Segunda, 27 de Setembro de 2021 01:19
093991489267
Notícias ataques

15º Grito dos Excluídos e Excluídas de Alenquer é marcado por ofensas desferidas pelo prefeito da cidade

Os alvos dos ataques foram os trabalhadores rurais e um padre porque disse que “o gestor tem a missão, junto do povo ximango, de administrar a prefeitura para todos”

08/09/2021 16h39 Atualizada há 3 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
15º Grito dos Excluídos e Excluídas de Alenquer é marcado por ofensas desferidas pelo prefeito da cidade

Ontem (07), foi realizado em Alenquer o 15º Grito dos Excluídos e Excluídas. O evento foi realizado pela Paróquia de Santo Antônio, pastorais e movimentos sociais. Os manifestantes levaram pautas coletivas de reivindicações, incentivo à vacinação, denúncias e homenagens a pessoas queridas.

Em entrevista  ao Tapajós de Fato, Aldemara Ferreira, presidente do STTR de Alenquer,  disse que as pautas levantadas no Grito dos Excluídos eram de nível nacional, estadual e municipal: “Por dentro do Grito a gente consegue fazer toda essa mobilização, diálogos e incentivar a determinadas questões. Solicitamos melhorias nas escolas, transporte escolar, incentivo à agricultura familiar, mais atenção com as estradas, o lixão da cidade, iluminação pública, mais médicos, contra o desmatamento, mais transparência nas licitações feitas pelo município e também uma atuação mais efetiva do legislativo para fiscalizar o que acontece no município”.

Por conta das medidas de proteção contra a Covid-19, não houve os tradicionais desfiles das escolas, mas houve uma caminhada pacífica e democrática, como acontece todos os anos pelas ruas de Alenquer, do Grito dos excluídos. Porém, para a surpresa das pessoas que estavam no ato, o prefeito do município de Alenquer, Tom Farias, chamou os manifestantes de “vagabundos por estarmos cobrando políticas públicas”, disse Aldemara.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, o prefeito afirma que Alenquer tem muito o que comemorar, e que “antes não tinha dinheiro pra nada, não tinha médico, não tinha sequer uma atadura... hoje Alenquer é diferente, esses sindicatos vão ter que engolir e esse padre tem orar, tem que rezar esses bando de vagabundos, porque é isso que eles são”. Além dos sindicalistas e do pároco, o prefeito criticou também secretários e advogados de gestões passadas, chamando-os de “incompetentes” e dizendo que por isso teriam sido demitidos por ele.

 

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por #TapajósDeFato (@tapajosdefato)

 

Em entrevista ao Tapajós de Fato, o padre José Boeing, missionário do Verbo Divino e também advogado, foi uma das pessoas atacadas pela fala do prefeito. Ele diz que quando a manifestação passou em frente à prefeitura, foi feita uma “reflexão do que o grito esse ano está falando''. Eu utilizei a palavra que a prefeitura tem a obrigação de trabalhar com os agricultores na merenda escolar, na qual a lei de que 30% da merenda deve ser contratada diretamente das pessoas que trabalham com agricultura familiar. Essa foi minha fala, nunca foi uma agressão à pessoa do prefeito, o gestor tem a missão junto do povo ximango de administrar a prefeitura para todos”, disse o padre.

Boeing diz que não entendeu a atitude do prefeito e considerou esse episódio como “lamentável... utilizando essa linguagem pejorativa”. Além disso, o padre opinou sobre Tom Farias que ele não deve ter uma assessoria que o informe de forma correta sobre os fatos: “não só nós fomos atingidos pela nossa missão, mas também o sindicato pela sua luta e o movimento do grito dos excluídos que há 15 anos nós fazemos... Se o prefeito se sentiu ofendido é porque algumas coisas ele precisa aprender, porque ele só tem 8 meses de mandato e tem que administrar para o povo e não se preocupar se tem alguma manifestação”.

O pároco da Paróquia de Santo Antônio, Pe. Manuel Lopes Rodrigues, também falou ao Tapajós de Fato, sobre o direito de manifestação dos cidadãos: “não estamos de acordo. É uma missão do evangelho trabalhar por aqueles que não tem voz nem vez, e o grito era para ser uma coisa simples, era para ser um gritinho, mas era uma manifestação legítima, não havia necessidade desse tipo de agressão”. Pe. Emanuel também mostrou apoio ao padre Boeing, aos sindicalistas e a todos aqueles que foram à manifestação popular.

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: FacebookInstagram e Twitter.

 Acesse ainda o Podcast Tapajós de Fato.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.