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Comunidades da Flona do Tapajós podem se tornar áreas urbanas, em Belterra

São Domingos, Maguari e Jamaraquá são as ter comunidades visadas. A cidade de Belterra está cercada de plantações e não tem mais espaço para a cidade crescer.

14/07/2021 17h42 Atualizada há 2 meses
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Comunidades da Flona do Tapajós podem se tornar áreas urbanas, em Belterra

 

 

Moradores de três comunidades do município de Belterra estão preocupados com uma possível especulação do prefeito em tornar algumas áreas tradicionais em áreas urbanas. Segundo informações, a área que se pretende tornar urbana corresponde as comunidades São Domingos; Maguary e Jamaraquá, o presidente da Associação Comunitária dos Moradores e Produtores Rurais e Extrativista de Maguari (ASCOMART), Abílio Vasconcelos, disse “a gente fica preocupado, porque isso aí é muito triste para nós, se nós deixar acontecer. As nossas comunidades estão dentro de uma Unidade de Conservação e essa Unidade tem um documento, aí o prefeito quer desmembrar para colocar outro documento em cima”.

Os comunitários dizem que percebem muitas mudanças que vêm ocorrendo ao longo do tempo, a senhora Raimunda Feitosa, por exemplo,que hoje tem 78 anos de idade, conta que foi seu pai quem criou a comunidade Maguari, ela diz que nasceu, cresceu e vive até hoje em Maguari: “Naquela época era muito diferente de agora. Quem criou essa comunidade foi meu pai, eram somente três famílias, mas como ele era uma pessoa que entendia muito ele envolvia São Domingos, Jamaraquá (que na época era São Benedito) então, todo mundo trabalhava junto, aí trabalhava em bem comum, que era limpeza de estrada, roçado, tudo faziam juntos, trabalhavam hoje para um, trabalhavam amanhã para outro, assim iam, faziam o tempo todo assim tanto para a broca, derruba é até capina. ”

A comunidade  Jamaraquá está organizada de forma muito parecida com Maguari, segundo a moradora Rosenilda Rodrigues, que mora na comunidade há mais de 20 anos, a comunidade sempre foi muito organizada, tem a associação e os comunitários são muito solidários uns com os outros. Ela contou ainda que a comunidade sempre foi muito esquecida por parte do governo municipal, somente esse ano que a prefeitura construiu uma escola, “desde quando eu cheguei em Jamaraquá que a gente vem lutando por uma escola na comunidade, acho que ele [prefeito] fez porque ele quer ganhar apoio” e teme que se for verdade a história de fazer isso aqui uma área urbana a gente vai perder muito com isso”.

Dona Raimunda, da comunidade de Maguari disse que o governo municipal está dando pouca atenção para as comunidades da Flona, ela disse que antes a escola da comunidade Maguari tinha até vigia, mas agora não tem mais “hoje em dia não tem porque o prefeito disse que não pode pagar”. “Eu vejo assim, com esse negócio dele querer área urbana para cá por que que ele não aumenta lá [cidade de Belterra]? Porque dizem que até onde era o aeroporto velho já não é mais área urbana do município porque ele abriu mão para os sojeiros, agora ele quer saltar os sojeiros para cá para querer fazer o mesmo. E eu vejo muita fraqueza”.

As três comunidades que, segundo os moradores, estão sendo especuladas para se tornarem áreas urbanas vivem do turismo de base comunitária, do artesanato, do extrativismo e da roça. A preocupação dos moradores em relação a isto é como eles irão viver, de onde virá o sustento, pois sempre viveram de forma tradicional e se isso acontecer, o modo de vida será profundamente alterado.

Seu Abílio avalia que a Flona tem muita terra “e nós, como moradores, somos fiscais dessa área aqui que, até para nós tirar uma madeira para fazer uma casa, nós precisamos tirar uma autorização”. Então, todas as comunidades se colocam como contrárias a toda e qualquer especulação para criar projetos que alterem o modo de vida dos comunitários. Dona Raimunda disse “ eu acho que o prefeito não tem esse direito de pular em cima de uma lei federal para querer fazer uma área urbana para cá”.

A Floresta Nacional do Tapajós foi criada em 1974 através do decreto 73.684, de 19 de fevereiro de 1974. Possui atualmente área de 527.319 hectares.  Essa área abrange os municípios de Belterra, Aveiro, Placas, Rurópolis, e possui mais de 160 km de praias além de lagos, alagados e igarapés que formam paisagens únicas.

 

A proteção da Flona é de responsabilidade do ICMBio, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. O objetivo principal é a preservação da área, esta Unidade é uma das mais estudadas do Brasil e qualquer medida que que atinja o território e os povos tradicionais que ali vivem, deve-se, antes de tudo, ser consultada as associações, a Federação da Flona do Tapajós e o ICMBio.

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