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Dinheiro desviado da Saúde no Pará era gasto em imóveis e veículos particulares

Organizações que gerenciavam hospitais de campanha no Pará foram utilizadas para desvio de mais de R$300 milhões em verbas públicas.

26/08/2021 16h14
Por: Tapajós de Fato
Dinheiro desviado da Saúde no Pará era gasto em imóveis e veículos particulares

 

Nicolas André Morais, de 32 anos, é um dos maiores pecuaristas do Pará, e possui um patrimônio que inclui cabeças de gado, fazendas, casas, apartamentos, aeronaves e carros de luxo.  Porém, todo o dinheiro gasto nesses imóveis e veículos vem das verbas públicas destinadas à saúde, que eram desviadas por uma quadrilha da qual faziam parte Nicolas e o médico Lauro Fusco Marinho, de São Paulo, e cujo chefe era o também médico Cleudson Montali. A atuação da quadrilha acontece bastante tempo e, no Pará, ocorre desde 2019, segundo afirmou José Neto, delegado da Polícia Federal, em entrevista ao Fantástico, no último domingo (22).

Segundo a PF, Nicolas tinha acesso ao alto escalão do governo. Parsifal Pontes, ex-Casa Civil do Pará, é apontado como o intermediário das contratações fraudulentas no governo. Além disso, ele teria alertado a quadrilha de que policiais preparavam uma operação. Ele foi preso em setembro de 2020 e foi exonerado pelo governador Helder Barbalho, mas, atualmente, responde o processo em liberdade. O governador do Pará, que tem foro privilegiado, também está sendo investigado, no STJ.

Nicolas Morais foi preso, em setembro de 2020, acusado de ser o operador financeiro do grupo criminoso no Pará. Naquele período, Nicolas recebeu o benefício da prisão domiciliar, mas na quarta-feira passada (18), foi preso novamente, após a Polícia Federal encontrar novas provas contra ele. De acordo com as investigações, 4 organizações sociais indicadas por Nicolas Morais fecharam contratos por cerca de R$1,2 bilhão. Essas organizações, então, passaram a gerenciar 9 hospitais no Pará, sendo 4 deles de campanha, para pacientes com COVID-19. Com isso, o grupo criminoso tomou posse, ao todo, de mais de R$300 milhões.

 

O desvio do dinheiro era camuflado da seguinte forma, segundo os investigadores: a quadrilha conseguia notas fiscais “frias” (falsas), com empresas que faziam parte do esquema. Assim, no papel, tudo parecia certo, porém, na verdade, os serviços eram superfaturados ou nem eram prestados, e alguns equipamentos nunca chegaram aos hospitais.

 

Consequências dos desvios.

Em entrevista ao Fantástico, o médico Luiz Chaves, que trabalhou no Hospital de Campanha de Santarém (HCS), relatou as condições do local com a falta dos recursos que haviam sido desviados. Segundo ele, o HCS consistia apenas de “um galpão, com uma lona cobrindo. Alguns ar-condicionados espalhados, mas não era suficiente nem um pouco pra bancar o calor que fazia lá dentro”. Os profissionais da saúde tinham que abanar os pacientes em seus leitos. Além disso, o médico conta que as bombas de oxigênio, por vezes, falhavam e que, por 3 meses, os profissionais da saúde que atuavam no HCS ficaram sem receber seus salários.

 

O hospital de Itaituba, por exemplo, que deveria receber cerca de R$8 milhões, recebeu apenas R$3 milhões, enquanto os R$5 milhões restantes foram desviados pela quadrilha de Nicolas.

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