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Pescadores são prejudicados por grandes projetos na Amazônia

No dia do pescador, saiba qual tem sido o grande inimigo dos povos que sobrevivem da pesca.

29/06/2021 15h28 Atualizada há 4 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Imagem da Internet
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No dia 29 de junho é comemorado o dia do pescador, que faz alusão ao dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores. Essa data é para homenagear a todos que se dedicam a atividade da pesca que é muito mais que uma simples profissão, é algo que faz parte da cultura dos povos da Amazônia, é uma tradição que é passada de geração em geração para garantir tanto o alimento na mesa desses povos, quanto a renda deles para sobreviver.

O pescador é aquele que conhece cada canto do rio, que sabe onde dá peixe e onde não dá, sabe qual a época de pesca de cada espécie, sabe a hora de ir pro rio e a hora de não ir, sabe quando a chuva tá vindo ou quando ela tá passando, sabe qual a maneira certa de pescar a espécie de peixe que ele deseja, é aquele conhece cada espécie e respeita quando ela deve ser pescada e quando não deve, e acima de tudo é aquele que respeita o rio e o meio ambiente e o preserva porque sabe que além de ser sua fonte de sustento, o rio faz parte do seu território e da sua cultura, e por isso ele deve ser cuidado de todas as formas.

Porém, essa atividade vem sendo prejudicada pelos grandes projetos que têm sido realizados na Amazônia (saiba mais), e que tem se intensificado cada vez mais. Mesmo com a resistência dos povos, o incentivo do governo para a liberação dessas terras para a exploração tem feito com que os impactos causados sejam ainda maiores. Com os projetos da Arco Norte, o governo vem tornando real a sua intenção de fazer do rio tapajós um corredor de escoamento de grãos (saiba mais), através de imensas balsas que passarão todos os dias pelo território desses pescadores que ficarão sem lugar para pescar.

Em conversa com o Tapajós de Fato, Lusenildo Rocha, diretor da colônia de pescadores Z-20, contou um pouco sobre a dificuldade dos pescadores no tempos atuais “os grandes empreendimentos vem atingindo as águas node a gente pesca, já foram feitas pesquisas que comprovaram que os peixes do Tapajós estão contaminados, então a gente vem fazendo seminário e fóruns junto ao Governo para ver formas de diminuir esses impactos”. De acordo com Lusenildo os pescadores enfrentam sol e chuva todos os dias para conseguirem seu sustento e o de sua família, porém, esse peixe que antes era tão abundante, vem ficando cada vez mais difícil de ser encontrado.

Seu Casemiro, a comunidade de Jauari, região de Juruti Velho, município de Juruti, teve seu igarapé assoreado devido a deslizamento de terra em consequência da extração de bauxita que é feita às margens do rio onde ele e toda a sua comunidade tinham o costume de pescar, extrair água para uso diário, tomar banho e se divertir. No início desse ano, rejeitos da mina, entulhos, lama foram carregados até o igarapé pela chuva por conta do não cumprimento das medidas de contenção por parte da mineradora. Muitas nascente foram destruídas e o lugar onde era o lar dos peixes que sustentava toda a comunidade foi reduzida a sujeira e lama.

Como um dos anciãos da comunidade, seu Casemiro ajudou a cria-la e viu presenciou a forma como o seu precioso lar foi tratado pelas grandes empresas que chegaram apenas para retirar todas as riquezas do local e depois ir embora deixando nada além de miséria e devastação. Ele relata “eu lembro que antigamente, a gente conseguia peixe tão fácil que a gente dividia com todo mundo e ainda sobrava, e aí a gente levava pra vender e conseguia um bom dinheiro. Mas essas empresas aí foram chegando, hoje em dia é muito difícil pescar aqui por perto, até de noite a gente não consegue porque o clarão e o barulho da mina chegam até o rio e espantam os peixes”.

E essa tem sido a realidade de muitos pescadores da região do Tapajós, que vem sendo prejudicados por esses chamados “projetos de desenvolvimento”, mas que na verdade apenas destrói a cultura, o território e a vida desse povo que mesmo em meio a tantas dificuldades continua a resistir e lutar por aquilo que é seu, e que não irá desistir da sua terra para vê-la sendo tomada, mas sim, irá em busca de seus direitos até a última gota de sangue.

 

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