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Famílias próximo da comunidade Santa Maria, as margens da rodovia Fernando Guilhon têm casas demolidas sem mandado judicial

As vítimas já sofriam ameaças de desapropriação da área há mais de 15 anos. Duas pessoas que se dizem donos da área chegaram no local com tratores e seguranças privados armados. A polícia esteve no local, mas não interviu em nada.

18/06/2021 21h56
Por: Tapajós de Fato
Famílias próximo da comunidade Santa Maria, as margens da rodovia Fernando Guilhon têm casas demolidas sem mandado judicial

O Tapajós de Fato recebeu nesta manhã uma denúncia de uma invasão de propriedade próximo à Ponte do Juá. A senhora Luzanira de Sousa Gomes, matriarca da família atingida, reportou que, duas pessoas que se dizem donas da área, chegaram hoje (18), acompanhado de maquinários, seguranças armados e sem nenhum mandado de despejo requerendo os direitos sobre a terra da família.  Segundo a moradora, a polícia foi até o local, mas foi informada que iam apenas alargar rua, e por isso, foram embora do local, “mas quando a gente viu eles já estavam derrubando as casas dos nossos filhos” informou ela.

As máquinas destruíram duas casas, ela informou que dentro de umas das casas haviam duas crianças dormindo, uma de cinco anos e outra de oito anos, que foram arrastadas de dentro de uma das residências, enquanto ela era demolida, a cerca disso a avó das crianças falou que “felizmente não aconteceu uma desgraça maior e nenhuma criança foi ferida”. Uma terceira casa não foi demolida porque uma mulher que está grávida se colocou na frente da casa, impedindo a passagem da máquina.

A mesma disse ainda que enquanto as máquinas destruíam as residências, as pessoas que se dizem dono da área faziam xingamentos e ataques racistas contra as vítimas que tentavam impedir a ação.

Ainda pela manhã, as vítimas foram até a delegacia da grande área do Santarenzinho, mas a polícia se recusou a registrar o Boletim de Ocorrência. Na parte da tarde, acompanhados de uma advogada da Terra de Direitos, a ocorrência foi registrada. A advogada questionou o porquê de não terem registrado o B.O, a investigadora alegou que o funcionamento da delegacia é das 8:00h até às 12:00, fecha para almoço e retorna as 14:00h, e os dois homens haviam chegado no final da manhã, e por isso, ficou agendado para a tarde. Essa versão foi contestada pelas vítimas, que disseram ter chegado na delegacia por volta das 11:00 e que ainda esperaram por algum tempo.

Outros Boletins já haviam sido registrados anteriormente, segundo ás vítimas, eles já vinham sofrendo ameaças há muito tempo.

Dona Luzanira informou que a justiça já havia dado a eles a manutenção de posse da terra e que, em 2018, uma liminar revogou esta decisão, mas em 2020, uma nova decisão judicial devolveu a manutenção da posse a eles. E as pessoas que se dizem dona da terra “estão se valendo da liminar de 2018 para requerer o direito da área.”

A moradora disse que a família possui toda a documentação da área: GEO, CAR e o protocolo do documento de posse da área, e que, na próxima semana o documento de posse vai ser entregue para a família.

A família já mora no local há mais de trinta anos, e relatam que nos últimos quinze anos vêm sofrendo ataques e ameaças por parte dos reivindicadores. Luzanira disse ainda que se sente “desamparada porque a polícia não quis registrar a ocorrência. E que está de mãos atadas, sem saber o que fazer”. Ela finalizou dizendo que espera “ que não derrubem mais nossas fazia casas. ”

Os advogados da Terra de Direitos junto ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, averiguam como fazer para levar o caso até o Ministério Público do Estado do Pará. A advogada que acompanhou as vítimas   pela parte da tarde informou que os afetados pela demolição se sentiram amedrontados com toda violência sofrida e também pela presença dos seguranças privados, que estavam todos armados. Ela disse também que no local há mulheres grávidas e 17 crianças.

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