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Quanto vale o corpo preto?

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14/06/2021 20h00
Por: Tapajós de Fato Fonte: Maraya Machado
Quanto vale o corpo preto?

No Brasil de mais de 500 anos de escravidão essa é uma pergunta muito difícil e cara de se responder, pois depende do momento histórico e a quem interessa esse valor.  Hoje, para o líder máximo do Estado Brasileiro “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles" é importante salientar que essa frase foi dita antes da eleição do mesmo, demonstrando que parte da população brasileira concorda e se identifica com esse tipo de pensamento. O Estado Brasileiro tem se utilizado da sua força armada para matar o povo preto, pois a bala “perdida”, sempre encontra o alvo preto, eles invadem as favelas e morros sob o pretexto de acabar com o crime organizado, mas nós bem sabemos que quem realmente financia o crime não está nos morros e favelas; é bem mais provável encontrá-los no “Vivendas da Barra” ou em lugares parecidos.  Com a morte da jovem modelo Kathlen de Oliveira voltei a me questionar sobre quanto vale o corpo preto, pois quando Elza Soares bradava ao mundo que a “A carne mais barata do mercado é a carne negra..., que vai de graça para o presídio e para baixo do plástico...”  quando gritava por respeito ao nossos corpos, vivos e mortos, exigindo mais respeito aos nossos pretos e pretas que carregam esse país no braço, mas infelizmente o revólver continua engatilhado e o vingador está eleito. A morte de Kathlen deixou evidente que o tal mercado descobriu que preto morto também dá dinheiro,  pois o lucro vem primeiro, estejamos nós vivos ou não; a empresa que a modelo trabalhava e que aqui não merece a propaganda, resolveu liberar um cupom para que parte do valor arrecadado com as vendas fosse destinado a família de Kathlen, seria uma atitude maravilhosa se a empresa estivesse realmente preocupada com a família da modelo, mas pelo que parece a mão do mercado além de invisível também é sádica, pensar primeiramente no seu lucro antes de parar para analisar que uma jovem grávida acabou de ser morta pelo Estado, que uma mãe acabou de perder uma filha e essa mesma mãe não teve direito conhecer o neto ou neta, seria mais digno abrir uma vaquinha online ou mesmo fazer uma doação,  a atitude da empresa pode até não ser ilegal mas tenho certeza que é imoral. Não importa se é em arrobas, cruzeiro, real, dólar ou qualquer outra moeda, o corpo preto vai sempre valer aquilo que consegue devolver ao tal mercado, que é quem sempre mandou por aqui. Infelizmente Emicida é mais uma preta que quis tocar o céu e terminou no chão...terminou no chão, pois no Brasil ter a pele escura é ser Ismália, Ismália, é ser Ismália.

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