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#3J: como o governo Bolsonaro tem afetado a vida dos povos da Amazônia

Com um espírito de luta, a população brasileira vai às ruas em mais um ato contra o governo Bolsonaro

03/07/2021 20h43 Atualizada há 3 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Fotos: Tapajós de Fato
Fotos: Tapajós de Fato

Desde o início das eleições de 2018, várias projeções foram feitas a partir da possível vitória de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil, e dessas projeções uma perspectiva sem esperança foi criada pelos cidadãos conscientes, caso o mesmo ganhasse. Muitas opiniões negativas em relação a todas as áreas, tanto na educação, na saúde, economia, meio ambiente, foi criada uma má expectativa caso a vitória de Bolsonaro se concretizasse.

E ele ganhou, sendo para muitos a pessoa que tiraria o Brasil daquele momento de crise, porém, logo após assumir, Bolsonaro tornou real toda aquela expectativa ruim que tinham dele, pessoas racistas e homofóbicas agora tinham alguém que os representasse legitimando seus preconceitos.

Casos de ataques   à população LGBTQIA+ continuaram crescendo, tal como os casos de racismo e de violência contra a mulher, e todo esse contexto de sofrimento dessas populações está interligado com a presença de um homem no poder que, seja explícita ou implicitamente, apoia a violência.

E além desses casos de violência, a economia do Basil nunca esteve tão mal, mesmo com seu Ministro da Economia ganhando prêmios com o seu cargo, no dia a dia, o brasileiro sentiu o peso do desemprego e dos altos preços dos produtos, o real perdeu valor no mercado e todo os cidadãos de classe média pra baixo sentiram isso em cada compra sua do mês, menos os grandes empresários, que são os maiores beneficiários desse governo que se preocupa apenas em aumentar os cofres daqueles que já estão com os bolsos cheios.

E quando tudo já estava indo tão mal, um vírus desconhecido começou a assolar o mundo, matando pessoas, destruindo famílias e colocando o planeta à beira de um colapso, e neste momento o Brasil precisou de um governante que fosse um bom gestor e que priorizasse a vida da sua população acima de qualquer outra coisa, porém, não foi o que aconteceu.

Em meio a pandemia, o Brasil começou a se encher de casos de corrupção, enquanto o presidente deveria estar cuidando do seu povo e tentando protegê-lo da pandemia, ele estava usando a crise da Covid-19 como uma cortina de fumaça para que, por de trás dela, ele pudesse tomar aprovar leis e projetos que apenas prejudicariam o povo. E quando questionado sobre a doença que já matou milhões de pessoas pelo mundo, Bolsonaro fazia piadas e brincadeiras. Ele indicou e aprovou o uso de medicamentos que apenas colocava em risco a vida de quem usasse-o, desrespeitou países e governos pelo mundo prejudicando a chegada da vacina, tudo isso enquanto o povo brasileiro chorava em luto pelos mortos que não podiam nem ser enterrados por quem lhe era querido.

E no momento em que os indígenas do Brasil choravam por seus parentes, Bolsonaro vendia suas terras e autorizava a entrada de grandes empresas na Amazônia, essas que querem apenas retirar de lá toda a riqueza e depois ir embora sem se preocupar com a destruição do meio ambiente e do povo que ali vive.

Essas ações e muitas outras foram enchendo o coração do povo brasileiro de indignação e revolta, o medo de toda população indígena de perder seu território levou todos a lutar, e assim, milhares de brasileiros começaram a encher as ruas em meio a pandemia para protestar e manifestar seu descontentamento com o governo, pedindo a saída de Bolsonaro da Presidência.

Neste dia 3 de julho, mais uma vez o povo foi as ruas para demonstrar sua insatisfação com o governo que tem destruído vidas e mostrar apoio aos mais de 100 pedidos de impeachment protocolados na câmara dos deputados, mas que não passaram por causa da corrupção que a cada dia tenta destruir a democracia no país.

Fotos: Tapajós de Fato

O Tapajós de Fato conversou com pessoas de diferentes áreas que falaram como esse governo tem afetado suas vidas.

Edilberto Sena, padre e liderança do movimento social em Santarém e região: “O Bolsonaro é uma estupidez humana porque ele usa a religião e fala em nome de Deus como se ele fosse um homem de fé, quando na verdade ele usa a religião daqueles que são iludidos e mal formados pra ficar do lado dele, ele é um criminoso porque ele destrói a sociedade, ele destrói as próprias igrejas quando ele fala em nome de Deus, mas ao mesmo tempo ele destrói o Brasil”.

Fotos: Tapajós de Fato

Sara Arapiun, jovem e indígena do povo Arapiun: “Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro tem criado e aprovado vários projetos de lei contra o povo indígena, ele tem autorizado a entrada de mineradoras, de empresas madeireiras que querem ir até os nossos territórios apenas pra roubar toda riqueza sem nenhuma preocupação com o meio ambiente ou com a gente que mora nesses lugares, o nosso povo que chegou nessas terras muito mais do que 500 anos atrás está sendo ameaçado de perder o que mais nos é precioso, o nosso lar”.

 

Fotos: Tapajós de Fato

 

Dionéia Cardoso, agente comunitária de saúde: “Esse governo tem no afetado grandemente, eu sou funcionária pública há 25 anos e nós nunca tivemos tantas perdas como nós tivemos agora nesse governo, a gente tenta mobilizar os trabalhadores e trabalhadoras para que todas e todos percebam tudo o que a gente perdeu, e esse governo é realmente responsável por diversas mortes. Eu tenho trabalhado como agente comunitária há 25 anos e eu nunca trabalhei tanto e também nunca me arrisquei tanto durante o meu trabalho, e mesmo que vários agentes comunitários tenham morrido ou adoecido gravemente por conta da Covid-19, ainda assim não fomos considerados como grupo de prioridade a vacina como se a gente não estivesse no fronte, e isso é revoltante”.

Fotos: Tapajós de Fato

Vitore Gael, pessoa trans não binare e militante da coletiva trans: “O governo não tem nos matado apenas através da pandemia, um dia desse uma travesti foi queimada viva, ela teve o braço amputado e 40% do corpo queimada, outro dia um gay foi morto, e isso tem acontecido quase todo dia com a gente, em Santarém não tem uma casa de acolhimento. Estamos vivendo uma pandemia e travestis não são contratados, pessoas trans não são contratadas, pessoas afeminadas não são contratadas, tem sido muito difícil viver assim”.

 

Fotos: Tapajós de Fato

 

E essas são algumas pessoas que têm sofrido com este governo e tem se unido independente do partido, raça, gênero, orientação sexual ou etnia, todas essas pessoas estão se mobilizando apenas porque elas querem um lugar em que elas possam viver suas vidas felizes em seus territórios e com seus direitos garantidos pelo governo.

 

 

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