, em dois locais diferentes, através de um projeto de extensão de educação ambiental na comunidade quilombola Murumuru, no planalto santareno e também como militante no Movimento Tapajó Vivo. Seu âmbito é educação ambiental informal, “que estão fora da sala de aula, mas que   não deixam de ser ambientes educacionais” – explica Jhonson. Ele também tem publicações científicas na área de educação ambiental que estão mais voltadas para a psicologia ambiental e a relação criança e natureza.

“O nosso modo de se relacionar com a natureza está errado, e está errado há centenas de     anos. A natureza não aguenta essa relação de degradação ambiental, e a ciência já    provou isso. Sendo responsabilidade do ser humano mitigar esses processos”, ressaltou Jhonson.

É dever de quem?

A educação ambiental não é dever apenas de professores de geografia ou de ciências, é deve da escola e da comunidade. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) orientam como a educação ambiental deve ser trabalhada na escola. Jhonson Portela disse que “educação ambiental são processos pedagógicos para sensibilizar pessoas, dentro dessa temática ambiental. Então, esse sensibilizar se dá através de ações teóricas e práticas que demonstrem que o Meio ambiente está em risco pelos processos de degradação ambiental, e criar novas perspectivas de relação com a natureza”. Em sua fala, ele também diz que esse processo deve ser feito de maneira mais próxima entre professor e aluno. Apesar de ter um viés inicial de sensibilização a educação ambiental deve ser crítica, ela deve promover nas pessoas comportamentos ambientalmente corretos, solidários, responsáveis e, principalmente, crítico-reflexivo, haja vista que o lixo é um problema ocasionado pela sociedade em geral, nenhum indivíduo fica isento desta responsabilidade.

Acontece que as escolas trabalham a educação ambiental erroneamente, ou nem abordam  pauta, e fora do ambiente escolar   este assunto não é debatido com a importância que as circunstâncias exigem. Jhonson afirma que isso se dá porque “educação ambiental são processos pedagógicos de sensibilização, mas existe um construto teórico que conta nossa história de relação e conta como deveria ser nossa história de relação, mencionar as práticas mais sustentáveis e relacionar também com a perspectiva política de se dar com a natureza. Então, tem que se tratar nessas formas, nesse tripé, até chegar em ações que realmente pegue esses produtos e transformem em outras coisas que iria ser jogada no lixo. Falta esse viés, esse alicerce para trabalhar a educação.”

A Educação ambiental deve ser trabalhada tanto na educação básica como também no ensino superior  de forma mais teórica, “porque os Temas Transversais da educação estão em toda a educação básica. O nível superior, por mais que não seja uma educação básica, deveria ser trabalhada a educação ambiental, mas com esse alicerce teórico, essa formação política perante o nosso relacionar com a natureza, aí sim para ter ações de transformar objetos em outros objetos, essa questão dos ‘3r dos 4r’ que é o reciclar. Então, precisa-se desse trabalho pedagógico, esse alicerce teórico e prático da educação ambiental ”.

Como militante do Tapajós Vivo, um movimento social ambientalista que atua na região do tapajós, sediado em Santarém, ele conta que o movimento tem como principais objetivos a sensibilização ambiental “e com um pensamento unificado sobre a Bacia do Tapajós, em defesa da natureza, em defesa dos povos que vivem nela e nessa relação entre cidade e o ambiente tradicional”. Ele diz ainda que com o decorrer do tempo o movimento percebeu que para além do caráter sensibilizador, era preciso demostrar que existem “novos viés”. E uma das maneiras viáveis vista pelo movimento é o Projeto Tapajós Solar.

O Projeto Tapajós Solar tem como objetivo demonstrar o uso de energia solar em locais estratégicos na região da Bacia do tapajós, especialmente em Santarém, Belterra, Flona do Tapajó, Resex, organizações sociais, entidades e coletivos, para sensibilizar a sociedade civil “para que também replique em suas casas essa nova matriz energética. ”

Jhonson fala que o Movimento Tapajós Vivo é contra a construção de usinas hidrelétricas na Bacia do Tapajós, pois elas alteram drasticamente o ambiente natural e o modo de vida dos povos tradicionais das regiões afetadas, trazendo prejuízos irreparáveis. Por isso, aponta a energia solar como um caminho viável “pois ela é descentralizada, economicamente viável e não agride o meio ambiente. O projeto tem como viés, pensar os recursos naturais de uma nova forma, através de sensibilização e de ações práticas”, finalizou o educador ambiental.

Portanto, é necessário que se promova uma revolução cultural na sociedade. A natureza já está esgotada, uma pequena sacola plástica jogada na rua pode acarretar em grandes prejuízos para o Meio ambiente. É preciso ter consciência de que todas as ações dos indivíduos geram impactos no Meio ambiente. Somente tratando a natureza como uma fonte finita de recursos e adotando urgentemente novos comportamentos para melhor aproveitar os recursos naturais e causar menos impactos na natureza. Pois, cuidando bem do ambiente natural, e utilizar os recursos da natureza de forma responsável é o único caminho para se ter um mundo saudável no amanhã.

 

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