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Empate #Territórios

Acampamento Luta pela Vida realiza sua maior edição, povos indígenas na lutam por seus territórios

Mais de seis mil indígenas acamparam em Brasília contra o PL 490, e o Marco Temporal, que tentam acabar com os territórios indígenas.

31/08/2021 15h57
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Acampamento Luta pela Vida realiza sua maior edição, povos indígenas na lutam por seus territórios

O Acampamento Luta Pela Vida tem a maior manifestação da história feita pelos indígenas. Em 2021, milhares de indígenas retornam à Brasília para defender seus direitos sobre os territórios que ocupam  contra os interesses dos ruralistas.

Os ruralistas defendem a tese de que os indígenas só teriam direito à terra se já estivessem ocupando-a quando a Constituição Federal foi promulgada. A tese é perversa porque desconsidera expulsões e outras violências sofridas por esses povos. Além disso, ignora o fato de que eram tuteladas pelo Estado e não podiam entrar na Justiça de forma independente até 1988, além do mais, por conta de toda a exclusão e violência sofrida, somente agora que muitos povos estão fazendo o processo de autoafirmação.

Percebendo o risco que o julgamento da tese do Marco temporal representa para vida de todos os povos indígenas, a Apib - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, organizou a maior mobilização dos povos indígenas do Brasil para acamparem em Brasília e manifestarem contra o Marco Temporal. Mais de 6 mil indígenas de 176 povos montaram acampamento. “Nos sentimos obrigados a nos fazer presente em Brasília, neste cenário tão desolador que está sendo promovido tanto pelo Congresso Nacional, mas principalmente pelo governo federal, no que tange o direito dos povos indígenas”, disse Dinaman Tuxá, um dos coordenadores-executivos da Apib.

Desde o dia 22 de agosto os dias dos indígenas acampados foram bastante intensos, com apresentação das delegações, canto e danças tradicionais que os interligam com as forças da natureza e dos ancestrais que, muitas vezes, morreram na luta para defender o território Bem como marchas até a praça dos três poderes. 

 

No dia 25 de agosto, data que estava marcado para ocorrer a votação do Marco Temporal, os indígenas fizeram uma marcha até a frente do Supremo Tribunal Federal (STF), onde acompanha a sessão, mas, como o Marco não era a única pauta do dia, não deu tempo de a tese ser julgada, ficando agendado para ocorrer no dia 01 de setembro, quarta-feira desta semana.

Esses adiamentos no “julgamento do século”, como é chamado o julgamento da tese do Marco Temporal, mostra-se como uma tentativa de “empurrar com a barriga” a decisão que pode acabar com territórios de centenas de povos indígenas. Mesmo com toda essa explícita tentativa de desmobilização dos indígenas que foram à luta não funcionou, pois, a resistência de quem luta há 521 anos pelo direito à vida, no Brasil, permanece firme. Uma parte da delegação dos indígenas que estavam acampados em Brasília voltaram para seus territórios, mas um grupo considerável de indígenas ficou no CIMI (Conselho Indigenista Missionário), em Goiânia, e retornarão à Brasília no dia 1° de setembro, quando está prevista a votação do Marco Temporal.

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