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Educação Direitos estudantis

Comissão de estudantes indígenas reúnem com o MEC, em Brasília

Os indígenas cobram mais compromisso do Ministério, em relação à abertura de novas bolsas no programa Bolsa Permanência

31/08/2021 21h19
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Comissão de estudantes indígenas reúnem com o MEC, em Brasília

Uma comissão com oito estudantes de todas as regiões do Brasil acampados no ATL (Acampamento Terra Livre), participou de uma reunião no dia 25 de agosto, no Ministério da Educação, para dialogar sobre as ações afirmativas das universidades brasileiras. 

Presente na reunião, representando os estudantes indígenas da região norte, Crislane Tapuia, que faz parte do Diretório Indígena da Ufopa (Dain), disse que os "eles foram reivindicar ações afirmativas” para garantir a permanência nas universidades. “A Ufopa é uma das universidades que mais têm estudantes indígenas e quilombolas, mas nos últimos meses, muitos estudantes se viram obrigados a voltar para suas aldeias e quilombolas porque o MEC não estava fazendo o repasse da Bolsa Permanência, que é garantida por lei”.

Crislane contou ainda que o resultado da reunião com MEC “não gerou resultados satisfatórios, e por isso, em outubro, vamos continuar com essa mobilização nacional dos estudantes”. Segundo a estudante, os indígenas pretendem participar de um Fórum de Educação, para levar “propostas de aprimoramento da política de Ações Afirmativas, na questão da Bolsa Permanência, porque todos os anos nós temos enfrentado os mesmos problemas”. A comissão ficou responsável por criar uma carta e enviar ao MEC como provocação para que seja respondido, através de um relatório, sobre os questionamentos apresentados pela comissão.

Ainda no primeiro semestre de 2021 os estudantes foram até Brasília fazer as mesmas reivindicações. Outro estudante indígena que também falou ao Tapajós de Fato foi Arlindo Baré ,da UNICAMP, ele que é coordenador do Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas (ENEI), contou que “a bolsa permanência é um dos direito que têm sido violado por esse governo e a gente está se mobilizando,  enquanto estudantes indígenas, para ver como a gente resolve” o problema. “Há quase dois anos que o MEC não abre novas bolsas para os estudantes que ingressaram em 2020 e 2021.

Outro ponto de pauta da reunião foi questionar o motivo de o Ministério da Educação não apoiar o ENEI, um evento tão importante que tem grande representatividade para os indígenas, mas que é organizado de forma totalmente autônoma, “buscando apoio meio que sem rumo, as vezes a gente consegue fazer com a força da coletividade sem nenhum apoio do MEC, disse Arlindo Baró.

A nova presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz também falou com exclusividade ao Tapajós de Fato, sobre a cobrança por resposta do MEC e do presidente Bolsonaro “referente à permanência estudantil” ela falou também que é importante “reforçar a luta em defesa da permanência dos indígenas nas universidades e, acima de tudo, garantir que todas as bolsas sejam resguardadas para que esses estudantes consigam finalizar o ensino superior”.

A vice-presidente da UNE, Carol Lacerda, contou a importância do movimento, principalmente no momento em que a educação, seja ela do ensino básico ao superior, sofre tantos ataques. Ela falou que é “importante os estudantes se unificarem em defesa da educação, em defesa do ingresso à universidade, em defesa da assistência estudantil” e que só será possível avançar com a união de todos.

Por fim, Crislane disse que, de  emergência, os indígenas querem a resposta para os seis mil estudantes que ficarão sem a bolsa, pois o sistema de bolsas será aberto apenas em janeiro de 2022, mas apenas para dois mil alunos. Esse é mais um dos motivos para que a mobilização dos estudantes indígenas continue em outubro.

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