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Corredor hidroviário: economia para uns, destruição para outros

Pensar em hidrovia no Tapajós é pensar na destruição de toda sua vida .Salvar os rios da Amazônia é salvar as populações da Amazônia.

16/06/2021 16h26
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Corredor hidroviário: economia para uns, destruição para outros

Os portos localizados na área de abrangência do Paralelo 16, o chamado Arco Norte, são alternativas para o escoamento de grãos no Brasil, isso porque os portos do sul já são sobrecarregados. Mas o transporte por vias terrestre é inviável devido as más condições das rodovias, por isso, o transporte das produções agrícolas através dos rios são uma saída, sobretudo por ser mais barato que o transporte terrestre, pois um navio consegue levar muito mais carga do que um caminhão.

 As informações do Movimento Pró-logística, que reúne produtores de grãos no estado do Mato Grosso, apontam que o escoamento dos grãos pela hidrovia vai resultar em uma economia de 53% no frete para os produtores. Isso, em reais, gera uma economia de 1,58 bilhão por ano, podendo chegar em 4,74 milhões.

O transporte por vias fluviais pode se dar em extensões que vão de 1000 a 2000 km, mas podendo alcançar distâncias ainda maiores dependendo do fluxo das águas nos rios amazônicos. O transporte de grãos pela hidrovia é considerado, por quem elaborou o plano, como ambientalmente correto e sustentável.

O escoamento grãos por hidrovias, no Arco Norte, já chega a 20 milhões de toneladas, a projeção é que em 2030 esse número chegue em 60 milhões de toneladas. Já há um estudo que avalia a viabilidade de privatização das hidrovias do Tapajós e do Rio Madeira. O diretor executivo do Movimento Pró-Logísticas, Edeon Vaz Ferreira, aponta que para os rios da Amazônia se tornem corredores hidroviários é preciso fazer balizamento, sinalização e até mesmo dragagem em áreas mais rasas.

E como ficam os povos indígenas e as populações tradicionais que vivem há centenas de anos às margens dos rios, sendo os rios a garantia de vida deles? Para entender melhor essa situação o Tapajós de Fato conversou com a militante do Movimento Tapajós Vivo/MTV e do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração/MAM, Isabel Cristina.

Foi perguntado se um empreendimento desse é prejudicial para os povos indígenas e as demais populações tradicionais da área. Ela disse que “sim, sem sombra de dúvida que trará prejuízos as populações destes territórios da Amazônia, além da ferrovia que está projetada, as hidrelétricas e portos tem no pacote a hidrovia, que ferirá inteiramente os direitos das populações que vivem à margem da bacia do Tapajós (Juruena, Teles Pires e Tapajós) são povos que têm uma relação direta com a vida do rio. Pensar em hidrovia no Tapajós é pensar na destruição de toda sua vida, é ver o rio morrendo aos poucos sem que nós, seres humanos, fechassem os olhos para seu grito de socorro. Todos nós vamos ser afetados, que estejamos nos territórios tradicionais ou nos centros urbanos”.

Ela continua e aponta que não se trata apenas dos impactos ambientais, tem de ser levado em consideração a relação desses povos com os rios “entre os impactos diretos para o meio ambiente é quase inimaginável, pense em um comboio levando 40 mil toneladas de grãos dois motores levando tudo isso, o que equivale a mil caminhões levando as mesmas 40 mil toneladas. Não passa pela nossa cabeça uma cena como esta.

A margem destes rios há pessoas que vivem e sobrevivem deles, são pessoas que estão lá desde que nasceram, seus bisavós moraram ali, sua relação com o rio é uma relação de bem-viver. Não podemos só falar de impactos ambientais, temos que falar de afeto, de cultura de religiosidade.

Salvar os rios da Amazônia é salvar as populações da Amazônia, queremos Tapajós livre de todos esses projeto que só beneficiam os empresários e acéfalos.”

 

Transformar os rios da Amazônia em corredores hidroviários vai sim gerar lucro, mas apenas para uma parte. Ao pensar grandes projetos na Amazônia têm que ser tratado como muita reponsabilidade os direitos dos povos indígenas, dos demais grupos tradicionais e também das pessoas que vivem nas cidades amazônicas, pois as cidades também têm relações intrínsecas com os rios. A terra é para todos, mas vontade de um não pode atropelar o direito de outro.

 

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