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Saúde Meio ambiente

Equipe técnica realizou vistoria no lixão de Perema

O relatório deve apresentar os impactos ambientais e sociais causados pelo lixão na vida de quem mora nas proximidades.

20/08/2021 18h58 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Equipe técnica realizou vistoria no lixão de Perema

Há cerca de três meses, segundo moradores da comunidade Perema, em Santarém,  o lixão  está em chamas. Isso vem gerando sérios problemas para quem mora no entorno, pois a inalação da fumaça tóxica causa doenças diversas, principalmente nas crianças e idosos. . Assim, a população, com o apoio do vereador Biga Kalahari (PT), realizou uma manifestação na comunidade de Perema, próximo ao aterro, com o intuito de tornar pública a sua indignação com o descaso sofrido com relação a essa situação. O protesto contou com o bloqueio da entrada dos caminhões com lixo, até que alguma medida fosse tomada em relação ao incêndio.

 

A postura do chefe do Executivo municipal, o prefeito Nélio Aguiar, piorou a situação, que intimidou as lideranças à frente da manifestação mandando áudios, acusando-as de politicagem. Além disso, o município requereu uma decisão judicial que prevê multa para quem atrapalhasse a continuidade dos serviços de limpeza pública.  Fica clara, portanto, uma tentativa de silenciamento.

 

A única medida tomada pelo prefeito de Santarém foi a sanção de uma lei para instituir e atualizar a política municipal de saneamento, o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS). A nova política deve afetar todos os demais conselhos municipais. A nova organização do Conselho de Saneamento Básico deve ter seis representantes do governo e somente um representante da sociedade civil, decisão que só chegou ao conhecimento do atual conselho porque um vereador encaminhou um documento informalmente ao Conselho.

O olhar do comunitário.

 Umas das pessoas que moram mais próxima ao lixão é o mecânico Carlos Henrique Aguiar, ele disse que “o problema desse lixão já vem de muitos anos, além de ser a céu aberto, tem muitas nascentes , inclusive, estão jogando lixo em cima de uma nascentes que antes as pessoas pegavam água. A gente sofre com o mau cheiro, e para acabar de inteirar, há tempos atrás  tacaram fogo e o poder público não fez nada para resolver o problema e agora o problema aumentou. Até hoje a gente sofre, eu moro a 300 metros do lixão. Tem o problema que é o lixo hospitalar, que deveria ser incinerado  ele só é jogado e colocado uma terrazinha em cima, quando jogam”.  Henrique falou que só  foram feitas algumas coisas depois que o Ministério Público fez uma visita ao local.

 

O mecânico finalizou  dizendo que o que os comunitários querem é que  as atividades  sejam interrompidas,  para que parem de prejudicar a natureza e as pessoas que vivem próximas ao lixão. “Esse que é o  que era para ser o certo, essa é a nossa reinvindicação”, pontuou.

 

O Conselho de Saneamento

O presidente do Conselho de Saneamento, Narciso Sena, falou ao Tapajós de Fato que “o Conselho de Saneamento está com o MP para  a gente encontrar um canal de diálogo com o poder público municipal, com as comunidades do entorno, com os trabalhadores do lixão do Perema para encontrar uma solução”.  Nesta Semana, a equipe do conselho foi até o lixão fazer uma vistoria e a partir dessa vistoria, produzir um relatório para enviar ao Ministério Público. Na equipe da vistoria tinha engenheiros sanitário e ambiental, profissionais da área de ciências sociais (Sociólogos, historiadores e advogados). O relatório será entregue à Promotoria na próxima semana.

 

No dia da vistoria foi feito também uma reunião com cerca de 100 pessoas que trabalham coletando materiais recicláveis no local, segundo Narciso, esses trabalhadores achavam que, após a vistoria, as  atividades seriam encerradas, mas essa informação não é verdadeira, “primeiro que o Conselho não tem essa prerrogativa de fechar qualquer que seja  o local. E era nosso objetivo essa situação, mas foi interessante porque os trabalhadores ficaram sabendo do que está acontecendo, até porque são cinco cooperativas atuando dentro do lixão e uma média de 200 trabalhadores. Ou seja, cerca de 200 famílias que dependem do lixão para sobreviver”

 

Narciso falou também que um outro grande problema é que não há coleta seletiva em Santarém, os rejeitos vão todos misturados aos resíduos sólidos que podem ser reciclados. “Este problema é complexo, são muitas situações envolvidas". Finalizou, o presidente do Conselho de Saneamento.

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