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Privatização: a saúde em Santarém virou um negócio

Prefeito do município disse que com a privatização os serviços iam melhorar. Até hoje a população não ver nenhuma melhora, ao contrário, a cada dia fica mais precário.

23/07/2021 13h35 Atualizada há 2 meses
Por: Tapajós de Fato
Privatização: a saúde em Santarém virou um negócio

A Saúde é um direito assegurado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, é também um direito fundamental previsto na Constituição Federal. A população brasileira tem aceso aos serviços de saúde de forma gratuita através do SUS (Sistema Único de Saúde).

O SUS é um programa recente na história brasileira, antes de sua criação as populações mais pobres não tinham acesso a serviços básicos de saúde, atualmente, a cobertura do vai desde atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até os casos mais complexos em grandes hospitais. O SUS atende cerca de 80% da população brasileira, totalizando mais de 150 milhões de pessoas.

Muito ainda precisa ser melhorado na saúde pública do Brasil, o país é continental e multicultural, as dificuldades geográficas, as diferenças sociais e estruturas acabam gerando mais problemas para que os atendimentos de saúde sejam de qualidade, dependendo de cada local, um planejamento específico precisa ser feito para que possa ser desenvolvida as ações de saúde.

O sistema é sobrecarregado e há enormes filas para procedimentos mais complexos, como as cirurgias, por exemplo. Mas, o SUS é uma conquista do povo e precisa ser defendido, sem ele a população brasileira morre.

Santarém é a única cidade do Baixo Amazonas que atende os casos mais complexos. Todos os atendimentos são ofertados nos hospitais públicos e nas UBS, mas a gestão do Hospital Municipal e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que são de responsabilidades do município, já tiveram a gestão privatizada, o prefeito Nélio Aguiar (Dem) disse, em 2017, no primeiro mandato, que a privatização só traz benefícios, “A busca é pela melhoria no atendimento da população, a melhor eficiência nos gastos públicos, melhor eficiência da gestão. No Brasil, já são 20 anos da lei de OS. Dos dez melhores hospitais do SUS do Brasil, nove são administrados por OS, inclusive dois aqui do Pará: o Hospital Regional de Santarém e o de Altamira. Portanto, é um modelo que, na prática, já mostrou sua eficiência”.

O Sindsaúde é contra a terceirização da saúde em Santarém, uma pessoa do sindicato, que preferiu não ser identificada na matéria, disse “ Desde de 2017, quando a Câmara aprovou por unanimidade o Projeto de Lei onde respalda o Executivo a contratação das OS. Até os dias atuais, são diversas reclamações, não teve melhora. Somos contrário à privatização desde o início. ”

A senhora Raimunda do Socorro, moradora da região do Planalto, sempre que precisa ela busca atendimentos na UBS da comunidade Guaraná, segunda a usuária do SUS, o agendamento para exames demora muito, “tem exames que é melhor fazer particular do que esperar a secretaria agendar” ela conta que em 2020 sofreu um acidente doméstico e machucou o punho, foi até o posto para agendar um exame de Raio X e “demorou mais de dois meses”. Os exames de imagem são sempre os e mais demoram, dona Raimunda disse que há 4 anos atrás o médico solicitou um exame de Ressonância, mas até hoje nunca ligaram para avisá-la do exame. “Tem uma ressonância ‘pra’ lá e nunca veio o chamado. Já faz uns 3 ou 4 anos que deixei na secretaria de saúde a requisição do exame”

Segundo o site da Prefeitura de Santarém, “Os benefícios com a gestão do HMS e da UPA 24h por OS são: redução da infecção hospitalar; redução dos gastos com medicamento; redução da taxa da mortalidade infantil; redução do tempo de internação; possui uma ouvidoria ativa”. Porém, na prática não é o que vem acontecendo.

Os serviços de saúde deveriam ser ofertados com qualidade e rapidez, é preciso que o governo trate com comprometimento o sistema de saúde do município, a pessoa do Sindsáude disse que “para mudar, essa lei precisa ser revogada. Isso depende dos vereadores e da vontade do prefeito de assumir a responsabilidade na questão de gerenciar o serviço público, não pagar para uma empresa. Temos UPA, HMS e as UBS 24horas, são mais de 20 empresas que prestam serviços no hospital. Ou seja, virou um negócio a saúde”.

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