Segunda, 27 de Setembro de 2021 00:32
093991489267
Notícias Reportagem Especial

Juventude na política: Os desafios e a busca por mais representatividade nas eleições de 2020

Mesmo com alto número de candidaturas jovens nas eleições passadas, a juventude não forma nem 10% do total de vereadores do país.

13/08/2021 16h12 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato

O voto é uma grande conquista para a construção democrática da sociedade brasileira, exercê-lo é um ato de cidadania. A política precisa acompanhar os avanços da sociedade e para isso é importante que a juventude se faça presente na política, participe dos processos eleitorais, seja votando ou se  candidatando a uma vaga nas esferas de poder.

 

A história do Brasil é marcada pelo patriarcado, onde mulheres e jovens tinham que obedecer o que os homens mais velhos decidiam  para todos. É necessário que a juventude indígena, negra, LGBTQIA+, e todos os demais grupos sociais se organizem, fortaleçam e apoiem quem coloca o nome à disposição enquanto juventude para representá-los  em um mandato político, para que suas demandas sejam ouvidas e também para que tenham maior participação na política.

 

As eleições municipais de 2020 já refletem o anseio da juventude  e de outros grupos por representatividade nos espaços de poder. Em 2020, os brasileiros elegeram mais de 80 vereadoras e vereadores LGBTQIA+, porém menos de 10% dos vereadores dos municípios brasileiros têm até trinta anos, o que demonstra que ainda há uma certa dificuldade para que aconteça, de fato, uma mudança na política do Brasil.

 

Para entender a situação da Região do Baixo Amazonas, o Tapajós de Fato entrevistou dois jovens que, em 2020, se colocaram à disposição para representar a juventude nas câmara municipais  de Santarém e Juruti. 

 

Igor Santos, licenciado em Informática Educacional, Mestrando em Educação, militante do movimento Kizomba e filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), concorreu nas eleições à uma vaga de vereador em Santarém . Ele disse que a sociedade ainda não confia na capacidade da juventude na política, é “um grande erro, visto que já chegamos com a experiência de lutas sociais e com vontade redobrada para fazer algo por Santarém”.

 

Mesmo que Santarém  tenha escolhido apenas uma candidatura jovem, Igor avalia que o resultado ainda é positivo, houve mais candidaturas jovens e foi uma eleição “...mais representativa. Tivemos candidaturas de mulheres, LGBTQIA+, negras e negros,  da periferia e da região de rios” indígenas e quilombolas”. Cabe agora avaliar se para 2024, meu sonho é ver um/a jovem na câmara municipal que venha das lutas sociais e que leve lá para dentro a transformação que já estamos fazendo aqui do lado de fora.”.

 

O jovem mestrando disse também que aceita colocar seu nome à disposição de seu partido nas próximas eleições e continuar fortalecendo o projeto que tem como tema: “Ousadia para Mudar”,  e poder representar a juventude e os demais da sociedade santarena. “Mas Ocupar o parlamento é essencialmente necessário para colocarmos em pauta temas como o primeiro emprego, de educação de qualidade e formação profissional, espaços de esporte e lazer acessível para todas as áreas de Santarém e também as pautas identitárias como exercício de cidadania para uma sociedade menos conservador”.

 

Francinei Andrade está em seu primeiro  mandato de vereador em juruti, foi o  vereador mais votado pelo PT e o segundo mais votado do pleito eleitoral, atualmente é o presidente da Câmara de Vereadores de Juruti,  ele concorda que a juventude ainda enfrenta dificuldades no contexto da política, “infelizmente, a política, hoje, é feita de forma que os grande tem a voz mais alta e os pequenos já não tem tanta força capitalista, isso se torna uma grande dificuldade para a juventude, principalmente para quem está dentro dos movimentos sociais e luta para que a população possa usufruir do bem comum igual para todos”

 

Por conta do grande problema que a velha política se tornou, no Brasil” Francinei Acredita que o desafio da juventude é “ter a coragem de enfrentar os grandes, juntar-se a mais grupos, criar estratégias para entrar na política e fazer com que a juventude tenha voz, vez de cobrar aquilo que é nosso direito como jovem”.

 

Sobre as dificuldades das eleições de 2020 provocadas pela pandemia, a maior parte das campanhas eleitorais foram feitas através das redes sociais.  E quando se fala em candidatura jovem, “é preciso saber de onde vem esse jovem, nós temos políticos jovens,  mas que não veio do movimento social, não veio dos sindicatos, associações, ou seja, não veio do povo, como a carreira política do atual governador do Pará. E nós, que viemos dos sindicatos das associações, dos movimentos que lutam em defesa para que as políticas públicas cheguem aos mais necessitados, à juventude que não é vista, ainda tivemos muitas dificuldades nessas últimas eleições”, disse o presidente da Câmara de Juruti.

 

Francinei falou que a maioria da juventude não participa  de nenhuma organização,  não debatem sobre política e passam muito tempo nas redes sociais. Esses  jovens são influenciados pela mídia, como aconteceu aqui em Juruti, por exemplo, a maioria da juventude de 16 a 24 anos votou na atual gestão, que não tinha nada de novo, e essa juventude não viu como foi as gestões que eles fizeram antes. A atuação da nossa juventude de movimentos sociais precisa aparecer mais e com mais força, precisamos nos organizar mais, já conseguimos dar um passo muito importante. Muitos jovens em outros municípios conseguiram se eleger através do movimento social de base. E isso é bom. E como jovem, através do movimento e da força, nós conseguimos chegar até a presidência da câmara, hoje, Juruti tem o primeiro jovem eleito vereador, e nós, na condição de presidente da câmara”.

 

Para as próximas eleições, Francinei acredita que a juventude precisa avançar, ele percebe a necessidade de ter “mais jovens na ALEPA (Assembleia Legislativa do Pará) principalmente aqui do oeste do Pará. precisamos ter alguém que lute pela juventude”. Contudo, política não se faz somente no período das eleições, é necessário fazer fortalecimento de base  tanto nas cidades quanto nas zonas rurais. Instigar o jovem para que ele perceba a sua realidade  e lute pelos seus direitos.

 

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: FacebookInstagram e Twitter.

 

 Acesse ainda o Podcast Tapajós de Fato

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.