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Reintrodução da ararinha-azul na natureza é ameaçada por mudanças climáticas

A ararinha-azul está extinta na natureza desde o ano 2000.

08/07/2021 09h07
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Reintrodução da ararinha-azul na natureza é ameaçada por mudanças climáticas

 

 

A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) juntamente com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Instituto Ecótono, fizeram uma pesquisa contendo o seguinte questionamento como tema central: “como as mudanças climáticas podem impactar no programa de reintrodução de espécies de animais na natureza?”. 

 

Muitas espécies de animais estão extintas, ou seja, não existem mais na natureza, porém, algumas dessas espécies ainda vivem em cativeiros, isso acontece porque elas foram salvas e estão em processo de reprodução e de readaptação para que elas possam ser reintroduzidas na natureza.

 

Uma dessas espécies que está passando por esse processo é a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) que está extinta na natureza desde o ano 2000. Atualmente, existem cerca de 150 indivíduos da espécie que vivem em cativeiro, a partir de um projeto que tem como objetivo salvar a espécie da extinção total, dentro do Plano de Ação Nacional para Conservação da Ararinha-Azul, organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

 

Por isso, a ararinha-azul foi escolhida como objeto de estudo da pesquisa que fez uma projeção para calcular a taxa de sucesso desse projeto do ICMBio, que reuniu dados ligados à readaptação da espécie.

 

E uma das informações obtidas foi sobre 14 espécies de plantas que estão de alguma forma relacionadas à ararinha-azul, seja como alimento, moradia, proteção ou outras funções, e que são peças-chave para a sua sobrevivência. 

 

Segundo o pesquisador professor doutor Samuel Gomides, docente da Ufopa do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (PPGEES) e líder da pesquisa, “foram feitas projeções computacionais para os próximos 50 anos para avaliar se as mudanças climáticas poderão afetar essas plantas, comprometendo de alguma forma o projeto de reintrodução da espécie à natureza”.

 

A partir dessa pesquisa, dois tipos de cenários foram projetados, um positivo e um negativo, para  formação de um possível futuro da espécie.

 

Os resultados da pesquisa indicam que em ambos os cenários climáticos futuros (tanto o otimista quanto o pessimista) há a previsão de redução das áreas com condições climáticas adequadas para a ocorrência simultânea das 14 espécies vegetais estudadas. Essa redução poderá ser de 33% no cenário otimista, e de 63% no cenário pessimista. Outros estudos já indicaram que a Caatinga tende a aumentar a desertificação e os períodos de seca com a destruição ambiental e as mudanças climáticas. Consequentemente, isso afeta a disponibilidade de alimento e abrigo para a ararinha-azul no futuro.

 

E para reverter esse quadro, os cientistas apontam que a reintrodução das aves deve ser meticulosamente estudada para evitar que as ameaças que eliminaram a espécie no passado continuem ativas com o retorno das espécies à natureza.

 

Segundo eles, deve-se incluir as alterações climáticas previstas na lista dos fatores que colocam em risco o projeto de reintrodução da ararinha-azul na natureza em longo prazo, conforme recomendado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

 

Considerando que grande parte das áreas previstas como mais resistentes às alterações climáticas estão concentradas às margens de rios e riachos temporários na região, e que essas áreas são as mais afetadas pela expansão urbana e da agricultura, o ideal é que se faça a recuperação das áreas de preservação permanente (APP) em torno dos corpos d’água da região.

 

A pesquisa aponta que a reintrodução da ave na natureza demandará ações concretas por parte dos gestores desses projetos para lidar com ameaças como caça, alterações ambientais na área de soltura, queimadas, além dos efeitos das alterações climáticas.

 

O caso da ararinha-azul se apresenta ainda mais desafiador por esta espécie ter sido extinta na natureza no início deste século e por haver pouco conhecimento sobre como ela se comportava no ambiente, quais os seus hábitos naturais, e como ela vai lidar com os desafios da vida na natureza. A sobrevivência da ararinha-azul dependerá essencialmente da preservação de áreas naturais e de programas de recuperação de áreas degradadas, principalmente de matas ciliares.

 

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