Segunda, 26 de Julho de 2021 16:24
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Reportagem Especial Reportagem Especial

19J: Ato contra Bolsonaro em Santarém registra abuso de poder por parte da polícia

Manifestantes foram agredidos pela polícia e por bolsonaristas que estavam na orla da cidade. Organização do ato disse que vai acionar o MPPA pelos abusos de autoridades praticados pela polícia militar.

20/06/2021 13h36 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
19J: Ato contra Bolsonaro em Santarém registra abuso de poder por parte da polícia

Movimentos sindicais, sociais e a sociedade civil organizada foram às ruas em todas as regiões do Brasil protestar contra o governo Bolsonaro e pedir vacina para todos.   O ato, denominado “19J”, aqui em Santarém, iniciou por volta das 16h, os manifestantes caminharam pelas principais ruas do centro comercial da cidade.

Mais uma vez a juventude totalizava a maior parte dos manifestantes, mas, independentemente de ser juventude ou não, o objetivo era o mesmo, a saída de Bolsonaro da Presidência e medidas mais eficientes para combater a pandemia. A irmã Deca, da Ordem franciscana disse que “Hoje é importante unir a todos os brasileiros que estão lutando para que esse governo respeite os brasileiros..., e que a gente possa se livrar desse vírus o quanto antes. Os dois vírus: covid-19 e o vírus Bolsonaro.

Fotos: Tapajós de Fato

A pandemia escancarou muito problemas e também trouxe uma série de novos problemas, a má gestão do presidente da república ocasionou no aumento da fome, da miséria e morte de mais de 500 mil brasileiros e brasileiras. “Nós estamos na rua, hoje, porque ninguém aguenta mais esse governo genocida que não se importa com a vida das pessoas, que não se importa se as famílias têm comida no prato, que não se importa se tem pessoas morrendo. É um governo que tem um projeto de poder que é matar o povo brasileiro, mas o povo brasileiro é um povo lutador, que resiste, que luta. E que viemos aqui dizer que vamos seguir lutado para derrubar esse genocida do poder” – disse Sara Pereira, educadora da FASE.

O sentimento de país alegre, cheio de vida, não anda combinando com o Brasil atualmente.  Sara disse esse sentimento precisa ser devolvido o para o Brasil e que, isso só será possível se Bolsonaro sair da presidência “Vamos derrubar esse genocida do poder porque o Brasil não precisa, o Brasil não pode se conformar em ser um país da tristeza e um país da morte. O Brasil é o país da vida, o país da alegria, e vamos lutar para derrubar... para derrubar esse genocida, para que toda a população tenha direito a ter vacina, para que toda a população volte a ter direito de se alimentar todos os dias, para que toda a população tenha direito a emprego, auxilio emergencial. É por tudo isso que os viemos às ruas, porque o brasil não aguenta mais. Fora Bolsonaro! ” Finalizou ela.

Fotos: Tapajós de Fato

Durante a maior parte, a caminhada dos manifestantes ocorreu de forma pacífica, mas, ao chegarem na avenida Tapajós, próximo à praça do pescador, ocorreram problemas de ordem, os manifestantes decidiram fechar todo o trânsito nesta avenida, logo, um congestionamento de carros e motos se formou. A polícia quis abrir passagem para que os veículos passassem, mas os manifestantes se recusaram a sair e continuaram em suas posições, a polícia então resolveu fazer uso da força e começou a empurrar os manifestantes. Imediatamente os manifestantes se juntaram e formaram força de não ceder as tentativas violentas dos policias de abrir caminho.

 Heloíse Rocha, umas das pessoas agredidas, conta o fato “Eles tentaram abrir o cordão do ato mandando o pessoal sair ´porque o carro ia passar, e a gente falou, não, vamos ficar aqui, ele perguntou quem estava organizando o protesto, e a gente falou que não ia passar, nesse momento ele me empurrou e empurrou outras pessoas  que estavam do lado de forma truculenta, queria passar e na hora formou uma manifestação generalizada,” Ela disse também que a tentativa intimidação por parte da policia se deu, também, através da quantidade de viaturas, motos e policias fortemente armado e que ficou nítido que a policia tentou reprimir o ato.

 
 
 
 
 
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As entidades organizadoras afirmaram ter mandado ofício tanto para a prefeitura quanto para a prefeitura, que todos os órgãos sabiam quanto trajeto as pessoas do ato iriam seguir durante a manifestação.

Após a tentativa de repressão a polícia ainda tentou determinar para onde e como os manifestantes terminariam o processo, mas as pessoas não acataram as ordens policias e continuaram o trajeto.

Fotos: Tapajós de Fato

Quando o ato já estava chegando perto do local de dispersão, um cidadão, de fora do ato causou mais um tumulto, ele alegou que os manifestantes haviam roubado sua caixa de som, e começou a atacar as pessoas com xingamentos, atacou uma jovem LGBT e ainda à ameaçou de agredi-la fisicamente. Imediatamente um grupo de manifestantes correu para defender a jovem, e os ânimos ficaram mais alterados, o Grupo Tático Operacional, assim como outras equipes policiais que estavam perto pouco fizeram para manter a ordem.

Uma das pessoas que estava próximo da confusão era Maraya Machado, ela informou para o Tapajós de Fato o seguinte, “Pacificamente a gente está aqui, exercendo os nossos direitos e tem pessoas como essa que não respeitam... As pessoas não respeitam, a rua é pública, nós tambem temos direito de ocupar, eles não querem deixar.

Esse governo fascista e as pessoas que apoiam, esse governo que está matando os brasileiros todo dia, a gente está aqui porque tem mais de 500 mil mortes nesse Brasil, um Brasil feliz, e esse cara conseguiu matar, transformar felicidade em luto. Nós não vamos nos calar.

Os manifestantes afirmam que a polícia mais atrapalhou do que ajudou. “no momento em que estava tendo a agressão por parte dos bolsonaristas a polícia cruzou os brações e fez que não estava vendo. A polícia mostrou de quem está a servir”. Disse Izabel Sales.

Os gritos das populações LGBTQI+ também ecoaram no protesto, “pessoas travestis, transexuais, pretas, pobres, indígenas, de periferia. Quer tirar o direito à saúde, à educação, a gente está pedindo vacina porque é um governo que está negando para a gente” disse Maria Flor, membra do Movimento LGBTQI+ de Santarém.

A cantora Cristina Caetano, que tomou a vacina contra covid esta semana, disse que sente “em partes, como uma vitória nossa, mas quando eu me lembro das pessoas que ainda precisam tomar e das pessoas que nós perdemos, então essa felicidade fica incompleta”. As perdas são muitas e irreparáveis, as pessoas perderam amigos, colegas, familiares “Esse governo genocida precisa cair, e tem que ser com a nossa força, pelas nossas mãos, nas ruas! ”

Agora, a organização do ato vai acionar o Ministério Público. Segundo informações foi pego os nomes de alguns policiais que estavam envolvidos, tenentes, sargentos e anexar fotos e vídeos, e ´protocolar a denúncia por abuso de poder.

É um conjunto bem amplo de organizadores, que envolvem movimentos sociais, movimentos sindicais, pessoas mesmo que dizem que querem apoiar o movimento, simplesmente, por serem Fora Bolsonaro, e, pelo curto tempo de organização de 29 de maio há 19 de junho, o nosso ato foi muito bom e esse foi bem representativo, as organizações aderiram a causa e a gente está disposto a continuar crescente. Então, avalia que a juventude está de parabéns, a gente avalia que eles estão organizando, indo na frente mesmo, e a gente espera que isso continue. Eu acho que aqui estão umas 400 ou 500 pessoas, mas o número não importa, o importante para gente é marcar e dizer que a gente está junto com todas as regiões do Brasil no Fora Bolsonaro.

Infelizmente a gente ver o despreparo de lidar com uma manifestação e, por outro lado, criminalizar, os tumultos foram fora da manifestação e não dentro da manifestação. Infelizmente a gente faz tudo direitinho, levamos oficio para a polícia dizendo o nosso trajeto, levou para a prefeitura, eles estão conscientes, e em vez de ajudar a evitar tumulto, eles pioram a situação. Infelizmente, para mim, eles não estão preparados para esse tipo de situação.

Se a polícia não está no objetivo que é seguir o curso e deixar o curso seguir, ela não está determinada é óbvia que ela não está preparada e pode se preparar, pois vem mais atos por aí.”  Disse Andéa  Leão, do Sindufopa.

 

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