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Moradores de Juruti denunciam à Câmara de Vereadores a falta de medicamentos e materiais médicos hospitalares no Hospital Municipal

Familiares estão retirando os pacientes do hospital e buscando tratamentos na rede particular e até em outros municípios. Há registro de compra, mas os medicamentos não chegam até farmácias hospitalares.

09/07/2021 12h23 Atualizada há 2 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Moradores de Juruti denunciam à Câmara de Vereadores a falta de medicamentos e materiais médicos hospitalares no Hospital Municipal

O presidente da Câmara de Vereadores do município de Juruti, na região do Baixo Amazonas, Francinei Andrade (PT), reportou ao Tapajos de Fato que chegaram muitas denúncias “principalmente das unidades básicas, com isso, nós fomos realizar as visitas” para constatar o que estava sendo denunciado pela população. Foram fazer as visitas, os vereadores Francinei Andrade, e o vereador Joel Vitor (Avante), eles identificaram que estava havendo falta de medicamentos que são ofertados nas Unidades Básicas de Saúde, medicamentos para diabéticos, hipertensos, etc. que são medicamentos que até podem ser comprados em farmácia, desde que apresentado uma receita médica, mas que devem ser ofertados de forma gratuita na rede púbica de saúde.

O vereador contou que esta semana “chamou muito à atenção a falta de medicamentos dentro do Hospital Municipal, medicamentos que não podem ser vendidos em farmácia. Aí nós fomos verificar de perto. Ontem [07] pela manhã fizemos a visita eu e o vereador Joel Vitor e constatamos a falta de insumos importantes para o tratamento dentro do hospital. Não só medicamentos como materiais também, como: drenos, velcros de vários tamanhos, antibióticos que não são vendidos em farmácias, que são enviados diretamente aos hospitais e outros medicamentos que são de extrema importância para tratar os pacientes” contou o presidente da Câmara.

Além da farmácia básica, fora feita visita à farmácia hospitalar e visitaram também o laboratório do hospital, pois enquanto transitavam pelos corredores, os servidores do hospital relataram que o laboratório também vinha desempenhando as atividades de forma precária. Segundo o presidente do poder legislativo de Juruti, os funcionários disseram “olha, não está acontecendo a realização dos exames de sangue, fezes e urina porque não tem reagente”. Por conta dos relatos os vereadores foram até o laboratório e verificaram que estão sendo realizados poucos  exames “antes, eram realizados cerca de 40 exames por dia, agora, só estão realizando 5 para não parar e enrolar a população de que todos os dias estão fazendo exames, mas se tivesse reagente eles conseguiriam atender a demanda do dia. Então, o médico passa hoje os exames de hemograma e só recebe daqui a um mês, sendo que exame de hemograma você faz de manhã e recebe o resultado de tarde. O hospital não está sem, está com pouco reagente que acaba não dando conta de atender a demanda do município”, disse o vereador Francinei.

É no Hospital Municipal que são tratados os pacientes com Covid-19, por conta da crise no abastecimento de medicamentos e materiais médico hospitalares o tratamento desses pacientes fica comprometido. Os vereadores informaram que os leitos da Ala de Covid estão todos desocupados, mas isso vem acontecendo porque, além da queda no número de casos, o hospital não conta com insumos básicos para cuidar desses pacientes. O que está acontecendo é apenas a entrega do kit Covid aos pacientes e eles voltam para casa.

Após visita ao hospital, o vereador Francinei conta que foi para seu gabinete na Câmara e publicou em uma rede social fotos do que havia constatado, ele contou que “no final da tarde do mesmo dia, o poder executivo começou a fazer várias postagens querendo desmentir o que foi denunciado”.  Por conta dos ataques, o vereador decidiu voltar até o hospital e fazer uma transmissão ao vivo em uma rede social para comprovar os problemas identificados. No momento que o vereador chegou para fazer a transmissão, uma mulher estava retirando o filho do Hospital Municipal para levá-lo até um hospital particular.

O menino havia passado por um procedimento cirúrgico para a retirada de apêndice há uma semana, mas por conta da falta de dreno, a cirurgia infeccionou e nada pode ser feito para tratar a infecção no hospital. Durante a live, a mãe disse ao vereador “não tem medicamentos, o médico fez uma baixaria na cirurgia do meu filho, não botou se quer um dreno, o meu filho teve que voltar hoje com a barriga infeccionada, ele está com a barriga inchada, deram medicamento errado para o meu filho. Estou saindo desse hospital indignada com tudo que está acontecendo, por falta de medicamento”

O vereador contou que quando finalizou a live, outro rapaz chegou para retirar o pai que estava internado no hospital. O rapaz falou ao vereador que ia levar o pai para ser tratado no município de Parintins, no Amazonas, “olha estou tirando o papai porque não tem o remédio para ele continuar o tratamento de saúde, então, estou levando ele para Parintins porque eu não tenho condições de ir para Santarém, para onde encaminharam ele. Até porque eu fui na secretaria [Secretaria de Saúde] e o TFD não está funcionando, e eu não tenho dinheiro para pagar as passagens, eu vou levar ele para Parintins porque eu tenho família lá. ”

A Câmara Municipal convocou o secretário de saúde para dar esclarecimentos sobre o desabastecimento na rede saúde na reunião com a Comissão de Educação, Saúde e Assistência, mas o secretário não respondeu. No site da prefeitura de Juruti constam dispensas de licitações com valores altos, só em 2021 a prefeitura já comprou mais de 10 milhões de reais com medicamentos, mas os medicamentos não chegam até as UBS e o hospital da cidade. Segundo informações, o setor de licitação foi até à Comissão e explicou os procedimentos que estão no site, mas o secretário desrespeitou a câmara e não compareceu quando convocado. A informação apurada é que o secretário não foi porque está de recesso.

 

Outro problema identificado é em relação ao quadro de funcionários que estão atendendo os pacientes em Juruti, foi constatado pelos vereadores que o médico contratado para trabalhar como pediatra não tem licença para atuar em tal função.  “O pediatra, que foi a denúncia que chegou para nós, é um clinico geral com experiência em pediatria, na área neonatal, é uma experiência, não é uma especialização para atuar como pediatra”, disse o vereador Joel.  O médico falou para os vereadores que ele era o pediatra contratado pela empresa e que ainda está fazendo a especialização em pediatria. 

 

Durante a visita dos vereadores Francinei Andrade e o vereador Joel Vitor ao hospital, eles foram informados que os medicamentos que estavam em falta chegariam no dia 08 de julho, mas até o fechamento dessa matéria não foi encontrado nenhuma informação que confirmasse a chegada dos medicamentos no município de Juruti

Após a visita os vereadores informaram que além da falta de diversos medicamentos e materiais hospitalares, foram encontrados também remédios vencidos. O que se viu em grandes quantidades foram: soro fisiológico, descartex, sacos para empacotar cadáver e sacos para lixo. Sindicâncias serão abertas para identificar o grave problema na saúde do município de Juruti.

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