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Política Lançamento

LIVRO DE RAIMUNDA MONTEIRO ABORDA OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA E “ESPERANÇAS TEIMOSAS” DOS POVOS QUE RESISTEM À EXPLORAÇÃO E VIOLÊNCIA

“Amazônia: espaço estoque, a negação da vida e esperanças teimosas” é resultado de anos de pesquisa acadêmica e experiência da autora na gestão pública ambiental

05/08/2021 12h21 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato

Discutindo e apresentando caminhos o “Amazônia: espaço estoque, a negação da vida e esperanças teimosas”, de modo geral, trata  sobre o modelo de integração da Amazônia ao país e ao mundo e das consequências para os seus povos, no contexto dos 50 anos de construção da Rodovia Transamazônica. Exploração, ocupação desordenada, violência contra os povos, devastação e destruição ambiental ocupam muitas das 279 páginas, que cedem espaço também para falar de esperança, teimosa esperança.

Aborda sobre os “retrocessos surpreendentes” de uma matriz colonialista na Amazônia desde os anos 70, aprofundando-se a partir de 2016 e que reduz a região com grandes potenciais econômicos a “espaços estoque de matérias-primas”. Traz também paralelos entre o passado e o presente, “elucidativos para a ação das organizações e instituições que teimam em evitar a degradação crescente da Amazônia”.

O livro de Raimunda Monteiro, no âmbito de estágio pós-doutoral na Universidade de Coimbra, tem a orientação de Boaventura de Sousa Santos, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Diretor Emérito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

O livro será publicado pela editora Dalcídio Jurandir – Imprensa Oficial do Estado (IOEPA), que vem construindo um valioso processo de publicações de autores e autoras paraenses e busca “valorizar a ciência, a cultura e a literatura” do Pará. “A obra aborda o processo político e econômico de ocupação da Transamazônica, no oeste paraense, e na Amazônia, uma região marcada por exploração predatória, ocupação desordenada, com pouca presença do Estado brasileiro, gerando violência e conflitos. Esse processo beneficia grandes empresas internacionais, aliadas de uma elite agrária, grileiros e latifundiários que impõem uma violência na Amazônia dominando os cenários políticos e econômicos, deixando um passivo de devastação, destruição ambiental e de violência aos povos da região”, descreve o diretor da IOEPA, Moisés Alves de Sousa.

Nesta obra está impresso muito da pesquisadora, da ativista e da gestora pública que protagonizou importantes políticas públicas em prol de uma Amazônia ambiental e economicamente sustentável. 

Com a produção iniciada em 2018 e término em 2020, o livro atravessou um dos momentos mais difíceis da história da Amazônia, a pandemia e todas as suas consequências socioeconômicas. “Embora o livro tenha tido 90% da sua conclusão em 2019, toda a parte de finalização e pós produção [...] foram altamente perturbados por uma Amazônia afetada pela pandemia, pelas situações de lockdown, agravo das notícias que chegavam principalmente em relação às populações mais vulneráveis, é como se eu tivesse chegado ao pódio e o pódium tivesse desmoronado”, compara Raimunda Monteiro.

A obra discute e pauta a necessidade dessa resistência teimosa que parece ser uma característica muito forte nos povos que vivem aqui. “Eu cheguei a pensar em fazer uma trilogia, ou dois volumes, mas acabei decidindo fazer um volume trabalhando um pouco de cada tema, tanto que a parte do final, das teimosias eu não aprofundei [...] é como se o livro pautasse a continuidade de discussão de cada capítulo”, explica.

O lançamento será transmitido ao vivo pelo Canal do Youtube do Instituto de Ciências da Educação (ICED/Ufopa), e será no próximo dia 7 de agosto, sábado, às 17h. O evento contará com ilustres convidados, o jornalista Manoel Dutra, o indigenista Sidney Possuelo, o produtor rural e sindicalista Avelino Ganzer, o jornalista Rubens Valente, a lideranças indígenas Cacique Mobu Udo - Arara de Cachoeira Seca, Lorena Curuaia, a pesquisadora Ana Paula Souza e o físico Ennio Candotti que foi diretor do Museu da Amazônia em Manaus, e presidente da  Sociedade Brasileira para o progresso da ciência, que assina o prefácio da obra.

Linhas sobre a  autora - Raimunda Monteiro nasceu em Santarém, no Pará. Descendente de nordestinos, seus caminhos foram traçados pela economia da Borracha na Amazônia e de populações nativas do rio Tapajós. Saiu de casa com nove anos para estudar, tendo morado nas regiões de fronteira agropecuária no Sul do Pará e no Maranhão. Na adolescência, morou em Goiânia. Retornando a Santarém, ingressou na militância sindical e política, se dedicando à organização de camponeses e movimentos populares urbanos, durante os anos 1980, sendo uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores de Santarém.

Formada em Jornalismo pela UFPA, fez Mestrado Internacional em Planejamento de Desenvolvimento, no (NAEA/UFPA) e Doutorado em Ciências: Desenvolvimento Socioambiental na mesma instituição. Foi Diretora do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e coordenadora do Subprograma Projetos Demonstrativos do Programa Piloto para Proteção de Florestas Tropicais.

Iniciou docência no ensino superior público na Faculdade de Comunicação da UNB, sendo concursada, em 2004, na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Em 2007, participou da criação do IDEFLOR-Bio, instituição que coordenou até 2009.

Com a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em 2009, foi nomeada Vice-Reitora Pró-Tempore, vindo a ser a primeira reitora eleita desta Universidade, cargo exercido de 2014 a 2018. 

Atualmente, é Professora Titular do Curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional da Ufopa. Em 2019 finalizou Pós-doutorado em Ciências Sociais pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. 

 

A autora pontua questões que considera potenciais para o fortalecimento de políticas públicas de valorização das florestas e de sistemas de produção sustentáveis, bem como sobre a teimosia política para impedir o desmonte dos sistemas de proteção ambiental, territorial e social conquistados pela sociedade brasileira.

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